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O Corvo seguido de A Entrevista

de Edgar Allan Poe
Editor: Padrões Culturais, maio de 2012 ‧
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O Corvo de Edgar Allan Poe, uma das mais prodigiosas obras literárias em língua inglesa, publicado em 1845, é um invulgar poema que nos questiona sobre a finitude humana. Texto de grande actualidade e que transcende o terreno puramente literário, permite o diálogo, especialmente com a filosofia e a teologia, e remete-nos para questões às quais homem algum conseguiu responder, o que torna esta obra ainda mais intrigante, fascinante e, sobretudo, poderosa.

«Todavia - fascinação estranha! - os grandes olhos luminosos da marquesa não descem sobre o túmulo que lhe tragara a mais querida esperança; fitam-se seguindo direcção absolutamente oposta. É decerto o velho castelo da república, um dos mais notáveis monumentos de Veneza; mas como pode a nobre dama contemplá-lo assim, obstinadamente, se abaixo dela estrebucha seu filho nas ânsias da asfixia? Esta sombria voragem rasga-se exactamente em face da janela da sua câmara: que pode logo avistar ela na arquitectura, nas antigas cornijas, forradas de hera, dessa cavidade, que a não tenha por milhares de vezes absorvido? Ai! por ventura não sabemos, que, em semelhantes momentos, a vista, semelhante a um espelho quebrado, multiplica as imagens da dor e contempla em paragens longínquas a causa duma angústia presente?»
(excerto de A Entrevista)

O Corvo seguido de A Entrevista

de Edgar Allan Poe

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897090165
Editor: Padrões Culturais
Data de Lançamento: maio de 2012
Idioma: Português
Dimensões: 134 x 198 x 3 mm
Páginas: 48
Tipo de produto: Livro
Coleção: Textos Extraordinários
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789897090165

SOBRE O AUTOR

Edgar Allan Poe

Escritor norte-americano nascido a 19 de janeiro de 1809, em Boston, e falecido a 7 de outubro de 1849. Filho de dois atores de Baltimore, David Poe Junior e Elizabeth Arnold Poe, ficou órfão com apenas dois anos de idade e desde cedo aprendeu a sobreviver sozinho. Foi adotado por uma família de comerciantes ricos de Richmond, de quem recebeu o apelido Allan.
Entre 1815 e 1820, a família Allan viveu em Inglaterra e na Escócia, onde Poe recebeu uma educação tradicional, regressando depois a Richmond. Poe foi para a Universidade da Virgínia em 1826, onde estudou grego, latim, francês, espanhol e italiano, mas desistiu do curso onze meses depois por causa do seu vício do jogo e do álcool. Resolveu então ir para Boston, onde publicou em 1827 um fascículo de poemas da juventude de inspiração byroniana, Tamerlane and Other Poems.
Em 1829 publicou o seu primeiro volume de poemas, com o título Al Aaraaf, Tamerlane and Minor Poems, onde se denota a influência de John Milton e Thomas Moore. Foi então para Nova Iorque, onde publicou outro volume, contendo alguns dos seus melhores poemas e onde se evidencia a influência de Keats, Shelley e Coleridge.
Em 1835 estreou-se como diretor do jornal Southern Literary Messenger, em Richmond, onde se tornaria conhecido como crítico literário, mas veio a ser despedido do seu cargo alegadamente por causa do seu problema da bebida. O álcool viria aliás a ser o estigma que marcaria toda a sua vida até à morte. Casou-se nesse mesmo ano com a sua prima de apenas treze anos, Virgínia Clemm, e o casal resolveu então instalar-se em Nova Iorque, onde não chegou a permanecer muito tempo. Foi em Filadélfia que Poe alcançou fama através de vários volumes de poemas e histórias de mistério e de terror. Em 1838 escreveu The Narrative of Arthur Gordon Pym (A Narrativa de Arthur Gordon Pym), obra de prosa em que combinou factos reais com as suas fantasias mais insanes. Em 1839 tornou-se codiretor do Burton's Gentleman's Magazine em Filadélfia, e nesse mesmo ano escreveu várias obras que o tornaram famoso pelo seu estilo de literatura ligado ao macabro e ao sobrenatural. São elas William Wilson e The Fall of the House of Usher (A Queda da Casa de Usher). A primeira história policial surgiu apenas em 1841, na revista Graham's Lady's and Gentleman's Magazine, sob o nome The Murders of the Rue Morgue (Os Crimes da Rue Morgue), e em 1843 Poe recebeu o seu primeiro prémio literário com a obra The Gold Bug. Em 1844 regressou a Nova Iorque e tornou-se subdiretor do New York Mirror. Na edição de 29 de janeiro de 1845 deste jornal surgiu o poema The Raven (O Corvo), com o qual Poe atingiu o auge da sua fama nacional.
Dois anos mais tarde morre a sua mulher Virgínia, mas Poe volta a casar, com Elmira Royster, em 1849. Porém, antes disso, Poe publica Eureka, uma obra que deu azo a muita contestação por parte de alguns críticos da época e que é considerada uma dissertação transcendental sobre o universo, muito louvada por uns e detestada por outros.
É de regresso à terra natal do seu pai que Poe começa a apresentar indícios de que o problema do alcoolismo já era de certo modo irreversível. De facto, ele esteve na origem da morte do poeta. A obra de Poe é o espelho da sua vida conturbada e dos seus hábitos e atitudes antissociais, que o levavam a ter uma escrita que ia para além dos padrões convencionais. Se por um lado foi vítima de certas circunstâncias que estavam para além do seu controle, como foi o facto de ter ficado órfão aos dois anos de idade, por outro fez-se escravo de um problema - o álcool - que agravaria a sua personalidade já de si inconstante, imprevisível e incontrolável.

Edgar Allan Poe. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009.

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