Tudo o Que Eu Tenho Trago Comigo

de Herta Müller
Editor: Dom Quixote, junho de 2010 ‧
Roménia no fim da guerra. A população alemã vive com medo. «Eram 3 da madrugada do dia 15 de Janeiro de 1945 quando a patrulha me foi buscar. O frio apertava, estavam -15º C.» O jovem narrador começa assim o seu relato. Tem cinco anos diante de si, dos quais ainda nada sabe. Cinco anos, ao fim dos quais regressa um homem diferente.

« [este romance] tornou-se a peça mais valiosa na obra da autora para a legitimação do prémio [Nobel da Literatura]. A já exausta “literatura dos campos” encontra neste romance um exemplo maior, que a transcende.»
António Guerreiro, Expresso

Tudo o Que Eu Tenho Trago Comigo

de Herta Müller

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722040877
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: junho de 2010
Idioma: Português
Dimensões: 155 x 233 x 19 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 296
Tipo de produto: Livro
Coleção: Ficção Universal
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722040877

Uma obra desconcertante

José Adolfo Coelho

Em 64 pequenos capítulos Herta Muller leva o leitor a acompanhar, de perto e de viva voz, uma diversidade de sentimentos, sofrimento e também pequenas alegrias construídas do nada, só significativas para os que viviam num gelado e cruel campo de trabalho na Rússia. Para lá foram levados em 1945 numa longa viagem em vagões de transporte de gado. No campo passaram fome constante e frio intenso, trabalhando sem descanso para "reconstruir" a União Soviética, após o fim da 2ª Guerra Mundial. O narrador, um jovem Romeno de origem alemã, fala-nos das atrocidades por que passou, do "Anjo da Fome" da luta pela sobrevivência, a sua e a de outros "residentes", tentando, a todo o custo manter-se vivos até chegar o fim incerto, para o regresso distante. Mas no regresso, a desumanização a que fora sujeito, tinha feito do jovem Leo Auberg uma pessoa diferente. Já não era o mesmo que partira cinco anos antes. Com a mestria que é peculiar à autora, somos transportados para uma realidade crua e ignóbil, que ela consegue transmitir de forma tão clara e simultaneamente tão emotiva, através desta belíssima obra de prosa poética.

SOBRE O AUTOR

Herta Müller

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2009

Nasceu a 17 de agosto de 1953, na localidade de fala alemã de Nitzkydorf, na Roménia. Os seus pais pertenciam à minoria germânica da Roménia. O pai serviu durante a Segunda Guerra Mundial nas Waffen-SS. Muitos alemães da Roménia foram deportados para a União Soviética em 1945 e a mãe de Herta Müller foi uma delas. Passou cinco anos num campo de trabalho na atual Ucrânia. Estudou literatura alemã e romena na Universidade de Timisoara (Temeswar). Durante esse tempo, contactou com o Aktionsgruppe Banat, um círculo de jovens escritores de fala alemã que se opunha à ditadura de Ceausescu e procurava a liberdade de expressão. Depois de finalizados os estudos trabalhou como tradutora numa fábrica de máquinas entre 1977 e 1979. Foi despedida quando se negou a cooperar com a polícia secreta e a agir como informadora. Depois do despedimento, foi objeto de perseguição por parte da Securitate.
Debutou na escrita com a coleção de relatos Niederungen (1982), que foi censurada na Roménia. Dois anos mais tarde, publicou-se uma versão não censurada desta coleção de relatos na Alemanha e, no mesmo ano, surgiu Drückender Tango, na Roménia. Nestas duas obras, Herta Müller relata a vida numa pequena localidade de fala alemã e a corrupção, a intolerância e a opressão que nela existem. Por este motivo, foi alvo da crítica da imprensa nacional, ao mesmo tempo que teve uma receção muito positiva nos meios de comunicação de fala alemã no estrangeiro. Ao criticar publicamente a ditadura romena, foi castigada com a proibição de publicar no seu país. Em 1987, emigrou com o marido, o escritor Richard Wagner.
Os romances Der Fuchs war damals schon der Jäger (1992), A Terra das Ameixas Verdes (1994) e Heute wär ich mir lieber nicht begegnet (1997) proporcionam com os seus pormenorizados detalhes, uma imagem da vida quotidiana numa ditadura estanque. Herta Müller foi professora convidada nas universidades de Paderborn, Warwick, Hamburgo, Swansea, Gainsville (Florida), Cassel, Gotinga, Tubinga e Zurique. Vive atualmente em Berlim. É membro desde 1995 da Deutsche Akademie für Sprache und Dichtung, em Darmstadt.

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