O Direito à Imortalidade

O exercício de direitos reprodutivos mediante técnicas de reprodução assistida e o estatuto jurídico do embrião in vitro

de Vera Lúcia Raposo
Editor: Edições Almedina, junho de 2014 ‧
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A espécie humana reproduz-se desde que apareceu sobre a Terra. Ainda que rodeada de misteriosos segredos mágicos e religiosos, desde sempre a procriação foi considerada um fenómeno natural aos animais, incluindo o ser humano. Mas se a ancestralidade do fenómeno biológico é mais que milenar, já a sua análise crítica e a tentativa da sua superação se revelam um acontecimento recente, impulsionado pelos avanços da ciência em geral e da medicina em particular. Hoje questionamo-nos se aquilo que sempre se desenrolou de certa forma - a reprodução - deve manter-se nos mesmos moldes ou se, pelo contrário, não deverá aproveitar as inúmeras possibilidades que a ciência e a técnica colocaram à nossa disposição e, caso assim seja, que possibilidades devem concretamente aceitar-se e quais serão de repudiar. Esta problemática surge habitualmente discutida sob a designação jurídica de "direitos reprodutivos". De modo que o nosso caminho começará precisamente pela fundamentação constitucional da existência desta controversa figura jurídica, nomeadamente discutindo se se trata efectivamente de um direito fundamental e, em caso afirmativo, de que natureza e com que base constitucional pode o mesmo ser invocado. A Declaração de Independência norte-americana encerra no seu texto uma afirmação singela, mas que no fundo exprime o objectivo que deve nortear a qualificação daquilo que poderia ser um mero desejo como direito: "the pursuit of happiness". A pulsão reprodutiva é uma daquelas cuja realização nos torna mais felizes, mais realizados, mais completos, em suma, tudo aquilo que se espera que um direito fundamental nos aporte. O percurso constitucional para a fundamentação deste direito dará corpo aos capítulos I e II deste estudo. Uma vez que o nosso foco será o exercício do direito à reprodução mediante PMA não nos escusamos a uma brevíssima análise sobre o "modus operandi" destas técnicas, sublinhando os problemas que cada uma delas coloca. (…) não poderíamos terminar sem uma breve explicação acerca do título escolhido. É nosso entender que o motivo mais recôndito pelo qual queremos ter filhos, sejam ou não biológicos (isto é, sejam eles fruto de um direito reprodutivo ou de um direito a constituir família), prende-se com o intemporal desejo de deixar uma parte de nós no mundo após a morte do corpo físico. Essa marca terrena pode consistir num código genético ou em determinada forma de viver e compreender a vida, resultante da orientação que, como pais, deixámos aos nossos filhos. Não são apenas as grandes obras literárias ou as maravilhas da arquitectura que perpetuaram a memória daquilo que fomos, mas também a nossa prole. Ter filhos é, no fundo, a concretização possível do desejo impossível de ser imortal.

O Direito à Imortalidade

O exercício de direitos reprodutivos mediante técnicas de reprodução assistida e o estatuto jurídico do embrião in vitro

de Vera Lúcia Raposo

Propriedade Descrição
ISBN: 9789724051949
Editor: Edições Almedina
Data de Lançamento: junho de 2014
Idioma: Português
Dimensões: 167 x 237 x 55 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 1260
Tipo de produto: Livro
Coleção: Teses de Doutoramento
Classificação Temática: Livros em Português > Direito > Direito Constitucional
EAN: 9789724051949

SOBRE O AUTOR

Vera Lúcia Raposo

Licenciada em direito, pós-graduada em direito médico, mestre em ciências jurídico-políticas e doutorada também em ciências jurídico-políticas, todos estes graus obtidos na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Portugal (FDUC).
Começou a sua carreira académica em 2001, como assistente-estagiária na FDUC e presentemente é Professora Auxiliar na referida instituição e também Professora Auxiliar da Faculdade de Direito da Universidade de Macau, onde se encontra a prestar serviço ao abrigo de uma licença especial de serviço concedida pela Universidade de Coimbra. É investigadora do Centro de Direitos Humanos-Ius Gentium e do Centro de Direito Biomédico, ambos da FDUC.
É autora de vários estudos em português, inglês e espanhol (alguns traduzidos para chinês), em particular sobre saúde e direito médico, direito penal e direitos humanos; é membro de vários institutos e organizações internacionais dedicadas a esta área; e também oradora frequente em eventos internacionais sobre estes temas.

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