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Águas da Primavera

de Ivan Turguénev
Editor: Relógio D'Água, setembro de 2010 ‧
14,00€
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Águas da Primavera foi escrito por Turguénev entre 1870 e 1871. É a história de Dmítri Sánin, um jovem que se apaixona pela primeira vez quando visita a cidade de Frankfurt. Acaba por vender os seus bens na Rússia para trabalhar na pastelaria da família da sua amada. Mas no decurso de uns negócios, é atraído por uma mulher mais velha e sofisticada.

«Todas as criações de Turguénev, felizes e infelizes, oprimidos e opressores, são seres humanos e não feras exóticas de um bestiário ou almas danadas digladiando-se na escuridão sufocante das contradições místicas. São seres humanos, aptos a viver, aptos a sofrer, aptos a lutar, aptos a vencer, aptos a perder, no jogo interminável e inspirador de perseguir um futuro que todos os dias se afasta.» [Joseph Conrad]

«Turguénev via as tendências e atitudes políticas em função dos seres humanos, e não os seres humanos em função de tendências sociais. Actos, ideias, arte e literatura eram a expressão de indivíduos, e não de forças objectivas a que os agentes ou pensadores apenas dessem corpo.» [Isaiah Berlin]

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A primavera é um lugar sem dono – II: Cesariny, Slimani e Turguêniev

Os livros que escolho nesta altura procuram relacionar-se com a primavera: com o gesto da abertura, o começo, o regresso da luz. E nem sempre a primavera é doce: há nela um sobressalto, uma urgência, uma inquietação que combina bem com certas leituras. Depois de Mrs. Dalloway, aqui ficam quatro livros que atravessam, cada um à sua maneira, esta estação de luz e sombra. São obras que evocam o florescimento, o desejo, o devir, e também a solidão, o tempo e o abismo que se esconde nos gestos mais leves. A primavera autónoma das estradas, de Mário Cesariny Aqui a primavera é errância, desejo e insubmissão. A linguagem é vertiginosa, e sobressai o erotismo do fora-da-lei, do que não aceita molduras.
As “estradas” de Cesariny são caminhos de fuga, mas também de criação: o espaço onde o corpo se liberta e o amor se escreve com desobediência.
Com poesia, ensaio, colagem e gesto performativo, lemos a deambular. A autonomia de que se fala é radical: a de ser, amar e escrever fora da norma.
Um livro para quem entende a primavera como insurreição do corpo e da linguagem. Um livro que denuncia a própria estrutura, na sua multiplicidade de formas, do soneto à prosa, à redondilha, às colagens. Profundamente surrealista, impede um efeito imediato e unitário de sentido.
No contexto pós-25 de Abril, este livro pode ser lido como um gesto de tomada de voz, não apenas política, mas ontológica. A Primavera é aqui o instante onde se reclama a autonomia do corpo, do desejo e da palavra. É um tempo libertado de calendários e fronteiras, onde a estrada é mais do que metáfora: é meio de transformação. A radicalidade formal da escrita, com uso de citações, cruzamento de línguas e estilos, faz do livro uma espécie de diário performativo da desobediência.
A poesia não é apenas afirmação de identidade: é também recusa.
A escrita de Cesariny rompe com a sintaxe normativa, subverte convenções e afirma uma poética do errante. COMPRO NA WOOK! » O Perfume das flores à noite, de Leïla Slimani Neste pequeno livro-confissão, Leïla Slimani escreve a partir de uma experiência muito concreta: uma noite solitária passada no Palazzo Fortuny, em Veneza, como parte de uma residência literária. Mas a noite transforma-se em espelho: Slimani evoca a infância em Marrocos, a maternidade, o medo, a sexualidade, o cansaço de ser «uma mulher árabe bem-sucedida». A primavera aqui não é cenário. Está no perfume das flores, no escuro que antecede o dia, na ambivalência entre recolhimento e exposição. A escrita de Slimani é direta, mas não simplista. Questiona a noção de autenticidade, o lugar da escritora no mundo, e como habitar um corpo que é, ao mesmo tempo, desejo e política.
A autora reflete sobre o corpo feminino, a maternidade, a solidão, a sexualidade, o medo e a tensão entre identidade pública e vida privada. A escrita é um lugar de busca e de exposição, mas também de defesa. A Primavera, se está presente, é como um gesto interno de abertura, que acontece apesar do silêncio.
Slimani dialoga com outras escritoras, como Marguerite Duras, e afirma uma posição crítica sobre o lugar da mulher na literatura e na sociedade.
A proposta do livro, centrada na reflexão sobre a criação artística, torna-se um pretexto para uma autoescrita íntima e inquieta, que se vai adensando com o avançar da noite. A noite, mais do que a primavera, é o tempo simbólico da obra. Mas o título evoca o florescimento noturno, a fragilidade do perfume, o que acontece no escuro.
O texto desenvolve-se num limiar entre o diário, o ensaio e a narrativa pessoal. O estilo de Slimani é direto, lúcido, despojado, mas nunca superficial.
O texto é tanto uma confissão quanto uma cartografia das inquietações de uma escritora que sabe que escrever é, muitas vezes, estar só com as perguntas. COMPRO NA WOOK! » Águas de Primavera, de Ivan Turguêniev Publicado em 1872, Águas de Primavera é um romance breve que condensa vários dos temas caros a Turguêniev: a memória, a juventude, a idealização do amor e a tensão entre ação e hesitação.
O protagonista, Dimitri Sanin, é um homem de meia-idade que, ao encontrar um objeto do passado, entra numa recordação de um amor intenso vivido em Frankfurt, num dia quente de Primavera, quando se apaixonou por Gemma Roselli.
Neste curto e delicado romance conhecemos Dimitri, o homem que recorda este episódio da juventude. A memória de Gemma, um beijo num jardim, uma decisão impensada, tudo isso compõe a narrativa. Turguêniev escreve com contenção e melancolia. A primavera aqui é o tempo da juventude, da possibilidade e também do erro. O livro é uma elegia àquilo que se perde, não por fatalidade, mas por hesitação, orgulho, cobardia. São as águas da estação e também as águas que arrastam: aquilo que passa, aquilo que não volta. A fluidez da água alude à inevitabilidade da passagem do tempo, e à irreversibilidade das decisões não tomadas. O romance situa-se entre a nostalgia e a crítica da inação — uma reflexão sobre o modo como os gestos não feitos moldam o destino…
A escrita de Turguêniev é sóbria, descritiva, emocionalmente subtil. A sua melancolia é civilizada, quase clássica. O amor é apresentado não como êxtase, mas como experiência formadora e, em última instância, dolorosa. O arrependimento funciona como eixo ético e psicológico da narrativa. COMPRO NA WOOK! »

