Ensaio sobre a Cegueira
SINOPSE
Romance contundente. Saramago a ver mais longe. Personagens sem nome. Um mundo com as contradições da espécie humana. Não se situa em nenhum tempo específico. É um tempo que pode ser ontem, hoje ou amanhã. As ideias a virem ao de cima, sempre na escrita de Saramago. A alegoria. O poder da palavra a abrir os olhos, face ao risco de uma situação terminal generalizada. A arte da escrita ao serviço da preocupação cívica.
Caligrafia da capa por Chico Buarque
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Filhos da Chuva: as referências de um primeiro romance
Para escrever, é preciso ler muito. Procurar a nossa voz nos livros, encontrar referências, contactar com diferentes estilos. Um fator decisivo para que a página em branco não seja um bloqueio. Depois, entre todos, há os livros que inspiram. Proponho-vos que conheçam alguns livros cuja leitura foi determinante no processo de criação de Filhos da Chuva.
Filhos da Chuva
«Um romance em que a culpa e a obsessão andam de mãos dadas com o acaso e a coragem.»
Antes, porém, falemos deste que é o meu primeiro romance. O primeiro que publiquei, pois há outros que estão na gaveta… e por lá devem permanecer. Para se chegar àquele momento em que consideramos ter uma obra merecedora de ser publicada, há que escrever muito antes. Bater muita tecla, passar muitas horas diante do computador. E depois, se assim o entendermos, deitar fora tudo isso. Escrevo desde os 12 anos e perdidos nas caixas da cave da casa da minha mãe estão o início de um conto sobre a mulher de D. Pedro I, um policial passado no Burundi, uma saga familiar com mais de mil páginas, um romance epistolar, uma novela dedicada a uma grande paixão e muitos poemas. Mas nada disto merece ver a luz do dia. Escrevi estes textos com todo o meu coração. Mas faltava-me vida e, sobretudo, faltava-me leitura. E isso refletia-se na escrita.
Filhos da Chuva é um romance que se passa num Território imaginado, em que existe uma terra, Domínio, onde não para de chover há muito tempo. Tanto que, por isso, e pelo facto de a luz rarear, o próprio tempo parou numa hora que todos acordaram, as cinco da tarde. É neste Território que se movem as personagens, identificadas pela sua função no enredo: Mãe, Filho, Mulher, Dono, Ministro, entre outros homens e mulheres que nos guiam através de uma trama e de uma terra que são, também, personagens principais. Procurei criar momentos de tensão, alguns até – diria – sufocantes, mas também de humor e de uma certa leveza possível. Vi as pessoas deste livro ganharem vida por si e tantas vezes me admirei com o facto de serem elas, a maior parte das vezes, a orientarem o seu rumo numa história onde temas fortes, como a maternidade ou a culpa, acabam por desempenhar papéis principais.
Mas nada disto seria possível sem ter lido livros que me inspiraram. Com este elenco de obras-mestras, não quero ter a veleidade da comparação. Pelo contrário, enumero alguns dos livros que me vêm construindo enquanto autor.
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Uma Casa na Escuridão
Foi sobretudo na ideia de que o Mal, esse, com maiúscula, pode chegar a qualquer momento e desencadear mudanças absurdas nas vidas das pessoas, que encontrei referências que me interessavam para o meu romance. Peixoto escreveu um livro a que regresso muitas vezes para recentrar esse fino equilíbrio entre a tranquilidade e o horror. Um horror pleno que não encontramos em Domínio, mas que, em determinados momentos da narrativa, lhe serve de redoma.
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O Pecado de Porto Negro
Não é fácil criarmos um mundo de raiz. Até onde temos de ir para que se torne coeso? Norberto Morais fá-lo com uma mestria irrepreensível, não apenas neste livro, como também em A Balada do Medo. É bem possível pensar que o Território de Filhos da Chuva poderia estar no mesmo mundo desta América Latina de Norberto Morais, ainda que, provavelmente, em tempos históricos diferentes.
