9 autores de língua portuguesa que tem mesmo de conhecer

17 de janeiro de 2020
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9 autores de língua portuguesa que tem mesmo de conhecer
No mês em que se comemora pela primeira vez o Dia Mundial da Língua Portuguesa, lançamos-lhe o desafio de descobrir novos autores. Brasil, Angola, Portugal – a língua portuguesa está viva e de boa saúde e a sua literatura também. Prova disso são os exemplos abaixo.

Poesia ou prosa, a escolha é do leitor. Importa mesmo é ler!
Se por algum motivo ainda não ouviu falar de Djaimilia Pereira de Almeida, pare tudo o que está a fazer e vá ler um dos livros da autora. Do ensaio ao romance, Djaimilia escreve como ninguém como o comprovam os inúmeros prémios literários que recebeu desde a sua estreia com destaque para o Prémio Oceanos 2019 atribuído ao romance Luanda, Lisboa, Paraíso, um romance sobre um pai e um filho, passado entre Portugal e Angola. O livro mais recente da autora é o romance A Visão das Plantas, mas se quiser começar por um texto mais curto sugerimos Ajudar a Cair , um breve ensaio sobre vizinhança que nos lança uma pergunta mais atual do que nunca: «O que implica ser vizinho de alguém?»
Os contos de Quartos de Final e Outras Histórias foram recebidos com entusiasmo pela crítica. Pequenas histórias povoadas de personagens aparentemente comuns marcadas pelo imprevisível e por uma fina ironia mesmo (ou sobretudo) quando se debruçam sobre temas como a solidão, a morte ou a velhice. A chegar em breve está o primeiro romance da autora, Caronte à Espera, sobre Artur, um homem reformado prestes a colocar termo à vida quando uma dúvida sobre o passado o faz repensar o seu plano.
Com o seu primeiro romance Fredo, Ricardo Fonseca Mota venceu o Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís e foi finalista do Prémio Oceanos. No seu livro seguinte, uma peça de teatro, ficcionou, de forma profética, a vida de Germana angustiada e «fechada em casa depois de o fim do mundo ter sido anunciado e confirmado». Mas foi o seu segundo romance, editado no início deste ano, a confirmá-lo de forma definitiva como um nome a não esquecer. As Aves não Têm Céu é a história de um homem no limite marcado pela culpa e pelo sofrimento profundo após a morte da filha, mas também daqueles com quem se cruza. Um romance com uma humanidade que transcende as suas próprias páginas.
Lisboa, Chão Sagrado, o primeiro livro de Ana Bárbara Pedrosa, é uma história de amores sem rodeios que mereceu o elogio de Itamar Vieira Júnior, vencedor do Prémio LeYa. Cinco personagens – Eduarda, Mariana, Noé, Matias e Dulcineia – entre o Rio de Janeiro e Lisboa, unidas pelo amor e pelo desejo, mas também pelos sucessivos desencontros. Uma escrita desempoeirada e honesta. Um romance sem pudores onde «a cama aparece como lugar de animalidade onde todos os conflitos, materiais ou emocionais, se resolvem».
O primeiro livro de Gonçalo Fernandes Giz Preto é uma estreia em que é bem evidente uma voz poética singular. Repletos de referências, da literatura à música, os poemas de Gonçalo Fernandes deixam no leitor uma impressão duradoura. Como sentenciou Joana Meirim numa crítica a Giz Preto: «Gonçalo Fernandes tem um livro apenas, mas não é, na verdade, pessoa de um só livro.». Recorde aqui um dos poemas que destacamos.
Tradutor reconhecido, especialmente na área das línguas nórdicas, João Reis vai construindo de forma discreta uma obra que conta já com quatros romances publicados. Quer se trate de uma criança em busca de uma planta mágica que cure a avó como em A Avó e a Neve Russa; de um capitão português num campo de prisioneiros alemães durante a Primeira Grande Guerra como em A Devastação do Silêncio; ou de um pobre tradutor que no mesmo dia vê partir a noiva e o chapéu, a escrita de João Reis torna vívidas as suas personagens. A cada romance, o autor consegue a proeza de dosear de forma exemplar a ironia e a ternura, a simplicidade e a subtileza. O seu livro mais recente, Quando Servi Gil Vicente, transporta o leitor até ao Portugal Quinhentista onde o servo de Gil Vicente nos dá a ver o mestre do teatro português como nunca antes o vimos.
Um jovem órfão chega a Lisboa vindo de Cabo-Verde, mas o futuro promissor que Eugénio espera nunca chega. Em vez disso temos a história de um homem em luta com os seus demónios e os de uma sociedade que nunca o integra verdadeiramente. Um romance que aborda de forma contundente e sem medo temas como o racismo, o desenraizamento das populações imigradas das ex-colónias e o alcoolismo, evitando com elegância o lugar-comum e transformando o seu protagonista num homem de carne e osso. O Canto da Moreia destaca-se como uma estreia sólida e corajosa que foge da Lisboa cosmopolita para se debruçar sobre as minorias, tantas vezes invisíveis, que habitam a cidade.
Contado através da memória e dos olhos de três mulheres – Violeta, Antónia e Emília – esta é a história de «Fundo do Lugar», uma aldeia imaginada, que a autora, Sandra Catarino, transforma no centro do Universo. Um romance que, numa prosa límpida e sem artifícios, reflete sobre as coisas essenciais. A crítica foi unânime a elogiar Os Fios salientando a «maturidade literária» e «o lirismo inesperado» da obra. Apesar de a autora ter admitido em entrevistas que ainda não se sente escritora, o seu romance de estreia prova precisamente o contrário.
A poesia da carioca Marília Garcia foi chegando do lado de lá do oceano lentamente. Primeiro em círculos mais restritos, depois através de pequenas editoras até Câmera Lenta ser agraciado com o Prémio Oceanos em 2018, transformando a autora na primeira mulher brasileira a ser distinguida desde a criação do prémio, em 2003. Câmera Lenta e Outros Poemas reúne não só o livro premiado, como também uma seleção, feita pela própria autora, de poemas de livros anteriores. Descubra uma série de poemas que desaceleram o mundo para o olhar com mais atenção do que o habitual e que, como toda a boa poesia, reinventa a língua em que escreve procurando novas maneiras de dizer.

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