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Lolita

de Vladimir Nabokov
Editor: Relógio D'Água, julho de 2013 ‧
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«Quase quarenta anos depois, este romance tão artificial criou uma nova palavra internacional ("lolita"), inventou uma América — a dos motéis e autoestradas — de que se nutre ainda boa parte da narrativa americana contemporânea, é uma das obras com o inglês mais rico e preciso da literatura deste século e, ao contrário das acusações iniciais de pornografia que teve de sofrer, é talvez — e no que me diz respeito — o romance mais melancólico, elegante e lírico de quantos li.» [Javier Marías in Literatura e Fantasma]

«A única história de amor convincente do nosso século.»
[Vanity Fair]

«Nabokov escreve prosa do único modo que esta deve ser escrita, ou seja, extasiadamente.»
[John Updike]
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As Entrelinhas da Obsessão

A obsessão é um tema recorrente na literatura, que a explora sob múltiplos prismas. Em Dor Fantasma, a perda de capacidades motoras surge como catalisador de sofrimento e identidade. Lolita aborda o fascínio perturbador do desejo proibido. O Conde de Monte Cristo é um exemplo perfeito de como a ideia de vingança e de justiça pode tranformar-se numa compulsão. Em O Alienista, a ânsia pela ordem e pela razão desencadeia absurdos que expõem os limites da lógica e do poder. E em O Pintassilgo embarcamos numa viagem lancinante que alia o peso da memória ao trauma e ao apego inconsciente por uma obra de arte. O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas Poucas pessoas conhecem Edmond Dantès, mas se mencionarmos o seu outro nome, Conde de Monte Cristo, é difícil encontrar alguém que não tenha ouvido falar da sua história. Preso injustamente e privado da juventude e do amor, o protagonista do romance de Alexandre Dumas encontra no desejo de justiça o alimento para resistir. Depois de passar alguns anos na prisão, Edmond regressa à sua terra natal como um homem enigmático, dono de um carisma e de uma riqueza invejáveis, que utiliza para alimentar uma obsessão que o impele a reequilibrar o mundo à sua volta através do castigo. Ao longo da história, a vingança é apresentada como um fogo que o consome lentamente e que exige anos de preparação, cálculos e manipulações. O protagonista dedica cada gesto a essa missão como se não houvesse mais nada para além dela. O que começa como uma resposta a uma injustiça transforma-se num labirinto de obsessão em que até a bondade é contaminada. A força do romance está nesse paradoxo, a obsessão que liberta pode ser a mesma que aprisiona. Edmond Dantès vive pela vingança, mas também se perde nela, incapaz de regressar ao homem simples que um dia fora. COMPRO NA WOOK! » Dor Fantasma, de Rafael Gallo Em Dor Fantasma, de Rafael Gallo, acompanhamos o processo de desmoronamento de um homem impulsionado por uma obsessão de natureza distinta. Rômulo Castelo, um pianista brilhante, descobre no próprio corpo o seu maior inimigo. Quando se prepara para uma viagem pela Europa, onde se confirmaria como referência mundial no seu ofício, vê-se privado das mãos, intermediárias indispensáveis entre ele e o piano, parte da sua essência e do seu propósito, e mergulha numa dor física que dá lugar a outra ainda mais intensa, invisível mas insuportável. Esta ausência tem repercussões na sua própria conceção de identidade e apresenta-se como um tormento impossível de ignorar. Rômulo refugia-se na memória dos gestos, como se o piano ainda lhe pertencesse, mesmo que o corpo o tenha traído. Neste romance, a obsessão manifesta-se como uma vingança íntima, uma necessidade de reencontrar aquilo que se perdeu, ainda que essa busca possa conduzir o protagonista a um abismo. A dor torna-se uma presença concreta, e a vida, antes dedicada à perfeição da música, passa a ser governada por essa ausência insuportável. COMPRO NA WOOK! » Lolita, de Vladimir Nabokov Desde a sua publicação, Lolita inquietou leitores e desafiou normas morais, impondo reflexões sobre os limites entre arte e tabu. Humbert Humbert, personagem criada por Vladimir Nabokov, atrai o leitor para a sua mente obsessiva, onde a paixão se confunde com a manipulação e o encanto dissimula a violência. O livro perturba porque não oferece refúgio. O leitor descobre rapidamente que Humbert é um narrador pouco fiável, um dos mais célebres da literatura mundial, e deixa-se arrastar pela linguagem enquanto assiste à vida do protagonista transformar-se num ritual doentio. Humbert confunde amor com uma ideia perniciosa de posse e tem em Dolores Haze, a pré-adolescente objeto da sua obsessão, o reflexo do seu próprio delírio. Nabokov não escreveu apenas um romance, criou uma armadilha literária onde a beleza do estilo contrasta com a violência do conteúdo. À beira de completar 70 anos desde a sua primeira edição, o romance permanece envolto em polémica, não só pelo tema incómodo, mas pelo modo como obriga leitores e críticos a confrontarem-se com questões de ética, consentimento e poder. Entre acusações de escândalo e leituras que o elevam a obra-prima da literatura do século XX, continua a evidenciar como a obsessão pode corroer a integridade de um indivíduo e expor, de forma brutal, os silêncios e cegueiras de uma sociedade inteira. COMPRO NA WOOK! » O alienista, de Machado de Assis Machado de Assis brinca com a noção de obsessão em O Alienista através da figura do Dr. Simão Bacamarte. O médico, convencido de que deve estudar a loucura, acaba por transformar toda a sua cidade num verdadeiro laboratório. A obsessão pelo diagnóstico ultrapassa a ciência e converte-se em tirania, num delírio mascarado de racionalidade. Tudo pode ser interpretado como sintoma: a alegria excessiva, a tristeza discreta, a virtude ou o vício. A lógica do alienista é viciosa e, quanto mais avança no seu propósito, mais se enreda na própria obsessão. A sátira de Machado de Assis revela como a busca pela verdade absoluta pode levar à arbitrariedade e como a linha entre razão e loucura se dissolve quando o poder é movido pelo fanatismo. A Casa Verde, que deveria acolher doentes, transforma-se numa metáfora de uma sociedade dominada pela obsessão científica e política. No fundo, o próprio Bacamarte encarna o que mais persegue, o delírio sem fim. COMPRO NA WOOK! » O Pintassilgo, de Donna Tartt Em O Pintassilgo, romance de Donna Tartt vencedor do Pulitzer em 2014, a obsessão nasce da perda. Theo, ainda criança, sobrevive a uma explosão que lhe rouba a mãe e, no caos, agarra-se a um quadro, O Pintassilgo, como se fosse uma tábua de salvação. A pintura transforma-se numa presença silenciosa que acompanha todas as etapas da sua vida, tornando-se um símbolo da beleza intocável e da dor impossível de esquecer. Tartt constrói um romance em que a obsessão não se limita ao quadro, mas se estende ao peso da memória, à culpa e ao desejo de encontrar sentido no acaso trágico. Theo tenta viver, mas cada relação e cada decisão são marcadas pela sombra do quadro e pelo trauma inicial. A pintura, pequena e frágil, adquire uma dimensão mítica que o guia e aprisiona. A narrativa revela como a arte pode ser um refúgio e uma prisão, um lugar onde a beleza e a obsessão se confundem até se tornarem inseparáveis. COMPRO NA WOOK! » Veja aqui o trailer de O Pintassilgo, o filme de cinema nascido do livro Cada um destes livros demonstra que a obsessão na literatura não serve apenas para ilustrar um traço psicológico, é um instrumento narrativo poderoso que interroga a ética, a identidade, a memória e a própria natureza da experiência humana.