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Para onde vão os guarda-chuvas
A delicadeza das relações entre os filhos e os pais é um tema que sobressai nesta autêntica obra-prima. Aquele fino estalar de entendimento entre um filho e um pai, a confusão a que podem conduzir diferentes condutas perante uma criança e perante a memória de outras pessoas que, ainda assim, podem ou não ser reais. Talvez entre Amor e o seu suposto pai, de Filhos da Chuva, existam memórias imaginadas cuja origem tenha ido beber a um dos mais impactantes romances da literatura portuguesa.
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Ensaio sobre a Cegueira
A questão do narrador, nesta e noutras obras de Saramago, é algo que me interessa muito. Encaro-o como um narrador presente, ainda que por vezes não tão diretamente, mas ao ler o autor tenho sempre a impressão de que é alguém que me conta uma história, que me conduz através de um enredo. Este narrador não nos conta tudo, mas há sempre a ideia de que pode ter com ele toda a informação e dosear a forma como a entrega ao leitor.
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A Casa dos Espíritos
O realismo mágico nunca pode servir de remate de uma situação para a qual o autor não tem solução. Esse deus ex machina, na minha opinião, assassina qualquer livro. Allende, neste livro, entrega-nos elementos de realismo mágico postos numa história que retrata um país não nomeado, mas com factos históricos que nos aportam no Chile. Não usa nunca esses elementos como desenlace ou resolução e, penso, esse é um grande ensinamento a autores que se queiram mover dentro desse território da criatividade.
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Da página ao ecrã [c/trailers]
Há um ato íntimo e, paradoxalmente, público que atravessa a leitura e o cinema: o de imaginar. Quando lemos, o mundo ergue-se dentro de nós; quando vemos, o mundo é-nos oferecido como matéria sensível, já iluminada, montada, ritmada. A adaptação é uma leitura do livro, uma interpretação. E, no entanto, continuamos a exigir fidelidade como se a literatura e o cinema fossem línguas irmãs com dicionário comum. O que estes seis títulos mostram, cada um à sua maneira, cada um com as suas falhas e prodígios, é o que perdeu e o que foi encontrado ao mudar de forma.
A Odisseia , de Homero
O mito como máquina de imagens
Poucos textos são tão fundadores quanto A Odisseia: uma narrativa de regresso (nostos), e uma meditação sobre identidade, memória e reconhecimento. Ulisses é o homem de muitos recursos, um protagonista que conquista com astúcia, com máscaras, com linguagem. A epopeia, sendo herdeira da oralidade, avança em episódios que funcionam como ilhas narrativas: cada encontro (o Ciclope, Circe, as Sereias) é uma prova moral tanto quanto física, e cada hospitalidade aceite ou recusada desenha um mapa ético do mundo.
A notícia de que Christopher Nolan prepara a sua adaptação traz inevitavelmente uma pergunta: como filmar um poema que já é, ele próprio, uma tecnologia de imagens mentais? A produção está marcada para estreia a 17 de julho de 2026, e a comunicação oficial aponta para um grande evento cinematográfico, e uma ambição declaradamente épica.
O que poderá Nolan acrescentar a um texto que parece já conter toda a arquitetura do imaginário ocidental? Talvez precisamente aquilo em que o realizador mais insiste: a forma como o tempo se organiza. Se a epopeia trabalha por repetições, digressões e regressos (como uma maré narrativa), o cinema de Nolan tem feito do tempo uma personagem. O que significa voltar? O que significa reconhecer? O que significa chegar a casa e já não ser o mesmo?
A adaptação, ainda por estrear, será inevitavelmente uma escolha: que episódios ficam, quais se tornam elipse, onde se fixa o coração dramático. E, no caso de A Odisseia, o coração é o teste da permanência: de Penélope, de Ítaca, do próprio nome Ulisses. Saberemos, então, se o cinema contemporâneo consegue ainda tratar o mito como espelho moral: aquele em que, há milénios, continuamos a reconhecer as nossas tentações e os nossos regressos.
QUERO LER!»
A Morte em Veneza, de Thomas Mann
A novela de Thomas Mann é uma peça de precisão: aparentemente simples, mas carregada de camadas onde estética, desejo e decadência se enredam. Veneza é um estado de espírito, uma cidade que respira beleza e apodrecimento. O protagonista, Gustav von Aschenbach, é um homem da disciplina e do culto formal, e é precisamente por isso que a sua queda (o fascínio por Tadzio, esse fulgor juvenil quase irreal) se torna uma tragédia estética: Uma paixão e um colapso de uma filosofia de vida.
