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Fome

de Knut Hamsun
Editor: Relógio D'Água, fevereiro de 2024 ‧
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Fome, o mais conhecido dos romances de Knut Hamsun, fala-nos das deambulações de um jovem escritor perseguido pela fome e a miséria na capital norueguesa. Por vezes, consegue que algum jornal lhe compre um artigo que escreveu com grande esforço. Mas a fome perturba-o.

Aos poucos, vai vendendo os escassos bens materiais que possui, incluindo os botões do casaco. Vai abordando os transeuntes, alternando frases de abatimento, cólera e exaltação. Mas o orgulho leva-o a recusar a mendicidade ou o roubo. Atingindo um estado de alucinação, acaba mesmo por roer ossos. Mas, de cada vez que parece atingir a última fase de desespero, um qualquer milagre adia-a e prolonga o seu suplício. Onde haverá uma saída? Será Ylajali capaz de o ajudar a encontrá-la?

Trata-se de um livro semiautobiográfico, e ninguém antes de Knut Hamsun, saído da miséria mais completa, tinha sido capaz de contar uma tal aventura.

«Hamsun é o maior escritor de sempre.»
Thomas Mann

«Algo de novo acontece neste livro...»
Paul Auster

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A escrita e o inverno: como as estações inspiram a literatura

Talvez seja a ideia mais romântica do ato de escrever: alguém metido numa cabana no meio de uma montanha gelada – frio fora, calor dentro – a escrever um romance. Também se dará o inverso: um calor tropical e um cenário gelado nos livros. Seja como for, aqui vão alguns exemplos de páginas com graus negativos. Há que pegar em luvas para ler estes livros.
Os russos cristalizaram, na literatura, aquela tonalidade cristal da neve. Bem se percebe: com temperaturas a chegar aos 40 negativos, e narrativas metidas nesses ambientes gelados, seria natural que o clima fizesse o seu caminho nos livros. Não deve ter existido clássico russo que não tivesse pés em neve fofa, corpos a precisar de embrulho. Este ambiente serviu para criar a ideia de lugares inóspitos, mesmo que habitados, a que se juntou o pessimismo de quem viu gelar os sonhos. Ler Dostoiévski ou Tolstoi implica encarar isto, e prosas contundentes, e nevascas fortes, frio que aleija a pele, e conhecer um país em que tanta gente vive num embate contra o ar.
Comecemos por Dostoiévski, que tão bem soube retratar a decadência, e com ela o desconforto. Aqui, o desconforto implica frio. Em Cadernos do Subterrâneo, publicado numa revista em 1864, temos uma história que impressiona pela crueza – e aqui cru é o que não viu lume. O narrador até dá pena: humilhado pela sociedade, humilha-se a si mesmo, e é isso que dá asco a quem o lê. Há qualquer coisa de repulsa naquela autovisão sem pó de arroz. As cores são sombrias, o ambiente é gélido, tudo sabe a desconforto, a vida que existe apesar das condições.

Fome

de Knut Hamsun

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897834257
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: fevereiro de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 153 x 234 x 17 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 216
Tipo de produto: Livro
Coleção: Ficções
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897834257

SOBRE O AUTOR

Knut Hamsun

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 1920

Knut Hamsun (1859¿1952) nasceu em Gudbrandsdalen e cresceu na pobreza em Hamarøy, na Noruega. Publicou o seu muito aclamado romance Fome (1890), ao qual se seguiram Mistérios (1892), Pan (1894), Victoria (1898) e Frutos da Terra (1917) — obras-primas do início da modernidade na Literatura, o que lhe valeu a atribuição do prémio Nobel.
Figura controversa, Hamsun conheceu tanto a glória literária quanto, no final da sua vida, o mais aceso repúdio dos seus contemporâneos, o qual se ficou a dever às simpatias do autor pelo regime nazi. Terminada a guerra, tais posições valeram-lhe o julgamento por traição. Acabaria os seus dias na mais completa pobreza.

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