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Obra Poética III

de António Ramos Rosa
Livro eBook
Editor: Assírio & Alvim, novembro de 2025 ‧
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Num esforço começado em 2018, aqui se encerra a publicação dos livros de poesia éditos de António Ramos Rosa. E se chegados a este terceiro volume nos assustar as quase três mil páginas somadas de poemas, melhor é seguir o conselho de Rosa Maria Martelo, no posfácio aqui reservado: o de ler Ramos Rosa in media res, ou constelarmente, percorrendo a sua «maiêutica interna» ou questionamento ativo, tentando com ele responder aos muitos problemas que a sua poesia sempre levantou ou mais humildemente, parece-nos, com ele questionarmos a raiz do discurso e das coisas.

O círculo, a pedra do mundo
o gozo do claro despertar
a lenta existência do igual
o que está sempre velando adormecido
eterno nas suas veias de silêncio.

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«Nessa manhã era o universo …»

Obra Poética III é o terceiro e último volume dos livros de poesia inéditos de António Ramos Rosa. Em conjunto, perfazem quase três mil páginas, todas elas se completando, cada uma se destacando.
Escolhemos, deste derradeiro volume, três belíssimos poemas.



«Nessa manhã era o universo. Tudo era pretexto para a oferenda no aroma essencial do olhar. O silêncio era o sal de um começo infinito e o pensamento pesava o incomparável nas ténues e flexíveis balanças das ervas. No pulmão da água cintilava a folhagem da luz e minúsculas mãos jorravam dos seus orifícios solares. Na aérea fragilidade dos passos, pertencia ao suave movimento do dia e recebia no rosto o sopro cálido e sumptuoso das essências ardentes de uma matéria feliz.»

«De súbito a frondosa e suave coincidência do silêncio. Uma cabeça finalmente habitável na simplicidade inicial da sua fértil vacuidade. Reconhecimento sem procura e sem imagens da primeira vibração silenciosa como se o corpo tivesse regressado ao seu sopro original e, na sua ignorância viva, e na sua inocência desabrochada, o presente fosse soberano.»

Poemas de O que não pode ser dito, António Ramos Rosa – OBRA POÉTICA III, Assírio & Alvim, novembro de 2025, p. 641


«Às vezes uma mão arcaica conduz o poema
a uma velha mansão de pedra
onde adormece um corpo nu
de obsidiana branca
sobre um leito de musgo entre veios de água

e então vemos a placidez do esplendor
no seu repouso de morosa matéria
como uma guitarra universal
que tivesse surgido de uma onda apaixonada

Poderá a palavra ser embriagada e nua
como uma oferenda e um hálito de flor
para dizer do esplendor o veludo
no seu límpido espaço de núpcias vegetais?»

Poema de As Palavras, António Ramos Rosa – OBRA POÉTICA III, Assírio & Alvim, novembro de 2025, p. 312

Obra Poética III

de António Ramos Rosa

Propriedade Descrição
ISBN: 978-972-37-2456-1
Editor: Assírio & Alvim
Data de Lançamento: novembro de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 172 x 208 x 41 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 920
Tipo de produto: Livro
Coleção: Documenta Poetica
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 978972372456110
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

SOBRE O AUTOR

António Ramos Rosa

Destacado poeta e crítico português nascido em Faro em 1924. Foi militante do MUD (Movimento de União Democrática) e conheceu a prisão política. Trabalhou como tradutor e professor, tendo sido um dos diretores de revistas literárias como Árvore e Cassiopeia. O seu primeiro livro de poesia, O Grito Claro, foi publicado em 1958. A sua obra poética ultrapassa os cinquenta títulos. É ainda autor de ensaios, entre os quais se salienta A Poesia Moderna e a Interrogação do Real (1979-1980). Em 1988 foi distinguido com o Prémio Pessoa. Faleceu em setembro de 2013.

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