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Feliz pela Infelicidade

seguido de O Vencido

de Mário de Sá-Carneiro
Editor: Padrões Culturais, novembro de 2008 ‧
5,60€
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Este livro reúne duas peças, ambas com um único acto. Feliz pela Infelicidade é uma adaptação de um conto de Michel Provins ao teatro e O Vencido é de autoria de Mário de Sá Carneiro, escrita e representada em 1905. A ironia é o elo de ligação entre as duas peças: na primeira, a ironia do amor e, na segunda, a ironia da fé.

“Não me interrompas, deixa-me prosseguir e prepara-te para ouvires uma confissão terrível: — «Sinto-me feliz, muitas vezes!» Sim, minha pobre Germana, é certo e é... vergonhoso! Sinto-me feliz por te ver tão exclusivamente minha, pela doce intimidade em que me envolvem a tua afeição e os teus carinhos, por esta atmosfera tépida e acariciadora de solicitude e de resignação. Em certos momentos, quando deixo de pensar no quanto te custa esta minha monstruosa voluptuosidade, chego a abençoar o acidente que nos tornou, para sempre, desgraçados! Parece um contra-senso o que vou dizer, mas é a verdade: Talvez eu fosse muito mais infeliz se tivéssemos continuado a ser felizes!”

Feliz pela Infelicidade

seguido de O Vencido

de Mário de Sá-Carneiro

Propriedade Descrição
ISBN: 9789898160263
Editor: Padrões Culturais
Data de Lançamento: novembro de 2008
Idioma: Português
Dimensões: 132 x 196 x 4 mm
Páginas: 64
Tipo de produto: Livro
Coleção: Textos Extraordinários
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Outras Formas Literárias
EAN: 9789898160263

Feliz pela infelicidade

Sérgio Pereira

Ainda a iniciar a sua breve carreira literária, Mário de Sá Carneiro apresenta-nos na composição do texto, frases de uma sensibilidade única, orginal e, sobretudo a nítida vontade de nos apresentar a complexidade do amor e, o eterno mistério que envolve este sentimento. Cumprimentos

Feliz pela infelicidade

Joana Esteves

Um livro muito interessante, tal como o é o seu autor. Um bela aposta, esta!

SOBRE O AUTOR

Mário de Sá-Carneiro

Poeta e ficcionista, com Fernando Pessoa e Almada Negreiros, Mário de Sá-Carneiro constitui um dos principais representantes do Modernismo português. Partindo para Paris, em 1912, para cursar Direito, estudos que abandonaria pouco depois, a figura de Mário de Sá-Carneiro assume uma importância basilar para a compreensão do modo como o Modernismo português se foi formando com caracteres próprios na recepção das correntes de vanguarda europeias, processo de que a correspondência que estabeleceu com Fernando Pessoa dá um testemunho documental precioso e que culminaria com a publicação de Orpheu, em 1915. Os poemas que edita no primeiro número de Orpheu, destinados a Indícios de Oiro, são, a este título, significativos da sua adesão às estéticas paúlica e sensacionista, que na correspondência entre os dois grandes poetas fora gerada, glosando, então, em moldes muito devedores do simbolismo-decandentismo, a abjecção de um eu em conflito com um outro, reverso da sua frustração e insatisfação ("Eu não sou eu nem o outro, / Sou qualquer coisa de intermédio: / Pilar da ponte de tédio / Que vai de mim para o Outro", "7"), ao mesmo tempo que a publicação de "Manucure", no segundo número de Orpheu , revela uma incursão por uma forma poética mais próxima da escrita da vanguarda futurista, no que contém de autonomização do significante. Já antes de Orpheu, a colaboração de Mário de Sá-Carneiro na revista Renascença (1914) - onde Fernando Pessoa publica Impressões de Crepúsculo -, com a publicação de Além (apresentado como uma tradução portuguesa de certo Petrus Ivanovitch Zagoriansky), instituíra a sua experiência poética na charneira entre a herança simbolista e as tentativas paúlicas e interseccionistas. Mário de Sá-Carneiro constitui ainda um paradigma da prosa modernista portuguesa pela publicação das narrativas Céu em Fogo e A Confissão de Lúcio, construídas frequentemente a partir do estranhamento de um narrador insolitamente introduzido em situações onde o erotismo, o onirismo, o fantástico, se associam aos temas obsessivos do desdobramento e autodestruição do eu. O seu suicídio, com 26 anos, parecendo vir selar aquele sentimento de inadaptação à vida, de permanente incompletude, de narcísico auto-aviltamento e, sobretudo, de consciência dolorosa da irremediável cisão do eu, consubstanciada na dramática tensão entre um eu, vil e prosaico, e um outro, seu duplo ideal, que alimentaram tematicamente a obra, nimbou-o para a posteridade de uma aura de poeta maldito, que deixaria um forte ascendente sobre a poesia contemporânea de gerações posteriores à sua. Com efeito, a mensagem poética do autor de Indícios de Oiro ecoa postumamente na literatura presencista da geração de 50 e até surrealista, passando por nomes absolutamente diversos como Sebastião da Gama, Mário de Cesariny ou Alexandre O'Neill, entre muitos outros.

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