O cinema de Luchino Visconti, em 1971, entende que esta história não pode ser contada sem atmosfera, ritmo, uma lentidão quase hipnótica, e música. E toma uma decisão que mudou para sempre a receção da obra no ecrã: no filme, Aschenbach deixa de ser escritor e passa a ser compositor, permitindo que a música, em particular Mahler, se torne a voz interior que a literatura narrava com subtileza.
A adaptação é uma troca: perde-se parte da ironia e da distância narrativa que Mann tão finamente administra, ganha-se uma corporalidade sensorial. O rosto de Dirk Bogarde, a maquilhagem que se desfaz, o suor que denuncia a ruína: tudo isto é cinema a dizer o que o texto sugere: que a obsessão estética pode ser uma forma de autoaniquilação.
Talvez a grande pergunta, e o grande mérito, desta adaptação seja a forma como Visconti filma o desejo. Veneza, com a sua luz e a sua água é cumplicidade. E neste pacto entre cidade e personagem, Visconti transforma Morte em Veneza numa elegia sobre a beleza.
QUERO LER!»
Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago
José Saramago escreveu Ensaio sobre a Cegueira como uma experiência extrema: uma alegoria onde a cegueira é uma metáfora de colapso moral e cívico. Com frases longas, pontuação singular e ausência de nomes próprios, Saramago produz uma sensação de vertigem ética: é como se a linguagem, ao recusar etiquetas fáceis, dissesse que qualquer pessoa pode ser aquela pessoa, que a barbárie é uma possibilidade comum.
O filme de Fernando Meirelles (2008) enfrentou, por isso, um desafio quase impossível: como traduzir para imagem aquilo que, no livro, é sobretudo uma voz: a do narrador omnisciente, irónico e compadecido, que conduz o leitor por entre o horror e a lucidez? A solução cinematográfica passa pela materialidade: a “cegueira branca” como agressão visual, a quarentena como claustrofobia, o som como ameaça. Há cenas em que o cinema consegue aquilo que a literatura apenas sugere: a degradação como corpo, o medo como ruído, a violência como desorganização do espaço.
Mas a adaptação também expõe um limite: sem a textura verbal de Saramago, o risco é a história tornar-se mais literal, mais próxima do thriller distópico do que da parábola moral. E isso ajuda a explicar as leituras divididas que o filme suscitou, inclusive com polémica pública e protestos nos EUA, aos quais o autor respondeu defendendo o sentido alegórico da obra.
Talvez a forma mais justa de olhar para esta adaptação seja reconhecer o seu dilema: o cinema pode filmar a cegueira, mas não pode reproduzir a experiência de leitura que o livro constrói, essa sensação de caminhar num corredor sem corrimão, guiado apenas por uma voz que alterna entre compaixão e sentença. O filme é uma interpretação válida, por vezes poderosa; o livro continua a ser o lugar onde a cegueira nos acusa com maior elegância e ferocidade.
QUERO LER!»
O Leitor, de Bernhard Schlink
O Leitor vive num território delicado, entre a intimidade e a História, o desejo e a responsabilidade, a memória e o julgamento. A relação entre Michael e Hanna começa como iniciação erótica e ritual de leitura, mas o romance desloca-se, com crueldade lenta, para a questão maior: o que fazer com o passado quando ele se senta à nossa frente e pede compreensão? Schlink escreve com uma clareza quase jurídica, e talvez por isso o desconforto seja tão eficaz: não há grandes explosões estilísticas, há a insistência do dilema.
A adaptação de Stephen Daldry (2008) trouxe ao ecrã um filme de elegância clássica, sustentado por interpretações que se tornaram parte da memória cultural do título. O filme faz uma aposta: transforma o romance num melodrama contido, onde a emoção se torna argumento. A consagração de Kate Winslet (incluindo o Óscar de Melhor Atriz) fixou a personagem de Hanna como figura trágica, o que alimentou também críticas: haverá, nesta abordagem, um risco de estetização do horror histórico, uma tendência para converter a culpa em páthos?
