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O Doente Inglês

de Michael Ondaatje
Editor: Relógio D'Água, março de 2019 ‧
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RECOMENDADO PELO PLANO NACIONAL DE LEITURA
No final da Segunda Guerra Mundial, numa villa italiana transformada em hospital de campanha, um irreconhecível aviador inglês, com o corpo queimado, absorve as atenções de Hana, uma jovem enfermeira a quem a guerra arrebatou a família e os sonhos.

As suas companhias são Caravaggio, um ladrão e aventureiro italo-canadiano de mãos estropiadas, e um jovem sikh ao serviço do exército britânico e cujo trabalho é a desminagem.

É uma atmosfera fora do mundo, onde cada um vai revelando pouco a pouco os seus segredos, à medida que os ecos da guerra se esbatem na distância. Mas o mais misterioso é aquele homem queimado, ligado à enfermeira por um estranho vínculo, e que é ao mesmo tempo um enigma e uma provocação para os que o rodeiam. As suas recordações de traição, dor e salvação iluminam a narrativa como estilhaços de luz.

Livro vencedor do Man Booker Prize em 1992 e do Golden Man Booker em 2018.

"O Doente Inglês consegue uma tripla proeza: é profundo, belo e apaixonante."
Toni Morrison

"Mais do que um romance, é um tapete mágico que nos transporta através de épocas e geografias […] uma cativante rede de sonhos extraordinários."
Time

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Wook se escreve no Canadá – Parte II