Lolita

de Vladimir Nabokov

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896413606
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: julho de 2013
Idioma: Português
Dimensões: 153 x 234 x 17 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 360
Tipo de produto: Livro
Coleção: Ficções
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789896413606

Uma obra bela e perturbadora

Rui

Lolita. Uma obra que pode ter tanto de perturbadora como de bela. Nabokov presenteia-nos com um banquete narrativo, repleto daqueles ingredientes que tornam a leitura um prazer sublime: uma narrativa envolvente, poética, apaixonante, que nos enreda e desenreda, ao sabor do palpitante coração de Humbert Humbert, pseudónimo do protagonista e narrador do livro. O elefante na sala: é a história de um pedófilo e da sua adorada “ninfeta”. Sim, é. Se concordo ou aprovo o comportamento pedófilo? Obviamente que não. Mas não deixo de admirar a história, de forma tão sublimemente bem contada, independentemente de aprovar ou não a conduta do protagonista. Percebo o problema moral de alguns leitores. Pessoalmente não tive esse problema e não acho que haja razões para que este enredo seja um impedimento à leitura do livro (ler não é crime, ou imoral, não sinónimo de aprovação nem sequer de desculpabilização das práticas ali contidas). Quem o fizer, está obviamente no seu direito, mas estará a privar-se da possibilidade de apreciar a beleza da narrativa deste brilhante romance de Nabokov. Nunca me senti não inebriado e hipnotizado pelo talento narrativo de um autor, que criou um narrador (e protagonista) extremamente sedutor, não só para com Lolita, mas também para com o leitor, tentando convencer-nos da sua inocência, que a sua relação com Lolita era uma inevitabilidade e, até, que afinal era ele o caçado e não o caçador. Nem todos os livros têm de ter uma mensagem moralizadora. A arte pode ser simplesmente apreciada, sem mais. E Lolita é uma bela obra de arte, definitivamente. É assim que a vejo.