Águas da Primavera

de Ivan Turguénev

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896411794
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: setembro de 2010
Idioma: Português
Dimensões: 152 x 232 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 160
Tipo de produto: Livro
Coleção: Clássicos
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789896411794

SOBRE O AUTOR

Ivan Turguénev

Ivan Turgueniev nasceu em Orel, no Império Russo, a 9 de novembro de 1818. A sua obra-prima, Pais e Filhos, é considerada uma das grandes marcas do século XIX. Aos 25 anos, com a publicação de Parasha obteve, pela primeira vez, a atenção da crítica. Com os romances Rudin, Gnedo, Dvorianskoe e Nakanune, deixa a sua marca literária com o mérito de ter sido o primeiro escritor russo com reconhecimento considerável na Europa Ocidental. É também conhecido como o inventor do termo nihilista, que aplicou ao protagonista do romance Ottsy I Deti e que acabou por chegar aos nossos dias com o significado de ausência de sentido, finalidade ou resposta, aplicado a áreas tão diversas como a arte, as ciências humanas, a literatura, a ética ou a moral. Em 1862, na sequência da publicação de Ottsy I Deti e da controvérsia à sua volta gerada, abandona a Rússia e, após passagens pela Alemanha e Inglaterra, estabelece-se em Bougival, arredores de Paris, onde acabaria por morrer a 3 de setembro de 1883.

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