Vem aí o Halloween

Por Ana Bárbara Pedrosa
17 de janeiro de 2020
O Halloween está à porta. Vamos aos livros entre o assustador e o fantasmagórico? Os autores são diferentes, o resultado é o mesmo: um grande susto!





A COISA
Não é possível falar de «susto» sem referir Stephen King. O escritor norte-americano estreou-se com Carrie em 1974 e desde aí não parou. Encheu prateleiras de livros, encheu os leitores de tensão e tornou-se no autor mais adaptado de sempre para conteúdos audiovisuais, seja em séries ou em filmes.
A Coisa é um bom exemplo disso, já que o romance, dividido em duas partes, deu origem a dois filmes, dirigidos por Andy Muschietti. A Coisa, na verdade, é um palhaço chamado Pennywise que vive nos esgotos, arrastando para lá crianças.
Em 1958, em Derry, uma fictícia pacata cidade do Maine, sete amigos enfrentam o palhaço, após este ter raptado o irmão de um deles. O clima é de tensão do início ao fim, já que o palhaço vai assumindo formas sinistras e horrendas, e jogando como ninguém com os medos da infância: a cave escura, a casa abandonada, a vida dentro das coisas mortas. Trinta anos depois, uma nova onda de terror chega a Derry quando Pennywise ataca de novo e os amigos têm de vencê-lo em A Coisa - Livro II
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CORNOS
Stephen King deu vida a muitos livros, mas também a Joe Hill, seu filho, nascido em 1972. Em Cornos, Ignatius Perrish, a que Daniel Radcliffe deu corpo no ecrã, passa uma noite embriagado, a fazer sabe-se lá o quê. No dia seguinte, acorda com ressaca e uma dor forte em cada lado da cabeça. É que tem dois cornos a sair da testa...
No início, Ig até julga que está a alucinar. Com a vida que teve, está avariado da cabeça. Passou um ano isolado, em fúria e em desgosto, depois de Merrin, a sua amada, ter sido violada e assassinada. Mas o que parece um colapso mental é mesmo realidade e aqueles cornos nas têmporas são visíveis para si e para os outros.
Ig é o único suspeito da morte de Merrin, embora nunca tenha sido acusado. E, já agora, também nunca foi ilibado, principalmente pela comunidade, que acha que só pode ter sido ele. E para quem, claro, os cornos só provam que Ig é na verdade um demónio.
Abandonado, o protagonsita vê a boa vida que tinha esfumar-se. Nasceu numa família privilegiada, que lhe virou as costas. Teve um grande amor, que acabou em tragédia. Mas os cornos vêm com um poder que lhe permite chegar à verdade. Manteve-se quieto e calado, mas isso de nada adiantou. E agora vamos assistir à sua vingança.
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FRANKENSTEIN
É dos maiores sucessos literários de terror gótico de sempre. Mary shelley escreveu-o com apenas 19 anos, entre 1816 e 1817, e assim começou a ficção científica.
Frankenstein não é o monstro, é o cientista que o cria, Victor Frankenstein, que está empenhado em descobrir os mistérios da criação a todo o custo. Para isso estuda de forma obsessiva, até que encontra finalmente o segredo da geração da vida. A partir daí, não se inibe e constrói um monstro no seu laboratório. As proporções são gigantescas e Victor fica obcecado, sacrificando o contacto com a família e a própria saúde para levar a cabo a nova missão de gerar vida. Mas, após dois anos de trabalho árduo, o monstro fica criado... e o resultado enoja-o.
Shelley usa a desumanização para construir a humanidade. Contudo, a vida que nasce da morte causa terror aos humanos. O problema do monstro de Frankenstein é ter nascido da morte e não estar morto.
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DRÁCULA
O monstro de Frankenstein ganha vida no Halloween, e o mesmo pode ser dito sobre o Drácula. Escrita por Bram Stoker, a obra iniciou o mito literário moderno do vampiro.
O romance é epistolar e mistura terror com ficção gótica. Os vampiros já existiam, mas a obra de Stoker alavancou a sua popularidade. O livro é a epítome do clássico: criou uma personagem, criou uma cara, criou um mito. A partir da sua publicação, contaram-se inúmeras adaptações para formato audiovisual e inúmeras referências em formato escrito. Drácula é inesquecível e, no imaginário dos leitores, já é tão Transilvânia quanto a Transilvânia. Afinal, o conde que morava no castelo era sinistro e impactante... e só podia ser morto se lhe espetassem uma estaca no coração. Até à hora H, continuaria a alimentar-se do sangue de inocentes. Estes, uma vez sugados, viravam mortos-vivos também sedentos de sangue.
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O ESTRANHO CASO DO DR. JEKYLL E SR. HYDE
Robert Louis Stevenson talvez seja mais conhecido pelo livro A Ilha do Tesouro, mas este estranho caso é tão fora do comum que conquistou inúmeros fãs, incluindo Stephen King.
Nesta novela gótica, Richard Utterson, um advogado londrino, investiga algo de estranho que acontece com o seu amigo Henry Jekyll e o malvadíssimo Edward Hyde. Numa busca pela verdade, que se esquiva entre manipulações do mal, acaba por descobrir-se uma poção capaz de transformar alguém numa criatura sem escrúpulos. A liberdade moral da criatura é o grande cerne do romance e o livro é impactante, já que explora um fenómeno de múltiplas personalidades: na mesma pessoa, existe um bom e um mau.
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MISERY
Uma vez que Stephen King é o mestre do terror, que nos seja perdoada a repetição do autor, mas vai em jeito de bónus. Misery tem de ter um lugar de destaque entre quem ama literatura.
Neste livro, o famoso escritor Paul Sheldon sofre um acidente de carro. Por sorte (ou não), é de imediato socorrido por Annie, que não só é enfermeira como é a sua fã número 1. Ela leva-o para a sua casa, isolada entre a neve, e começa a cuidar dele. Até que descobre que Sheldon matou a sua personagem preferida... Para evitarmos spoilers, digamos só que a descoberta não correu bem. Que leitor aceita a morte da sua personagem preferida sem dar luta?
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