Perturbador

Carla A

Livro um pouco perturbador, que nos transporta para um mundo que não compreendemos/aceitamos, mas que através da escrita consegue-nos fazer entender as motivações, que até parecem ter um pensamento puro e verdadeiro, sem maldade. A leitura não é fácil, mas ficamos com uma dualidade de sentimentos. Por um lado é inacreditável e inaceitável, por outro queremos saber o que se passa a seguir.

Excelente

Daniel Cunha

Um dos livros mais bem escritos que já li. Nabokov é absurdo de tão bom escritor, prende te do começo ao final.

Lolita

Mel

Ainda não o consegui ler todo porque é altamente perturbador, mas a escrita é abismalmente cativante. A personagem principal, que narra a história, é o meu novo ódio de estimação literário.

Livro influente

João L.

Trata-se de um livro de grande influência na história da literatura e no imaginário cultural moderno, o que só por si justifica a leitura. Apresenta também uma edição muito elegante e de fácil leitura..

Nem tudo é o que parece

Marco Matos

" Lolita, brilho da minha vida, fogo dos meus flancos. Minha alma, minha lama. (...) Era Lo, so Ló, pela manhã, com o seu metro e quarenta e sete e uma só peúga. Era Lola de calças, Dolly na escola. Era Dolores no tracejado onde assinava o nome. Mas nos meus braços era sempre Lolita. " Erradamente visto como uma história de amor, Lolita ferve no âmago, leva-nos por altos e baixos, sorrisos, lágrimas, esgares. Poderemos ser (e somos, na verdade) muitas vezes enganados pela súbtil narração de Humbert, jogos de palavras, peculiaridade mimética. É que, por vezes, nem tudo é o que parece. Palmas para Nabokov, que os tempos e as mentalidades nunca nos parem, só assim nasce a arte, a verdadeira e assoberbante arte!

Romance controverso

Tiago Poço

É um livro que aborda duma forma notável um assunto controverso sobre a relação duma adolescente de 12 anos com o seu padastro em que este, a assedia sexualmente de forma constante. Um clássico real a ler!

O livro da minha vida

Sara Bôto

Muitos foram os bons escritores ao longo dos séculos. No entanto, nenhum foi, jamais, tão simultaneamente atraente e polémico. Ninguém escreve como Nabokov e o facto de este livro ter sido escrito não na sua língua materna, o russo, mas em inglês e com tamanha inteligência e fluidez, como dificilmente algum outro escritor inglês conseguiu alcançar, só demonstra a real dimensão da mestria deste autor. Já li muitos livros na vida, mas nenhum, até hoje, ocupa um lugar tão grande no meu coração como este, tanto pela história, como pela escrita maravilhosa.

Obrigatório

Diogo

Uma história de amor envolvente, polémica e de um realismo polémico. Uma verdadeira viagem pelos lugares mais recônditos do coração humano e por uma América genuína. Indispensável.

Clássico Romance

Mariana Nogueira

Amor verdadeiro. Pura e simplesmente.

SOBRE O AUTOR

Vladimir Nabokov

Escritor norte-americano de origem russa, nascido em 1899 e falecido em 1977, exilou-se com a família na Inglaterra, França e Alemanha. Neste último país, escreveu, em russo, a primeira parte da sua obra literária, de entre a qual se destaca Mashenka e Glória.
Em 1940 partiu para os Estados Unidos da América, adquirindo a nacionalidade americana em 1945. Começou a escrever em inglês, mantendo, nas obras deste período, o fundo fantástico, a visão irónica da vida quotidiana e a mestria formal que já havia demonstrado, e almejou levar a cabo um retrato da sociedade norte-americana através das suas convenções culturais e posturas perante o sexo.
São dignas de nota as narrativas: "Invitation to a Beheading", "The Real Life of Sebastian Knight", "Lolita", um grande êxito editorial transposto para o cinema por S. Kubrick e cujo argumento se baseia nos amores de um homem adulto por uma adolescente, "Pale Fir", Pnin, Ada; or Ardor: A Family Chronicle" e "Speak Memory".

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