10% de desconto

Eu Que não Conheci os Homens

de Jacqueline Harpman
Livro eBook
Editor: Livros do Brasil, fevereiro de 2025 ‧
17,75€
15,98€
10% DESCONTO IMEDIATO
EM STOCK -
portes grátis
Quarenta mulheres estão fechadas numa cave, sob a vigilância de guardas silenciosos e inexpressivos, que apenas as alimentam. A mais nova, a narradora, não se lembra do mundo exterior e as outras pouco o mencionam, apesar de, não se recordando do momento em que foram aprisionadas, terem vestígios de memórias dos maridos, dos filhos, das suas vidas anteriores. Misteriosamente, ouve-se um dia uma sirene, os guardas fogem e a porta da cela é deixada aberta. A medo, as mulheres começam a sair e, num mundo totalmente transformado, terão de reaprender a viver. Publicado originalmente por Jacqueline Harpman em 1995 e até agora inédito em Portugal, Eu Que não Conheci os Homens é um texto inquietante sobre companheirismo, liberdade e o que faz de nós humanos. Nas palavras do jornal americano The New York Times: «Um pequeno milagre.»
Num Mund à Parte_wookacontece_640.jpg

Num mundo à parte

Há personagens que não estão apenas deslocadas, estão fora. Fora da comunidade, fora da norma, fora da linguagem comum. Não pertencem porque não sabem, porque não querem, porque recusam ou porque o mundo nunca lhes abriu verdadeiramente a porta. A literatura está cheia destas figuras que vivem num mundo à parte, não como excentricidade, mas como condição. Os cinco livros que se seguem partilham esse lugar. Não procuram integrar as suas personagens nem oferecer trajetos de superação. Limitam-se a acompanhá-las enquanto permanecem à margem, obrigando-nos a permanecer ali também, sem atalhos nem conforto. Eu que Não Conheci os Homens, de Jacqueline Harpman Em Eu que Não Conheci os Homens, Jacqueline Harpman parte de uma situação extrema para abordar temas fundamentais. Um grupo de mulheres vive encarcerado numa cela subterrânea, vigiado por guardas que nunca comunicam nem explicam a razão do cativeiro. Entre elas está uma jovem, capturada ainda criança, que nunca conheceu o mundo exterior nem qualquer forma de vida fora daquele espaço confinado. Um dia, sem qualquer explicação, ouvem-se sirenes, os guardas abandonam o local e a porta da cela abre-se. O alívio sentido pelas outras mulheres não é partilhado pela protagonista, que vê no mundo exterior um espaço mais hostil do que a cela onde passou toda a vida. A liberdade, em vez de abrir possibilidades, transforma-se numa forma de desorientação, e a jovem aventura-se, pela primeira vez, num território que não sabe habitar.
O interesse do livro não está na explicação da situação, mas na experiência de uma consciência sem referências culturais, sociais ou afetivas. Harpman constrói uma voz narrativa fria, lógica e muito controlada, que observa tudo com uma clareza quase científica. Esta escolha estilística dá ao romance uma força rara, porque nos obriga a confrontar ideias fundamentais sobre liberdade, identidade e conhecimento. É um livro breve, radical e profundamente perturbador, que continua a fazer sentido. Num tempo em que procuramos livros que nos prometam respostas e soluções, esta obra aceita o vazio como condição e não como falha.

COMPRO NA WOOK! » Uma questão de conveniência, de Sayaka Murata Sayaka Murata, em Uma Questão de Conveniência, parte de um quotidiano banal para observar o desconforto de quem nunca se encaixa. Keiko trabalha há quase vinte anos numa loja de conveniência em Tóquio. O seu dia a dia, feito de regras claras, frases padronizadas e comportamentos previsíveis, dá-lhe uma sensação de ordem e equilíbrio. Fora da loja, porém, tem dificuldade em compreender as expectativas sociais ligadas à carreira, ao casamento ou à ambição pessoal e limita-se a reproduzi-las para evitar conflitos, sem nunca as interiorizar. O romance constrói-se nesse confronto entre adaptação e incompreensão, e a escrita de Murata, aparentemente simples, mantém uma ironia constante que questiona a própria ideia de normalidade. O livro não procura explicar nem corrigir a protagonista, prefere acompanhá-la, deixando que a sua forma de estar revele, sem dramatismos, o carácter arbitrário de muitas regras sociais que tomamos como naturais. COMPRO NA WOOK! » A Parede, de Marlen Haushofer Durante uma estadia numa casa de campo, uma mulher descobre que uma parede invisível a separa do resto do mundo. Apercebe-se de que tudo do outro lado está imóvel, como se a vida tivesse sido interrompida. Sem qualquer explicação para o que aconteceu, fica reduzida a esse espaço e vê-se obrigada a reorganizar a sua existência em completo isolamento, sobrevivendo através da agricultura, da caça e da convivência com animais. O romance recusa o suspense e a especulação sobre a origem da parede, concentrando-se antes no quotidiano, na repetição dos dias, na adaptação do corpo e na transformação gradual da protagonista à sua nova realidade. A escrita é contida, precisa, atenta aos gestos mínimos e às tarefas mais simples, e é precisamente aí que reside a sua força. A Parede, de Marlen Haushofer, vale pela coerência do olhar e pela forma como transforma uma situação inverosímil numa reflexão sobre autonomia e resistência, sem nunca ceder à tentação de oferecer respostas fáceis.

