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Retrato do Artista quando Jovem

de James Joyce
Livro eBook
Editor: Livros do Brasil, Janeiro de 2023 ‧
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«Não continuarei a servir aquilo em que já não acredito, chame-se meu lar, minha pátria ou minha religião. E tratarei de exprimir-me em algum modo de vida ou de arte tão livremente como possa, tão plenamente como possa, usando para minha defesa as únicas armas que me permito usar: silêncio, exílio e astúcia.»

Parte do tríptico a que pertencem também Ulisses e Finnegans Wake, Retrato do Artista quando Jovem aborda a formação espiritual do adolescente irlandês Stephan Dedalus e o processo de rebeldia em relação à rígida educação católica a que está sujeito. Se em Ulisses a descoberta se faz sobretudo pelo tempo, aqui é o espaço que representa o campo de exploração. Dublin surge como a cidade labiríntica cujas ruas, pontes, passeios e portas simbolizam os meandros do subconsciente de um jovem incompreendido e magoado, em busca da sua liberdade. Inteligente, irónico e pleno de sensibilidade, este foi o primeiro romance publicado por James Joyce, em 1916, anunciando uma originalidade que marcaria para sempre a história da literatura.
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Infância, adolescência e juventude

Há quem veja a infância como um paraíso perdido e a juventude como o seu contrário: uma batalha pela emancipação. Entre uma e outra, a adolescência aparece como um território turbulento, feito de excessos e de deslocamentos. Mas se a vida adulta nos convida a olhar para trás, percebemos que estas idades não se esgotam nos calendários da escola ou nos rituais de passagem social: continuam a reverberar, subterrâneas, ao longo da vida. Um adulto nunca deixa de ser criança, adolescente e jovem; apenas aprende a disfarçar ou a negociar com estas vozes. A literatura, com a sua capacidade de suspender o tempo, tem sido um dos lugares privilegiados para pensar nestas passagens: a beleza e o trauma, a promessa e a perda.
Quatro livros, de épocas e geografias distintas, mostram-nos isso com intensidade particular: Bambino a Roma, de Chico Buarque; Sempre Estrangeira, de Claudia Durastanti; Infância, Adolescência e Juventude, de Lev Tolstói; e Retrato do Artista Enquanto Jovem, de James Joyce. Cada um encena, à sua maneira, a perplexidade de crescer. Bambino a Roma, de Chico Buarque Bambino a Roma é uma lembrança, mas é também um exercício de tradução. Chico Buarque recupera o menino que foi em Roma, filho de Sérgio Buarque de Holanda, num tempo em que a cidade era, para ele, tanto casa como estranheza. A infância surge aqui como uma geografia instável: a criança oscila entre línguas (português e italiano), entre espaços (a casa e a rua), entre papéis (filho de diplomata, mas também apenas um menino curioso). O olhar infantil atravessa a cidade não como turista nem como habitante, mas como alguém que ainda não tem as palavras para nomear o mundo.
O mais interessante é que este olhar não é inocente: a criança sente-se estrangeira no quotidiano. Roma aparece não como cenário monumental, mas como um território de pequenos absurdos, de sons, de gestos que não se entendem. O estrangeiro não é apenas o brasileiro em Roma, mas a própria condição da infância: todos somos estrangeiros na vida quando a estamos a aprender pela primeira vez.
Ao escrever, Chico reconhece que a infância só existe como memória narrada. O livro mostra essa duplicidade: é um adulto que recorda e inventa, e ao fazê-lo percebe que a infância nunca pode ser recuperada em estado puro. Só podemos narrá-la como estrangeiros de nós mesmos. A lição do livro é subtil: a infância não é apenas um tempo que passa, é uma língua que continuamos a tentar traduzir. COMPRO NA WOOK! »

Retrato do Artista quando Jovem

de James Joyce

Propriedade Descrição
ISBN: 978-989-711-179-2
Editor: Livros do Brasil
Data de Lançamento: Janeiro de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 152 x 235 x 20 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 276
Tipo de produto: Livro
Coleção: Dois Mundos
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 978989711179210
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Começar James Joyce

Ana Sofia Santos

Eis uma obra importante de um nome sonante e, para alguns, assustador, pela sua obra “Ulisses”. A escrita do auto, neste livro, é fluido. Entramos num diálogo sobre a arte, o pensamento, a juventude e o futuro.

SOBRE O AUTOR

James Joyce

James Joyce nasceu em Dublin, na Irlanda, a 2 de fevereiro de 1882, e é considerado um dos maiores escritores do século xx. Entre as suas obras mais conhecidas contam-se o volume de contos Gente de Dublin (1914) e os romances Retrato do Artista quando Jovem (1916), Ulisses (1922) e Finnegans Wake (1939). A sua escrita incluiu inovações técnicas como o uso extensivo do monólogo interior, o desenvolvimento de uma rede de símbolos retirados da mitologia, da história e da literatura, e a criação de uma linguagem repleta de palavras inventadas e trocadilhos. Faleceu em Zurique, na Suíça, em 1941.

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