O que o livro tem de mais perturbador, a sua recusa em oferecer conforto moral, nem sempre se mantém intacto no ecrã. Mas o filme encontra, por outro lado, algo muito cinematográfico: o modo como a leitura, no corpo, pode ser simultaneamente ternura e poder; como a alfabetização pode ser libertação e vergonha; como a voz que lê pode criar uma intimidade que não absolve ninguém.
O Leitor é um filme sobre o que significa amar alguém cujo passado nos repugna. E sobre como a História, quando se infiltra na vida privada, nunca chega sem custo.
QUERO LER!»
O Fiel Jardineiro, de John le Carré
John le Carré sempre soube que o thriller é uma forma literária séria: um modo de falar de poder, de corrupção e de cumplicidade. O Fiel Jardineiro (2001) é, nesse sentido, exemplar: começa com a morte de Tessa e transforma o luto de Justin numa investigação que descobre uma teia de interesses onde diplomacia, indústria farmacêutica e cinismo institucional se protegem mutuamente.
O filme de 2005, realizado por Fernando Meirelles, é uma adaptação particularmente feliz porque compreende duas coisas ao mesmo tempo: a dimensão política e a dimensão íntima. O cinema tem um instrumento que a literatura usa de outra maneira: o choque do real. Filmando com pulsação quase documental e dando ao espaço (o Quénia, as periferias, as sedes burocráticas) um peso moral, a adaptação faz da geografia uma acusação.
Ao mesmo tempo, o filme inclina-se para a elegia: a história é contada como memória ferida, como tentativa de reconstruir quem foi Tessa e quem Justin se torna ao perdê-la. O romance tem uma complexidade informativa e conspirativa que o cinema necessariamente simplifica. Em troca, o filme oferece uma corrente emocional que dá corpo ao porquê da investigação.
A adaptação mostra o seu melhor lado, traduzir esse lugar onde o mal raramente é um vilão isolado e quase sempre é um sistema inteiro a funcionar com eficiência.
QUERO LER!»
Uma boa adaptação não substitui o livro, empurra-nos de volta para ele, com novas perguntas, outras luzes, outras sombras. E é nesta conversa entre formas, não na hierarquia entre elas, que a literatura e o cinema continuam a fazer o que sempre fizeram: ensinar-nos a olhar.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 978-972-0-04683-3 |
| Editor: | Porto Editora |
| Data de Lançamento: | Janeiro de 2015 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 142 x 210 x 22 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 346 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | Obras de José Saramago |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 978972004683319 |
| Idade Mínima Recomendada: | Não aplicável |
OPINIÃO DOS LEITORES
E no caos, como reage o ser humano, ele se unifica ou se destrói?
MC
Uma narrativa poderosa que nos faz refletir sobre a nossa brevidade, sobre a perda do que tomamos como adquirido. Sobre a própria fragilidade do Ser humano e da sociedade. Em pouco páginas se sente não apenas a cegueira física, mas a cegueira moral, a ignorância, a indiferença, a acomodação da civilização. Como sucumbimos aos mais primitivos instintos. E no caos, como reage o ser humano, ele se unifica ou se destrói? No caos uma mulher, a única que não é atingida por esta epidemia, é ela a ancora moral do grupo, um grupo unido pela empatia e não pela incapacidade de visão. E quantos de olhos abertos, na cegueira total se mantêm (quantos moralmente vivem na treva branca)?
