O Vermelho e o Negro

de Stendhal
Editor: Livraria Civilização Editora, dezembro de 2013 ‧
Bonito e ambicioso, Julien Sorel está determinado a desprender-se das suas origens humildes camponesas e a fazer algo da sua vida, adotando o código de hipocrisia por que a sua sociedade se rege. Julien acaba por cometer um crime movido pela paixão, por princípios ou por insanidade, que será o seu fim. O Vermelho e o Negro é uma imagem vívida e satírica da sociedade da Restauração francesa após Waterloo, carregada de corrupção, ganância e tédio. O retrato complexo e compreensivo de Julien, o explorador frio cuja campanha maquiavélica é enfraquecida pelas suas próprias emoções, torna-o a mais brilhante e mais humana criação de Stendhal, e um dos maiores personagens da literatura europeia.

O Vermelho e o Negro

de Stendhal

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722636285
Editor: Livraria Civilização Editora
Data de Lançamento: dezembro de 2013
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 210 x 30 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 480
Tipo de produto: Livro
Coleção: Novos Clássicos
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722636285

Visceralmente acutilante

Mel

Não sou muito fã de realismo, mas como esta obra tem uma ligeira pitada de romance conseguiu prender-me. Julien Sorel arrepiou-me: a cada página só conseguia pensar "Como pode este homem desperdiçar tanta inteligência em vilanias?" Não admira que seja considerado um dos maiores vilões da literatura francesa: é elegantemente monstruoso e monstruosamente elegante, com a manipuladora capacidade de ser simultaneamente amado e odiado.

Um romance poderoso

VF

Definitivamente este é uma das grandes narrativas da literatura ocidental. Poderoso e inquietante. Julien Sorel é uma personagem extraordinária e absolutamente sedutora. Leitura obrigatória.

romance psicológico

Carmo Santos

Temos uma personagem principal que não é para gostar ou admirar. É mais um anti herói inteligente mas dissimulado, constantemente desconfiado, ressentido e manipulador. Mas Julien Sorel também nos comove e conquista pela ingenuidade, por aquele permanente complexo de inferioridade que faz dele um ser indefeso e humilhado, ou quando é vítima de maus tratos. Na França vive-se o período da Restauração após a queda de Napoleão. O país encontra-se dividido entre Realistas, defensores da monarquia absoluta, e Liberais, partidários de uma França mais democrática onde o Rei se submetesse a um Congresso. Esta realidade histórica não será a mais apelativa na leitura, mas o conhecimento das tensões politicas e dos conflitos sociais, são fundamentais para montar o quadro narrativo. Julien professa uma secreta admiração por Napoleão e, à sua semelhança, quer ascender socialmente, de modo a contribuir para a mudança da dominante sociedade burguesa, hipócrita e mesquinha. Para isso tem duas vias; ou a carreira militar – pouco provável – ou a Igreja. O percurso é longo e emaranhado, repleto de acidentes, amores clandestinos e peripécias absurdas. Julien triunfa mais rápido que o previsto e da forma mais inesperada. Cúmulo da ironia, quando atinge o cobiçado topo, rende-se às oportunidades do burguesismo e as grandes intenções de revolta e mudança ficam pelo caminho. Mas Stendal continua a puxar-nos o tapete e numa rápida reviravolta, todo o itinerário da personagem é alterado rumo a um final surpreendente. Não é leitura das mais fáceis, mas é um romance que nos fica a moer na cabeça, e quanto mais pensamos nele mais percebemos a complexidade psicológica das personagens, e quanto mais nos debruçamos sobre as suas posturas e intuitos, mais nos capacitamos da profundidade e representatividade do enredo.

Um livro imperdível

DL

É um livro sobre os perigos da leitura. As personagens são seduzidas por ideias, gestos poéticos, fins trágicos, narrativas onde podem habitar e onde se podem ver escravizados. Julien Sorel, um jovem pobre seminarista , começa a trabalhar como preceptor e torna-se amante da dona da casa. Despedido, passa a desempenhar outra função na casa de um nobre, onde seduz a filha. Duas protagonistas femininas, um Sorel ambicioso, fingido, ardiloso, que , no final , mostra-se menos calculista do que eu esperava. Excelente caracterização das personagens que Stendhal enriqueceu com pensamentos, sentimentos e paixões. Um livro imperdível, com um estilo muito original para a época.

SOBRE O AUTOR

Stendhal

Stendhal era apenas um dos vários pseudónimos usados por Henri Beyle, escritor francês nascido no dia 23 de janeiro de 1783, em Grenoble. Tendo ficado órfão de mãe com apenas sete anos, Henri partiu para Paris em 1799 com o pretexto de se matricular na École Polytechnique mas, no fundo, a sua verdadeira intenção era fugir à disciplina paterna para se tornar um famoso dramaturgo. Seria, no entanto, pelos seus romances que Stendhal ficaria conhecido.
Três anos mais tarde, depois de uma passagem pelo exército de Napoleão que o levara até Itália, Stendhal encontra-se de novo em Paris, envolvido em vários projetos literários que nunca chegariam a ser concluídos. Nessa altura, a sua grande ambição era tornar-se um novo Moliére.
No ano de 1806, Henri Beyle foi nomeado comissário militar adjunto na cidade alemã de Brunswick, o que marcou o início de uma carreira que lhe permitiu conhecer a Alemanha, a Áustria e a Rússia.
Com a queda do Império Francês, em 1814, Henri decidiu instalar-se em Milão. A esta mudança para Itália corresponde a afirmação da carreira literária de Stendhal. As suas amizades políticas em Milão não eram bem vistas pelas forças ocupantes austríacas, tendo o escritor regressado a Paris no ano de 1821. Até 1830, a vida de Stendhal em Paris é marcada por uma intensa atividade social e intelectual. O aparecimento do seu "Racine et Shakespeare", em 1823, é considerado um dos primeiros manifestos do Romantismo em França.
Com a monarquia constitucional de Louis-Philippe, resultado da revolução de julho de 1830, Henri é nomeado cônsul no porto de Civitavecchia, nos Estados Papais. Isolado e longe da intensa vida parisiense, Stendhal encontra muitos obstáculos à sua escrita, tendo por isso dedicado o seu tempo a narrações de carácter autobiográfico. Nesta última fase da sua vida, Stendhal produziu alguns dos títulos mais importantes da sua obra. Quando morreu, no dia 23 de março de 1842, Stendhal estava de licença em Paris. Deixou-nos obras magníficas como "O Vermelho e o Negro" e "A Cartuxa de Parma" e uma série de fabulosos contos.

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