COMPRO NA WOOK! » Bartleby, o Escrivão, de Herman Melville É quase impossível falar de personagens que vivem num mundo à parte sem referir um dos exemplos mais desconcertantes da literatura. Bartleby é contratado para trabalhar num escritório de advogados em Wall Street e, durante algum tempo, cumpre as suas funções em silêncio e sem incidentes. Até que, perante um pedido simples, responde pela primeira vez: «Preferia não o fazer.» A partir daí, essa recusa calma e repetida começa a desorganizar todo o funcionamento do escritório. Não há explicações psicológicas nem morais para o comportamento do funcionário e o leitor é convidado a observar o embaraço de um sistema que não sabe lidar com alguém que não se revolta, mas também não colabora. Melville constrói este conto em torno dessa frase mínima e das reações que provoca, e é essa ambiguidade que torna Bartleby, o Escrivão inesgotável e que explica a sua permanência como um dos textos mais atuais sobre trabalho, alienação e recusa silenciosa.

COMPRO NA WOOK! » Fome, de Knut Hamsun Em Fome, de Knut Hamsun, acompanhamos um escritor pobre que vagueia por Oslo numa luta contra a falta de comida, a precariedade material e a degradação progressiva do pensamento. Orgulhoso, contraditório e instável, o jovem recusa ajuda, mente, delira e tenta preservar uma ideia de dignidade enquanto o corpo e a mente se desorganizam. O romance não se define tanto pela sucessão de acontecimentos, mas pela forma como a linguagem acompanha esse colapso. O texto avança aos solavancos, muda de tom, perde controlo e recupera-o momentaneamente, espelhando o estado físico e mental do narrador. Fome destaca-se pela intensidade da escrita e pelo modo como antecipa uma literatura centrada na consciência fragmentada, sem qualquer tentativa de suavizar a experiência da carência ou da humilhação.

COMPRO NA WOOK! »

Eu Que não Conheci os Homens

de Jacqueline Harpman

Propriedade Descrição
ISBN: 978-989-711-274-4
Editor: Livros do Brasil
Data de Lançamento: fevereiro de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 152 x 235 x 20 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 208
Tipo de produto: Livro
Coleção: Dois Mundos
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 978989711274411
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Inquietante

CM

Eu Que Não Conheci os Homens é um livro inquietante, mais sobre o que nos torna humanos do que sobre o que nos destrói. É um exercício existencial, de sobrevivência, de identidade e de humanidade, que nos deixa com muitas questões. Gostei muito da escrita limpa e contida e da personagem principal, curiosa e firme sem precisar de ser heroína.

Quando a esperança é a última a morrer

Maiara G.

Uma história sobre esperança. A esperança de encontrar algo. A esperança de encontrar alguém. A esperança do leitor virar a página e ser confrontado com as respostas. Este livro faz-nos virar páginas em busca de uma resposta, mas a verdade é que a resposta ao porquê nunca nos chega. Mas isso não me chateia. Desconforta-me mas não me chateia, porque a verdade é que a menina que virou mulher não nos vai largar os pensamentos. Sobreviveu a tudo e a todos e deixou para trás a sua vida em papel.

Eu que não conheci os Homens

AllbyMyShelves

Já há muito que, aqui e ali, lia/ouvia falar sobre este livro, ainda sem prever a sua edição em Português. Assim que soube que iria ser editado pela Livros do Brasil, fiquei ansiosa para finalmente o ler. Um livro sem capítulos, e que ainda assim não deixamos de o devorar. Um livro que, de uma forma absolutamente distópica e original, nos vai demonstrando a importância de se ter bases, origens, memórias de uma vida em sociedade. De como a mesma, ainda que a espaços (e diria que vivenciamos presentemente um desses "espaços") seja tão questionável, não deixa de ser preponderante na forma como nos concebemos a nós mesmos e aos outros, na nossa própria história e identidade. Mas acredito que o melhor que posso fazer por quem pretenda lê-lo é pouco mais falar sobre o mesmo. Assim, tal como a nossa protagonista, cujo nome nunca chegamos a conhecer (nem ela), o "futuro" leitor ficará com questões (que talvez não vejam respondidas) que farão valer a leitura desta incrível obra de Jacqueline Harpman.

SOBRE O AUTOR

Jacqueline Harpman

Jacqueline Harpman nasceu em Etterbeek, na Bélgica, em 1929. De ascendência judaica, fugiu com a família para Casablanca na sequência da invasão nazi, regressando à Europa após o fim da Segunda Guerra Mundial. Harpman estudou Literatura Francesa e iniciou depois o curso de Medicina, que interrompeu quando contraiu tuberculose. Começou a escrever em 1954 e publicou o seu primeiro livro, L’Amour et l’acacia, em 1958. Em 1980 formou-se como psicanalista e em 1995 lançou o seu romance mais famoso, Eu Que não Conheci os Homens. Ao longo da vida, foi autora de mais de quinze romances e foi galardoada com numerosos prémios, entre os quais o Médicis, pela obra Orlanda (1996). Faleceu a 24 de maio de 2012, em Bruxelas.

(ver mais)

LIVROS DA MESMA COLEÇÃO

DO MESMO AUTOR

QUEM COMPROU TAMBÉM COMPROU