Nesta segunda parte (leia a primeira aqui), voltamos ao longínquo Canadá para lhe mostrar ficções tão fantásticas como a Emily St. John Mandel, ecos da História e do exílio de Michael Ondaatje e Dany Laferrière, a beleza do Universo contada por Huber Reeves e até… a literatura melódica de Leonard Cohen.
Este artigo foi publicado originalmente na revista wookacontece n.º 15. Emily St. John Mandel (n. 1979) Ficção que cruza eras e destinos
Com a ficção distópica Estação Onze (2014), Emily St. John Mandel viu o seu trabalho reconhecido mundialmente, com o Prémio Arthur C. Clarke e, em 2021, uma adotação a série televisiva. Este romance pós-apocalíptico acompanha uma trupe itinerante de Shakespeare após uma pandemia de gripe dizimar a população mundial. Repleto de suspense e emoção, explora a importância da arte e dos laços humanos em tempos de crise, enquanto nos confronta com os estranhos acasos que ligam as suas personagens. Ao fundir thriller e ficção literária, a escritora reflete sobre a fragilidade da civilização.
Em Mar de Tranquilidade, somo conduzidos numa viagem de rara beleza literária: no século XIX, Edwin St. Andrew ouve um violino ecoar num terminal de dirigíveis em plena floresta canadiana. Séculos depois, uma escritora regista a mesma cena num romance escrito na colónia lunar. Quando um detetive investiga o que parece ser uma anomalia causadora dessa experiência, depara-se com uma sobreposição inexplicável de tempo e espaço, postulando-se a hipótese de o Universo ser uma simulação. COMPRO NA WOOK! » Michael Ondaatje (n. 1943) Cronista de paixões e ecos da História
As obras de Michael Ondaatje são narrativas líricas e elípticas centradas num pequeno círculo de pessoas unidas por um mistério. Imortalizado pela adaptação ao cinema por Anthony Minghella, O Doente Inglês (1992), vencedor do Man Booker Prize – e do Golden Man Booker Prize – moldou a imagem internacional da literatura canadiana. Ambientado nos últimos dias da II Guerra Mundial, o romance alterna entre as memórias de quatro personagens e a sua vida numa pequena vila italiana devastada pela guerra, tendo no centro um homem gravemente queimado, «o paciente inglês», que desencadeará uma história de amor e traição. As fronteiras entre aliados e inimigos esbatem-se à medida que a experiência da guerra destrói e reconstrói a humanidade de cada personagem.
Entre os mais importantes romances de Ondaatje estão Coming Through Slaughter (1976), sobre a descida à loucura de um músico de jazz, e Running in the Family (1982), as memórias da vida do escritor no Ceilão, livro a que Atwood atribuiu o estatuto de lenda. COMPRO NA WOOK! » Leonard Cohen (1934-2016) A voz da dor e do desejo
Antes de se lançar na música, Leonard Cohen já tinha quatro coleções de poesia e dois romances publicados. Muitos dizem que a sua vocação de escritor – em que falava abertamente sobre sexualidade, a sua fé judaica e a sua luta contra a depressão – é a chave para entender tudo o que criou.
O seu livro mais célebre, O Jogo Favorito, é um bildungsroman sobre o alter-ego de Cohen, Lawrence Breavman, um rapaz judeu taciturno de uma família abastada. Com o seu amigo Krantz, tenta abrir caminho no mundo absorvendo todas as experiências possíveis em torno do sexo oposto, numa procura de amor e de beleza. Lawrence descobre o seu jogo favorito em Nova Iorque, onde se refugia depois de um êxito precoce como poeta, e conhece Shell, a mais linda das mulheres, com quem descobre, por fim a plenitude inebriante do amor completo e os sacrifícios que este exige.
No seu último livro publicado por cá, Um Balé de Leprosos, reúne um romance e contos inéditos de Cohen, um livro que comprova como a magia que animou o seu trabalho estava presente desde o início. COMPRO NA WOOK! » Dany Laferrière Exílio, pertença e provocação
Dany Laferrière, escritor haitiano-canadiano francófono, é celebrado pelas suas obras que exploram temas de identidade e exílio com rara vitalidade. O seu livro de estreia, Como Fazer Amor Com Um Negro Sem Se Cansar (1985), marcou a literatura contemporânea pela irreverência e crítica social. Em Montreal, num verão escaldante nos anos 70, dois negros sem um tostão que partilham um quarto exíguo. Cota, um aspirante a escritor, e Bouba, preguiçoso e devoto de Coltrane, levam uma alegre vida boémia de sexo e jazz: em tom de desforra pela colonização, travam a sua luta racial na horizontal.
O Grito dos Pássaros Loucos (2000) narra as últimas horas de Ossos Velhos – alter ego de Dany Laferrière – em Port-au-Prince, antes de partir para o exílio no Canadá, e na sequência do assassínio do seu maior amigo pelas milícias do ditador Duvalier. Um romance parcialmente autobiográfico sobre desenraizamento, de grande intensidade emocional. COMPRO NA WOOK! » Hubert Reeves O cronista do Universo
O astrofísico canadiano francófono mais conhecido do mundo era também um contador de histórias fascinante e um grande divulgador da ciência. Não explicar o complexo, dizia, «é antidemocrático».
Um Pouco Mais de Azul, um bestseller internacional, conta a história do Universo, da gestação cósmica à evolução da vida na Terra. Reeves parte da formação dos núcleos atómicos nas estrelas, continua pela evolução biológica e chega à inteligência humana. Mas a complexidade não termina com o homem e, no final, percebemos o nosso parentesco profundo com a Natureza, verdadeira família da Humanidade. COMPRO NA WOOK! » Patrick deWitt (n. 1975) Narrativas ácidas e inesperadas
O segundo romance de Patrick deWitt, Os Irmãos Sisters (2011), uma aventura turbulenta pela costa oeste dos EUA em 1851, valeu ao escritor uma nomeação para o Booker Prize. Os dois irmãos, chamados Sisters, metem-se numa série de problemas, resultando num western sombriamente engraçado e excêntrico sobre um assassino relutante e o seu irmão, um assassino consumado. Com esta história picaresca, o autor traça um retrato sarcástico e acutilante da frágil e perversa condição humana, tão vívido que inspirou um filme de cinema. COMPRO NA WOOK! » Veja aqui o trailer da adaptação ao cinema de Os Irmãos Sisters

O Doente Inglês

de Michael Ondaatje

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896419110
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: março de 2019
Idioma: Português
Dimensões: 154 x 235 x 22 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 233
Tipo de produto: Livro
Coleção: Ficções
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789896419110

