Âmago

Antologia

de Fiama Hasse Pais Brandão
Editor: Assírio & Alvim, outubro de 2010 ‧
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«Esta antologia foi organizada tendo em conta, quer a minha escolha pessoal, quer as sugestões que pedi a alguns atentos e dedicados leitores da obra poética de Fiama Hasse Pais Brandão: Carlos Mendes de Sousa, Jorge Fernandes da Silveira, Maria de Lourdes Ferraz e Rosa Maria Martelo. Tive ainda em consideração as selecções feitas, em 1986 e em 1997, pela autora, para as suas "antologias próprias" intituladas F de Fiama.» Gastão Cruz

INSCRIÇÃO
O século anterior deixara a inscrição na vereda
que me antecede. A mímica e a lírica
desses estranhos esboços restaurei-as. Vi os meus actos
descritos, transactos, expandirem-se da pedra.
Esse granito obceca. Se eu isolara assim o meu decurso
entre traçado de muros e legibilidade das letras,
e depois irradiei de uma experiência, oculta ou não,
o texto, é duvidoso. Eu passava, mesmo que nessa vereda chova,
nos intervalos dos dísticos com os nomes. Sempre senti
a nostalgia de tudo o anterior, recebendo de cada século
uma narrativa. Com esta chuva sazonal revivo
o que me pertence; ocasional, a chuva flutua; um arco de folhagem.
Resumo a fatalidade das letras, o destino dos enunciados,
as variações que introduzo, tal como o sentimento de peso
da chuva fria. Segundo aquelas palavras pétreas,
no entanto, eu estava a jazer, aí, no chão eterno.

Âmago

Antologia

de Fiama Hasse Pais Brandão

Propriedade Descrição
ISBN: 978-972-37-1554-5
Editor: Assírio & Alvim
Data de Lançamento: outubro de 2010
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 213 x 20 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 192
Tipo de produto: Livro
Coleção: Documenta Poetica
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789723715545

SOBRE O AUTOR

Fiama Hasse Pais Brandão

Dramaturga, tradutora e poeta, formada em Filologia Germânica na Universidade de Lisboa, exerceu atividade de investigação na área da literatura e da linguística. Revelou-se com "Morfismos", no âmbito da iniciativa Poesia 61, coletânea que refletia uma tendência poética atenta à palavra, à linguagem na sua opacidade, na busca de uma expressão depurada e não discursiva. A criação poética de Fiama Hasse Pais Brandão impõe-se pela busca de uma expressão original, onde as palavras tentam evocar uma essência perdida, anterior à erosão do tempo e do uso corrente. A desconstrução das articulações do discurso e a sua metaforização provocam um estranhamento que conduz o leitor a despir a linguagem da sua convencionalidade e a entrever o acesso pela palavra pura a um tempo primordial. O critério de "amor pela leitura" que presidiu à versão de Cântico Maior pode, por extensão, ser aplicado à obra da autora que apresenta como fontes de emoção poética "o texto que cabe na pupila: o simultâneo, a grande cena das metáforas e das comparações, a Visão multiforme do Conhecimento (pus no coração a Sabedoria de Ezra), que é parcelar nas palavras e nas imagens e que só por acumulação diurna e através da absorção pupilar (como a do ar) tende para o Todo." ("Do prefácio de Cântico Maior", reproduzido em "Apêndice" a Obra Breve, 1991). Sob o Olhar de Medeia, a obra que marca a primeira incursão no romance por parte desta autora, foi publicado em 1998. Faleceu em Lisboa no dia 19 de janeiro de 2007.

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