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Férias de Agosto

de Cesare Pavese
Livro eBook
Editor: Livros do Brasil, junho de 2025 ‧
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Nada me deve aquele campo para que eu possa fazer outra coisa além de calar-me e deixá-lo entrar em mim. E o campo e os caules secos a pouco e pouco sussurram-me e fixam-se-me no coração. Entre nós não surgem palavras. As palavras foram ditas há muito.

Dividido em três partes e percorrendo vinte e nove narrativas breves, Férias de Agosto reúne frescos de um verão italiano carregado de paixões e temores, que, sob a luz fulgurante do sol e das fogueiras, se estende pela vida do autor. Através deles reverbera o núcleo forte de temas caros a Cesare Pavese: o mito simultaneamente idílico e selvagem do campo, a alienação da cidade ou o poder das memórias de infância. Com uma linguagem de um lirismo evocativo e personagens, como escreveu Italo Calvino, «extraídas de uma matéria afetiva ainda quente; imagens raríssimas, embora ligadas de tal forma a uma verticalidade da memória que nos provocam arrepio», este é um texto marcante na obra de um autor central na literatura italiana do século XX, aqui traduzido pela poeta Ana Hatherly.
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Livros que queimam

Quando pensamos no verão, imaginamos praias, tardes lentas, corpos ao sol, a suspensão momentânea das responsabilidades. Mas a literatura, com a sua vocação para perturbar imagens fixas, costuma retratar o verão de outra forma: não como estação da leveza, mas da vertigem. Há algo na luz excessiva, no calor imóvel, na dilatação do tempo que parece favorecer não o repouso, mas o colapso, como se a própria claridade arrastasse consigo um pressentimento de ruína.
Os quatro livros que aqui se encontram têm em comum esse outro verão: não o que consola, mas o que desvela; não o que relaxa, mas o que desafia e, por vezes, até o que enlouquece. Luz em Agosto, de William Faulkner O verão do Sul dos Estados Unidos é espesso, brutal, impiedoso. Faulkner ambienta neste calor quase bíblico uma narrativa de culpa, violência e exclusão, em que a luz parece aumentar a opressão em vez de dissipá-la. Joe Christmas, figura trágica e enigmática, carrega no corpo a ambiguidade racial que o condena socialmente, mesmo que ele próprio não saiba, ou não diga, quem é. A luz não é revelação divina, mas exposição brutal: torna tudo visível demais, insuportavelmente visível. O verão, neste romance, é uma estação da perseguição e do sacrifício. COMPRO NA WOOK! » Verão, de J.M. Coetzee Em Verão, Coetzee escolhe descentrar-se: apresenta uma falsa biografia sua, construída a partir de entrevistas com mulheres que teriam marcado a sua vida. O autor aparece como figura esvaziada, pouco admirável, desinteressante até. É um exercício de autocrítica mas também de despersonalização. Aqui, o verão é um tempo posterior: uma espécie de pós-vida, em que o que resta não é a plenitude da estação, mas a sua sombra. O livro, atravessado por um humor seco e melancólico, desmente qualquer ideia romântica da maturidade como tempo de realização. O Verão é o tempo em que tudo está demasiado à vista, e talvez por isso tudo pareça desprovido de encanto. COMPRO NA WOOK! » O Estrangeiro, de Albert Camus Poucos livros condensam tanto o peso metafísico do verão quanto este. Desde as primeiras páginas, o calor é um personagem: asfixiante, agressivo, cúmplice de um crime que ocorre, segundo o protagonista, quase por acidente, por excesso de luz.
«Foi no calor do verão. O sol batia-me no rosto». Assim começa o assassinato mais enigmático da literatura moderna. Meursault é um homem que parece não sentir, ou recusa sentir, o que o mundo espera dele. A morte da mãe, o amor, o homicídio, tudo é relatado com a mesma neutralidade solar. Mas por trás dessa indiferença há uma filosofia inteira: a do absurdo. Em Camus, o verão é o cenário perfeito para revelar a ausência de sentido no centro da existência. O céu azul é impenetrável. A luz não responde. COMPRO NA WOOK! » Férias de Agosto, de Cesare Pavese O calor do interior italiano serve de pano de fundo para um regresso à terra natal, e, com ele, a um passado irresoluto. Pavese, sempre atento às fissuras da consciência, compõe um romance em que as férias são tudo menos descanso. O tempo parece suspenso, a paisagem é ao mesmo tempo familiar e estranha, e os encontros, em vez de apaziguar, desestabilizam. Há uma nostalgia árida, quase geológica, como se o verão tornasse visíveis não só os contornos da infância, mas também os seus abismos. O narrador move-se num tempo estagnado, onde cada gesto é sombra de outro, mais antigo e mais doloroso. COMPRO NA WOOK! » Estes livros mostram que o verão pode ser a estação do excesso: de luz, de silêncio, de memória, de desencanto. Quando tudo parece estar à vista, somos confrontados não com a clareza, mas com o vazio. O sol não aquece: consome. O tempo não desacelera: paralisa. Há algo de cruel neste verão literário: é o tempo em que não se pode fugir, em que tudo fica demasiado nítido para ser ignorado.
Talvez por isso esses verões sejam tão inesquecíveis. Porque queimam.

Férias de Agosto

de Cesare Pavese

Propriedade Descrição
ISBN: 978-989-711-307-9
Editor: Livros do Brasil
Data de Lançamento: junho de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 152 x 235 x 18 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 232
Tipo de produto: Livro
Coleção: Dois Mundos
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 978989711307910
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

SOBRE O AUTOR

Cesare Pavese

Cesare Pavese nasceu em 1908, na pequena vila italiana de Santo Stefano Belbo. Em 1927 inscreve-se na Faculdade de Letras da Universidade de Turim e inicia pouco depois o seu trabalho de escrita e de tradução de alguns dos mais relevantes autores de língua inglesa do século xx, entre os quais John Steinbeck, William Faulkner e James Joyce. O seu primeiro livro de poesia, Trabalhar Cansa, é revelado em 1936. Combatente antifascista, foi preso e condenado ao degredo, aderindo, depois da guerra, ao Partido Comunista. Em 1947 publica Diálogos com Leucò e em 1949 O Belo Verão, livro que veria distinguido em 1950 com o Prémio Strega. Nesse mesmo ano, e pouco após o lançamento daquele que é considerado o seu romance mais bem-conseguido, A Lua e as Fogueiras, Pavese suicida-se, num quarto de hotel em Turim.

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