Belo e intenso

AllbyMyShelves

Passado na reta final da II Guerra Mundial,temos a história de misterioso Doente queimado,de identidade desconhecida, resgatado no Deserto após a queda da aeronave que pilotava. Com ele encontra-se Hana,uma jovem enfermeira que lhe dedica todo o seu tempo,à qual entretanto se juntam um ladrão e antigo amigo de família da mesma e ainda um sapador indiano, especialista em desmantelar artefactos explosivos.Ao longo do livro vai-nos sendo dado a conhecer as vivências de guerra destes personagens, bem como as ligações que se vão formando entre este quarteto. Ondaatje é muito preciso na forma como descreve os cenários que servem como pano de fundo à sua história, particularmente os desertos, bem como a função do Sapador no desmantelamento de bombas e minas.Mas o que me deixou completamente rendida à escrita de Ondaatje foi a forma como disseca as emoções humanas.A ligação que se desenvolve entre o Saparador e Hanna, bem como a recordação da ligação entre o Doente e a jovem casada que se torna sua amante são-nos relatadas de modo tão belo e intenso, que é impossível ficar indiferente.

Apaixonante!

Isa Maria

História maravilhosa e envolvente. Não é por acaso que foi considerado o melhor livro dos últimos cinquenta anos.

O Doente Inglês

Cristina Escaja

As guerras mudam as pessoas e as pessoas mudam de sítio por causa das guerras. Neste livro, uma mulher e três homens encontram-se numa villa italiana devastada por bombardeamentos. As personagens vão revelando as suas histórias, as suas feridas, infligidas pelo passado e pela guerra, que já terminou, mas que ainda está bem presente em todos eles. É uma narrativa cativante e escrita numa prosa límpida, intensa e com palavras "poderosas". Excelente!

SOBRE O AUTOR

Michael Ondaatje

Escritor de nacionalidade canadiana, Michael Ondaatje nasceu a 12 de setembro de 1943, no Ceilão. De raízes étnicas holandesas e indianas, estudou em Colombo até à altura em que acompanhou a mãe quando esta se mudou para Inglaterra em 1954.
Tomou os seus estudos secundários em Londres e, assim que os concluiu, mudou-se para o Canadá, chegando à cidade de Toronto no ano de 1962. Matriculou-se então na Universidade de Toronto e, após ter conseguido o bacharelato em 1965, transitou para a Queen's University de Ontário, de onde obteve a licenciatura dois anos depois. Deu portanto início a uma carreira como professor universitário e tomou a cidadania canadiana.
Estreou-se como escritor em 1967, ao publicar uma coletânea de poemas intitulada The Dainty Monsters. Seguiram-se The Man With Seven Toes (1969) e Rat Jelly (1973) até que Ondaatje acabou por ser reconhecido ao aparecer com The Collected Works Of Billy The Kid (1970), obra que lhe valeu um prémio literário atribuído anualmente pelo governador canadiano. Repetiu esta façanha em 1979 com o trabalho There's A Trick With A Knife I'm Learning To Do (1963-78).
Em 1976 publicou o seu primeiro romance, Coming Through Slaughter, no qual contava a história de um músico de jazz da Nova Orleães dos Anos 30. A obra, vencedora de um prémio literário, foi seguida por Running In The Family (1982), obra de carácter autobiográfico, e por In The Skin Of A Lion (1987), em que Ondaatje procedia a uma reflexão sobre o fenómeno da imigração. No ano de 1992, Ondaatje publicou a obra que se veio a tornar a mais conhecida, The English Patient (O Paciente Inglês). Vencedor, entre outros galardões, do Prémio Booker, o romance descrevia uma história de amor durante o período da Segunda Guerra Mundial. Foi adaptada para o cinema e, revelando-se um enorme sucesso de bilheteira, recebeu um Óscar da Academia norte-americana na categoria de melhor filme.
Em 1999, Ondaatje tornou a despertar as atenções do público e da crítica, ao surgir com um volume de poemas intitulado Handwriting. No ano de 2000 publicou um quarto romance, Anil's Ghost, obra que revertia para as suas origens singalesas.

Michael Ondaatje. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011

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