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Livros e Cigarros

de George Orwell
Editor: Antígona, março de 2010 ‧
15,00€
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Conjunto de textos sobre literatura e de ensaios de cariz social e político, que têm como pano de fundo o espectro da Segunda Guerra Mundial. Inclui «Ah, Ledos, Ledos Dias», uma crítica feroz ao sistema de ensino e à mentalidade da sociedade inglesa da época. Nele se entrevê o espírito indómito de Orwell, a sua determinação em resistir à tirania e a certeza de que os fracos têm direito a rebelar-se contra a ordem estabelecida.
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As margens do ofício: quatro livros sobre escrever

Há escritores que, ao escreverem, interrogam o próprio gesto da escrita, e há outros que fazem dessa interrogação a sua verdadeira matéria literária. Falar sobre escrever é um exercício de espelho: implica olhar para o texto como quem observa o próprio rosto, sabendo que a imagem devolvida é sempre imperfeita, sempre instável. A literatura, quando se volta para a sua própria maquinaria, fá-lo para interrogar as condições de possibilidade do sentido, a materialidade da linguagem, a política dos discursos, os órgãos secretos da imaginação.
Elena Ferrante, Mario Vargas Llosa, George Orwell e Rosa Montero, cada um à sua maneira, inscrevem-se nesta linhagem de autores que se debruçam sobre o enigma da criação. Os seus livros: As Margens da Escrita, Cartas a um Jovem Romancista, Livros e Cigarros e A Louca da Casa, são laboratórios de lucidez e vertigem, onde se experimenta o que significa transformar o real em linguagem, e a experiência em forma, e compõem um atlas do trabalho literário. Não se trata de manuais em sentido estrito, são, antes, poéticas em ato.
Ler estes textos é conhecer o ponto onde o escritor se descobre simultaneamente criador e criatura da palavra. As Margens e a Escrita, de Elena Ferrante Ferrante, fiel ao anonimato que se tornou uma forma de presença, propõe uma meditação sobre a linguagem enquanto território liminar, um espaço entre o íntimo e o público, o vivido e o narrado, o corpo e o texto. Reunindo cartas, ensaios e conferências, o livro delineia um pensamento da literatura em estado de inquietação. Ferrante fala de um impulso “maternal” na criação, uma energia que surge do corpo e da memória, e de uma tensão constante entre a voz e o silêncio. Para ela, escrever é uma forma de escavação, uma descida até às camadas subterrâneas da experiência feminina, onde se encontram as palavras interditas, as feridas que a sociedade ensinou a ocultar.
Não há texto sem corte, não há narração sem a consciência do resto que fica por dizer. A sua reflexão atravessa problemas centrais: a relação entre dialeto e língua padrão, o modo como a voz feminina disputa espaço num cânone educado a neutralizar as marcas do corpo, a necessidade de uma sintaxe que suporte a ambiguidade do vivido. Na sua perspetiva, escrever é uma prática de escavação: busca-se, sob a superfície domesticada da linguagem, a camada geológica onde as palavras ainda estão em ebulição. A margem é, assim, laboratório de invenção: ao lado do centro, mas não fora da história; contra a “forma única”, mas a favor de uma forma intensificada.
O anonimato da autora não é capricho biográfico, mas gesto poético: subtrair o corpo ao mercado do rosto para reincorporá-lo na voz. O efeito é paradoxal e fecundo: quanto menos se vê a “autora”, mais nítida se torna a gramática do desejo que sustenta a sua prosa.
O seu discurso é de uma clareza feroz. Sugere que a literatura não é uma fuga, mas um regresso à verdade através da invenção. As margens de Ferrante são, portanto, o lugar onde a linguagem se arrisca a perder a forma para reencontrar o essencial, o murmúrio inicial de toda a voz. COMPRO NA WOOK! » Cartas a um Jovem Romancista, de Mario Vargas Llosa Vargas Llosa escreve Cartas a um Jovem Romancista na tradição dos tratados poéticos de Horácio, Flaubert ou Henry James. Mas o seu gesto é duplo: pedagógico e confessional. As suas cartas são, simultaneamente, um manual de construção narrativa e uma meditação sobre a vocação. Para Llosa, o romance é uma forma de ordenar o caos do mundo, um instrumento de inteligibilidade perante a desordem da experiência. Cada carta desmonta um elemento do mecanismo ficcional: o narrador, o tempo, a verosimilhança, a relação entre o real e o imaginado. Mas por trás da técnica, há uma ética. O romancista, segundo Llosa, é aquele que luta contra a mentira da realidade com as mentiras da arte.
Llosa escreve contra duas tentações: o formalismo árido e o espontaneísmo ingénuo. No meio, propõe um artesanato exigente que aceita a aparência de milagre mas não abdica do trabalho. Daí a ênfase na reescrita, no ritmo, no parágrafo que respira, na cena que enrola sobre si mesma até encontrar a sua curvatura.
Esta tensão é central: a ficção, longe de nos afastar da verdade, permite-nos ver o mundo sob novas perspetivas. Escrever é, então, um ato de resistência à passividade, um modo de refundar o real através da imaginação. Llosa, com o seu rigor quase artesanal, recorda que a literatura é, ao mesmo tempo, disciplina e delírio, a forma mais lúcida de perder o juízo. COMPRO NA WOOK! » Livros e Cigarros, de George Orwell Há uma honestidade moral que atravessa toda a obra de Orwell, uma espécie de ética da clareza, uma recusa da retórica vazia. Livros e Cigarros condensa esta postura em ensaios que interrogam o valor simbólico e material da leitura. O ponto de partida é aparentemente trivial: a comparação entre o preço dos livros e o dos cigarros, mas o que emerge é uma reflexão profunda sobre o lugar da cultura numa sociedade desigual.
Orwell observa que os livros, longe de serem um luxo, são um dos bens mais acessíveis e duradouros que o ser humano pode possuir. Ler é, para ele, uma forma de liberdade, uma defesa contra a manipulação e o conformismo. E escrever, por sua vez, é um ato de coragem política.
À contabilidade económica junta-se uma contabilidade moral: o que perdemos ao abdicar da leitura? Quanto custa, em termos de imaginação cívica, a renúncia ao pensamento?
Em Livros e Cigarros, a escrita é apresentada como um trabalho, uma forma de labor tão concreta quanto qualquer outra, mas guiada por uma ética do desassossego. A prosa de Orwell é cortante, despojada, precisa. A sua lição permanece atual: escrever bem é pensar com clareza; e pensar com clareza é, talvez, o gesto mais subversivo que nos resta. COMPRO NA WOOK! » A Louca da Casa, de Rosa Montero A Louca da Casa é um livro sobre a imaginação, essa força indomável que, segundo Santa Teresa de Ávila, era “a louca da casa”. Montero apropria-se da metáfora e faz dela o eixo de uma investigação sobre o poder criativo e os seus abismos.
O texto oscila entre ensaio, autobiografia e ficção. A autora reflete sobre o ofício de escrever com humor, vulnerabilidade e uma ironia luminosa. Montero sugere que o ato de narrar é inseparável de uma forma de delírio lúcido. Ao longo do livro, mistura recordações pessoais, leituras e episódios inventados, dissolvendo as fronteiras entre o real e o imaginário, como se a própria forma do livro encarnasse a instabilidade que descreve.
Em Montero, a escrita é um gesto erótico e ontológico: um modo de se reinventar a partir da perda, de transformar o medo em linguagem. O livro é também uma afirmação da imaginação feminina como espaço de resistência, o lugar onde o pensamento se confunde com o sonho, e onde a loucura se torna, paradoxalmente, o mais alto exercício da razão poética. COMPRO NA WOOK! » Nestes quatro livros sobre o ofício de escrever, a literatura aparece como uma arte paradoxal: solitária e comunicante, rigorosa e febril, lúcida e visionária.
Ferrante leva-nos às margens da linguagem, onde o corpo e a voz se encontram; Llosa ensina a arquitetura secreta da narrativa; Orwell recorda a responsabilidade ética do escritor; Montero celebra a vertigem da imaginação.
São quatro modos de habitar o mesmo território: o da escrita como forma de existência. Ler estes livros é aprender uma atitude, uma maneira de olhar o mundo com atenção e desconfiança, com paixão e método. Porque escrever é isso: um ofício que se aprende com as palavras e com uma fidelidade obstinada à inquietação que nos faz escrevê-las.