O título que o ponha outro
Rúben Silva Pinho
Saramago apresenta em “Ensaio sobre a Cegueira”, com a sua prosa de estilo único, uma obra literária que concentra em si o que há de melhor, e pior na humanidade. Através de uma epidemia de cegueira branca, o dito “mal-branco” que assola toda a sociedade, o autor explora não só uma cegueira física, mas também espiritual, destacando a incapacidade das instituições religiosas suprirem as necessidades do povo. O Prémio Nobel da Literatura guia o leitor por um cenário distópico, onde a sociedade vê-se obrigada a fazer da voz vista. Contudo, os contornos da diegese são tecidos à margem de um grupo muito específico: o médico oftalmologista, que deixou de ter olho para a coisa; a mulher do médico, personificação mais antagónica do provérbio – “em terra de cegos, quem tem um olho é rei” – não poderia existir, visto que assume mais o nobre e altruísta papel de servir o próximo do que reinar; o primeiro cego, para tudo há uma primeira vez; a mulher do primeiro cego; o velho da venda preta; a mulher dos óculos escuros, eterno espírito maternal, e por fim, o rapazinho estrábico. Apesar de, como um todo, não partilharem do mesmo sangue, partilham da mesma cegueira, que os une como se fossem uma verdadeira família. Através destas personagens, Saramago mostra a essência da compaixão e a importância de, parafraseando o próprio, olhar, ver, e reparar. O autor assume um papel de narrador omnisciente, proporcionando ao leitor uma visão abrangente e criativa, mantendo as suas personagens ao longo de toda a obra, mesmo em cenários hipotéticos, consistentes tanto em ações como em pensamentos. A cegueira espiritual é dada pelo simbolismo das vendas brancas nos olhos das imagens sacras, sugerindo que as instituições religiosas estão cegas para as necessidades e sofrimento das pessoas, estando incapaz de as acudir. Esta associação entre igreja e povo é bastante significativa, especialmente vinda de Saramago, um ateu declarado, porque reitera a tese de que a religião e os seus deuses são uma mera extensão dos humanos, uma criação da mente, e questiona a utilidade da fé na igreja em momentos de crise. Saramago serve o leitor com a sua escrita fluída, nas suas múltiplas vírgulas, convivem, em simbiose, comentários irónicos e reflexões pessoais interessantíssimos que, a par e passo de uma prosa refinada, dá a conhecer até os mais profundos dos pensamentos das personagens. Fá-lo tão bem, que transcende o próprio leitor a seu parceiro de conversa. Entenda-se como exemplo o próprio título deste texto, inspirado na expressão ousada e despreocupada do autor: “…água mole em brasa viva tanto dá até que apaga, a rima que a ponha outro”, que demonstra como Saramago brinca com as palavras e cria um discurso envolvente. Concluindo, "Ensaio sobre a Cegueira" é uma obra que se destaca pela temática pertinente e forma como está escrita. José Saramago presenteia o mundo com uma obra literária impactante e profundamente humanista. Acima de tudo, este livro fala de compaixão, de ver o próximo, num mundo que por vezes, faz-se de cego, talvez a pior cegueira que possa existir.
Adorei!
Sofia Coimbra
O SEGUNDO LIVRO QUE LEIO DO SARAMAGO. UM ESCRITOR COM UMA FORMA PRÓPRIA DE ESCREVER QUE NÃO AGRADA A TODOS… ADOREI A HISTÓRIA! INCRÍVEL! ESCREVE SEMPRE ALGO FORA DA CAIXA E QUE NOS DEIXA A PENSAR.
Incrível
David Almeida
Mais um livro de Saramago, talvez O livro. Saramago foi e será sempre um dos maiores génios da literatura mundial. A realidade distópica que imaginou tão real nos dias de hoje. Livro mais do que aconselhado! Livros como este são raros.
excelente livro!
Diogo S
adorei esta obra, top 3 do saramago até agora :) super interessante a descrição feita do cenário apocalíptico durante a propagação da epidemia de cegueira. o papel que a mulher do médico desempenha representa bravura e destreza em tempos adversos
Lido em dois dias
Ana Cláudia Dâmaso, autora
Andava curiosa com esta obra há uns anos mas, o que realmente me voltou a despertar a atenção para ele foi a série ´´See´´, claramente inspirada pelas condições distópicas presentes nesta história. A premissa foi, para mim, cativante: uma doença torna-se pandémica - de uma forma que, do ponto de vista médico, impossível - sendo transmissível a partir da proximidade e cujo único e aterrorizador sintoma é... deixar de ver! O que o autor fez foi pensar no ´´e depois?´´ - que medidas tomaria o Governo, onde os iria isolar? Que capacidade tinha um país para cuidar de cegos, quando os indivíduos que se aproximavam cegavam logo a seguir? Como sobreviveriam? Que novas regras implementariam? Deu-se aqui uma espécie de´´ Deus das Moscas´´ para adultos, acrescentando-lhe um importante e medonho facto: todo o mundo cegou, as pessoas começam a tomar atitudes desesperadas ou maldosas perante as outras, pois ninguém as vê. Ou assim pensam, porque... Uma única e singular pessoa NUNCA perdeu a visão e é essa mesma que testemunha todo o caos e atrocidades de que o ser humano é capaz por sobrevivência e/ou ganância. Li-o EM DOIS DIAS, apesar da escrita particular do autor, Nobel da Literatura (que, como sabemos, escassa na pontuação, mas não na imaginação), pois o mundo e o conceito cativaram-me imenso, deixando-me agarrada às páginas, querendo saber que aconteceria de seguida. Mais uma particularidade que achei interessante foi o facto de, tanto a personagem principal, como todas as outras não terem nome, sendo-nos apresentadas por ´´o primeiro cego´´, a ´´dos óculos´´, o ´´ladrão´´, e por aí adiante. ´´No mundo dos cegos, o nome não tem valor´´, assim é explicado por Saramago.
