Canto Primeiro

de Manuel Alegre
Editor: Padrões Culturais, junho de 2009 ‧
Colecção Comemorativa dos 15 anos da Associação e da Revista CAIS, a Revista que Desperta Consciências e Ajuda os Sem-Abrigo.
15 Anos, 15 Livros Ilustrados, 15 Autores

No âmbito das comemorações do 15º aniversário da CAIS, 15 autores lusófonos cederam gentilmente 15 contos, e todos foram ilustrados por alunos da Escola Ar.Co.
Fundada em 1994, a CAIS é uma Associação de Solidariedade Social sem fins lucrativos, reconhecida como pessoa colectiva de utilidade pública.
Tem como missão contribuir para o melhoramento global das condições de vida de pessoas sem casa/lar, social e economicamente vulneráveis, em situação de privação, exclusão e risco.
A primeira criação desta associação foi a Revista CAIS. O seu principal objectivo é despertar os leitores e a opinião pública em geral, para as problemáticas sociais relacionadas com os sem-abrigo e com outras formas de exclusão.
As vendas revertem para os vendedores (70%). É distribuída por instituições de cariz social em todo o país, que seleccionam, entre os seus utentes, os vendedores CAIS.

Estes 15 livros vêm marcar a comemoração dos 15 anos da CAIS, para que associações como esta possam continuar a existir, por forma a ajudar a melhorar a nossa sociedade.

Lendo estes livros, irá perceber realidades diferentes do nosso dia-a-dia, e seguramente os seus sentidos ficarão mais despertos em relação aos simples gestos que poderão contribuir para um dia diferente de quem vive na rua.

«Era um homem perdido no tempo, fechado em si mesmo, prisioneiro de um decassílabo. Que faria ele ali, sentado à porta da Torre de Arzila, repetindo sem cessar as armas e os barões assinalados?
Sentei-me ao lado dele e assim que ouvi o fim do verso, antes que ele recomeçasse, encadeei com quantas forças tinha: que da ocidental praia lusitana, por mares nunca dantes navegados, passaram ainda além da Taprobana, em perigos e guerras esforçados, mais do que prometia a força humana.
O velho voltou-se para mim e respondeu com os primeiros versos da última estrofe do Canto I:
No mar tanta tormenta e tanto dano, Tantas vezes a morte apercebida!
Ao que retorqui:
Na terra tanta guerra, tanto engano, Tanta necessidade aborrecida!
Parou então a ladainha, fitou-me em silêncio e acabou por dizer:
- Até que enfim.
- Não estou a perceber.
- Está, está. Eu sabia que tinha de vir alguém, estou aqui há não sei quanto tempo, todas as manhãs e todas as tardes a repetir a senha, eu sabia que alguém viria, alguém acabaria por me trazer a contra- senha.

Canto Primeiro

de Manuel Alegre

Propriedade Descrição
ISBN: 9789898160492
Editor: Padrões Culturais
Data de Lançamento: junho de 2009
Idioma: Português
Dimensões: 135 x 195 x 5 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 48
Tipo de produto: Livro
Coleção: Textos Extraordinários
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 9789898160492

SOBRE O AUTOR

Manuel Alegre

Manuel Alegre nasceu a 12 de maio de 1936, em Águeda. Estudou em Lisboa, no Porto e na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Foi campeão de natação e ator do Teatro Universitário de Coimbra (TEUC).
Em 1961 é mobilizado para Angola. Preso pela PIDE, passa seis meses na Fortaleza de S. Paulo, em Luanda, onde escreve grande parte dos poemas do seu primeiro livro, Praça da Canção. Em outubro de 1964 é eleito membro do comité nacional da Frente Patriótica de Libertação Nacional e passa a trabalhar em Argel, na emissora Voz da Liberdade. Regressa a Portugal após o 25 de Abril de 1974.
Dirigente histórico do Partido Socialista desde 1974, foi vice-presidente da Assembleia da República, de 1995 a 2009, e membro do Conselho de Estado.
A sua vasta obra literária, que inclui o romance, o conto, o ensaio, mas sobretudo a poesia, tem sido amplamente difundida e aclamada. Foram-lhe atribuídos os mais distintos prémios literários: Grande Prémio de Poesia da APE-CTT, Prémio da Crítica Literária da AICL, Prémio Fernando Namora e Prémio Pessoa, em 1999. Ao seu livro de poemas Doze Naus foi atribuído o Prémio D. Dinis. Em 2014, recebeu o Prémio Amália da Fundação Amália Rodrigues e, em 2016, o Prémio Vida Literária da APE e o Prémio de Consagração de Carreira da SPA. No mesmo ano, foi atribuído o Grande Prémio de Literatura dst ao seu livro de poemas Bairro Ocidental. Em 2017, foi distinguido com o Prémio Camões e, em 2019, com o Prémio Vida e Obra da SPA. Em 2021, quando recebeu o Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa. Memórias Minhas recebeu o Grande Prémio de Literatura Biográfica Miguel Torga APE/CM de Coimbra.

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