Livros e Cigarros

de George Orwell

Propriedade Descrição
ISBN: 9789726082125
Editor: Antígona
Data de Lançamento: março de 2010
Idioma: Português
Dimensões: 132 x 211 x 11 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 184
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Ensaios
EAN: 9789726082125

Livros e Cigarros.

RP

Um belo livro que não deixa que o entusiasmo por lê-lo se desvaneça ao longo das páginas. Fácil leitura e bastante interessante para perceber um pouco do "background" de G. Orwell. Recomendado para os fãs de Orwell que querem aprofundar o porquê de tudo.

Recomendo vivamente!

TP

Esta obra oferece-nos uma visão mais aprofundada do autor e, de certa forma, das suas tendências políticas. Depois de ler "1984" e "Quinta dos Animais", este livro continua a entusiasmar o leitor a cada página. Recomendo a todos.

Um novo Orwell para descobrir

Francisco Pereira

Neste livro Orwell oferece-nos um conjunto de ensaios que versam sobre livros, juntamente com considerações de cariz político e recordações da vida do autor, Orwell foi um grande produtor de ensaios, que revelaram a grande e por vezes atormentada personalidade deste extraordinário escritor.

Descrição do período anterior à segunda guerra mundial

João Paulo

George Owell, autor do fundamental "1984" e do lúcido "O triunfo dos porcos", nestas suas crónicas mostra-nos as origens humildes e o tempo da adolescência numa Inglaterra diferente da que viria a tornar-se no pós-guerra mundial de 1945. É uma outra imagem do autor que sempre recorreu à imagem fácil e ao analogismo inteligente.

SOBRE O AUTOR

George Orwell

George Orwell, pseudónimo do escritor Eric Arthur Blair, nasceu na cidade de Motihari, na então Índia britânica, a 25 de junho de 1903, tendo-se mudado para Inglaterra com a família, ainda durante a infância. Escritor e jornalista, Orwell é uma das mais influentes figuras da literatura do século xx. Defensor incondicional da liberdade humana e acérrimo opositor do totalitarismo, inscreve-se no panorama literário com as obras Dias Birmaneses (1934) e Homenagem à Catalunha (1938). Mas será, sem dúvida, com Quinta dos Animais (1945) e Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (1949), duas narrativas com uma atualidade assombrosa, que o autor alcança o reconhecimento internacional. Morreu de tuberculose, em Londres, a 21 de janeiro de 1950.

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