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O Culto do Chá

Livro de Bolso

de Wenceslau de Moraes
Editor: Biblioteca Editores Independentes / Relógio D’Água, fevereiro de 2008 ‧
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«O chá japonês, servido invariamente sem leite e sem açúcar, que lhe prejudicariam o aroma, é a bebida mais suavemente agradável que possa oferecer-se ao nosso paladar (não de todos porém, mas um paladar sentimental, um tanto sonhador… que nisto dos nossos órgãos de sentir há temperamentos, aptidões afectivas características.. .).
0 guyokuró, por exemplo, que é o mais celebrado chá de Uji e de todo o Japão, instila tais subtilezas balsâmicas de sabor, que mais parece um perfume; poderia dizer-se que uma maravilhosa alquimia conseguiu liquefazer os aromas das flores — flores dos jardins, flores silvestres —, transferindo do olfacto ao paladar a impressão do gozo.»

E deste modo que Wenceslau de Moraes fala desta bebida japonesa em 0 Culto do Chá, a que se acrescentam neste volume dois outros textos seus, Uji —A Terra do Chá e Vestígios da Passagem, dos Portugueses no Japão.

O Culto do Chá

Livro de Bolso

de Wenceslau de Moraes

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896410070
Editor: Biblioteca Editores Independentes / Relógio D’Água
Data de Lançamento: fevereiro de 2008
Idioma: Português
Dimensões: 121 x 191 x 6 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 96
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 9789896410070

De culto.

Bruno Lamarosa

Escrito de um pensador peculiar, com uma visão também ela especial, não só pela sua erudição, mas também pelo seu centro, o Japão, tão distante há 100 do Japão que existe hoje me dia. Um escritor com vasta obra, altamente filosófica, e que é, entre nós, um autor de culto que merece e precisa de ser relido e revisitado.

SOBRE O AUTOR

Wenceslau de Moraes

Wenceslau José de Sousa Moraes nasceu a 30 de maio de 1854, em Lisboa. Foi oficial da marinha, mas a sua grande propensão era escrever. Em 1888 chega a Macau e aí teve uma relação com uma chinesa, da qual nasceram dois filhos. Numa comissão de serviço, em 1889, foi ao Japão e ficou sensibilizado com a exuberância da paisagem, da arte, do apurado sentido da dignidade e da honra, do seu culto e da delicadeza das mulheres. Mais tarde, em 1898, instala-se na cidade japonesa de Kobe como cônsul de Portugal, onde contrai matrimónio com uma formosa gueixa, O-Yoné, tendo sido ela, talvez, a responsável pela sua entrega à escrita e à descrição do Japão. Mas O-Yoné, de saúde débil, faleceu e o desgosto do escritor foi imenso. Em Kobe viveu 33 anos, até ao seu falecimento. A par da sua atividade diplomática intensa, que exerceu por 15 anos, estudou a civilização japonesa para melhor compreender o que via e experimentava, tornando-se a grande fonte de informação portuguesa sobre o Oriente e partilhando com os leitores nacionais experiências íntimas do quotidiano japonês, como se fosse natural do país. Em 1964, Kobe erigiu-lhe um busto. Na década de 1990, livros escolares reproduziam ainda o retrato e alguns textos seus. Uma grande editora japonesa editou, em 1969, as obras completas de Wenceslau de Moraes, que rapidamente esgotaram. Alguns livros do autor: Traços do Extremo Oriente, Dai-Nippon, Cartas do Japão, O Culto do Chá, A Vida Japonesa, Relance da História do Japão, Serões no Japão e Relance da Alma Japonesa. É o único português a quem os japoneses dos dois sexos rezam sutras, na festa dos mortos, Bon-Odori, que o escritor tão bem descreve num dos seus livros. Faleceu a 1 de julho de 1929, em Tokushima, aos 75 anos.

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