Genial
MM
Tal como todas as obras de Saramago que li até ao momento, esta prendeu-me do início ao fim. Retrata um tema bastante atual, uma situação pandémica e o comportamento humano face à mesma. Recomendo vivamente
Essencial
Ana
Enquanto parábola da condição humana este livro pode ter significados diversos, mas uma coisa é certa, nesta obra encontramos enumeras frases que definem a humanidade de forma certeira. A escrita de Saramago é inconfundível e esta edição está simplesmente linda.
Grande Livro
André
Um grande livro que vale a pena ler. A impressão está 5*. Aconselho
Bom livro.
Rolando
Vale a pena, mas a escrita exige alguma adaptação.
Leitura obrigatória
Márcia Ribeiro
Primeiro livro que li de José Saramago e adorei cada linha desta história. Envolvente, emocionante e a descrição tão bem conseguida que nos sentimos dentro do livro. Vou continuar a ler mais obras de José Saramago!
Saramago, um amor que se ganha e nunca perde
Rita Duarte
Li Saramago pela primeira vez na escola secundária. Não fiquei fã, e lá ficou na prateleira. Cruzei-me com o Ensaio Sobre a Cegueira anos mais tarde e decidi dar uma oportunidade a outra história. Rendi-me nas primeiras páginas e, depois de muitos outros romances de Saramago lidos, este ficou sempre como meu favorito. Pungente, sarcástico, crítico, envolvente, surpreendente, escrito como poucos. A ler e reler.
Leitura obrigatória
Tiago Pires
Se tivesse que descrever este livro numa só palavra diria envolvente. Uma obra extremamente atual que toca em muitos pontos críticos negativos da ação do ser humano, que nos incentiva a efetuarmos uma introspeção de quais os valores que prevalecem na sociedade. Como é característica de José Saramago, em toda a narrativa está implícito um forte sentido crítico, muitas vezes irónico e sarcástico. Vale a pena ler!
Um dos melhores livros de sempre.
Jéssica
Sendo Saramago o meu escritor favorito, fica difícil uma obra dele não me maravilhar. Porém, atrevo-me a dizer que esta foi a melhor obra de Saramago que li até agora. O tema abordado é super atual, ainda por mais nos tempos que correm, e é leitura obrigatória.
Livro Incrível
Simao Pedro
Um livro extremamente atual, ainda mais agora que vivemos uma situação pandémica. A ideia de que a cegueira nos mata e de que a visão faz a vida florescer é uma das introspecções mais profundas que um ser humano pode fazer. Falamos tanto em felicidade e por vezes tudo o que precisamos está à distancia de um abrir de olhos. Recomendo inteiramente a quem procure uma boa historia e também uma reflexão sobre a existência humana.
Incrível
Juliana
Apenas o livro mais incrível é espetacular que já li, nada demais... Saramago é o meu escritor favorito. E este o meu livro preferido. Recomendo a todos.
O meu livro favorito
Daniela
Sou apaixonada pelas obras deste autor português, cada uma delas nos envolve e surpreende de uma maneira diferente. Esta, no entanto, é na minha opiniao, a sua verdadeira obra prima. E se de repente uma epidemia de cegueira branca se instalasse no nosso país? A obra retrara, através dos olhos da única personagem que capaz de ver, até onde as acções so ser humano conseguem ir perante um momento de crise. Mostra-nos como somos incrivelmente capazes de amar e de ajudar o próximo assim como as coisas desesperadas que fazemos por fome ou medo. Saramago dá-nos uma ampla visão daquilo que é o ser humano e faz-nos também questionar como reagiriamos em determinada situação. O ensaio sobre a cegueira, tem vindo ao longo dos tempos inspirando vários livros, filmes e artistas, sendo umas das minhas obras favoritas as esculturas de Bernardi Roig. Definitivamento um livro que qualquer pessoa deve ler!
Dos melhores livros que já li
Ana Gradim
Tinha algum receio de ler Saramago. Mas ainda bem que lhe dei uma oportunidade. Este é sem dúvida dos melhores livros que eu já li na minha vida.
Brilhante!
Catarina Barata
Absolutamente brilhante! (Um bocado irónico, quem já leu o livro certamente perceberá...). Comprei este livro ainda um pouco reticente, pois tinham-me dito que a leitura de José Saramago era difícil, demasiado descritiva e que se tornava rapidamente aborrecida... Ora, no entanto eu já tinha lido o "Memorial do Convento" (e sim, li mesmo o livro todo) e tinha gostado imenso, partir daí cresceu a minha curiosidade perante este autor. Pouco tempo depois li também o fascinante livro "As Intermitências da Morte" que me continua a fascinar e a ser um livro brutal para mim. Assim que pude comprei então o "Ensaio sobre a cegueira" por ser talvez um clássico, mas poderia ter comprado qualquer outro livro deste autor. Ainda bem que esta foi a minha escolha! Que retrato tão cru e brutal da nossa sociedade! Não farei aqui nenhum resumo da história, mas aconselho vivamente todos os leitores a lerem este livro e a refletir sobre ele! Considero o livro de uma leitura extremamente acessível, no entanto com mensagens profundissimas que devemos ter maturidade para as interpretar. Boas leituras!
Caros leitores, esqueçam o filme...
Jéssica MS Martins
Tenho que admitir que o motivo pelo qual me levou a ler o livro, foi ter visto o filme... Só deu mesmo para ficar com o "bichicho", ao menos isso foi de louvar... Todos nós sabemos que um filme, dificilmente faz justiça a um bom livro, porém ficou mesmo muito aquém. Este livro detalha, com um estilo único de narrativa e diálogo, que nos vicia do início ao fim. Só tenho a dizer que vale cada página!
ESTRONDOSO
Marta Dias
Foi sem dúvida dos melhores livros que li na minha vida, Saramago neste livro, consegue criticar de uma forma super subtil, a sociedade da sua altura e constatamos que nada mudou desde então...Uma cegueira diferente das outras aparece e tudo muda, uma história inebriante, surpreendente, que nos coloca a pensar nas coisas que afinal são mais importantes à vida...
Arrepiante!
Luis Pereira
Mais uma pérola do nosso Saramago. É um livro extremamente violento, que através de uma "cegueira" coletiva, expõe os defeitos e as qualidades do ser humano e nos relembra o quão longe estamos da "HUMANIDADE" Mais um Must-Read-It de Saramago, que foi traduzido em mais de 40 línguas. É lamentável que nunca se lhe tenha dado o devido reconhecimento (devido a fatores religiosos).
Fantástico
Beatriz
Um livro com uma história que nos prende do início ao fim
Marcante
EN
Outra das obras primas do nosso Nobel. Um reflexão sublime sobre o que de pior e melhor o ser humano tem. Como o inesperado, de repente, cria laços e inimigos. Uma análise profunda da sociedade actual, e do ser humano e sua complexidade emocional. Leitura indispensável.
Irresistível
Rafaela
Apesar da escrita incontornável de José Saramago, que exige concentração e dedicação, esta é uma obra à qual devemos renunciar uma leitura, quanto mais não seja uma vez na vida. Nela Saramago retrata a fragilidade e inocência do ser humano perante situações não expectáveis. Para além disto, aborda as questões de identidade própria e perda de dignidade, sem nunca esquecer a dignidade da mulher que é sempre questionada em contextos trágicos. Sem dúvida um romance clássico e de indispensável leitura.
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