A Outra Filha
SINOPSE
Em 2010, Annie Ernaux recebeu um convite da editora NiL para participar na coleção Les Affranchis, construída a partir de um desafio aos autores: escrever uma carta a alguém a quem nunca se escreveu. Annie regressa então a um domingo de agosto de 1950, em Yvetot, quando, aos dez anos, ouve uma conversa entre a mãe e uma cliente e, em choque, fica a saber que, antes do seu nascimento, os pais haviam tido uma outra filha. A menina morreu aos seis anos, de difteria, e os pais nunca falaram dela a Annie – nem Annie alguma vez mencionou aos pais ter conhecimento da sua existência. É a ela, a essa irmã com quem nunca brincou ou discutiu, que dirige este texto. Reflexão sobre silêncios e expectativas, sobre a construção da identidade e os significados das memórias, sobre linguagem, A Outra Filha é um impressionante jogo de espelhos.
WOOK DIZ A WOOK
"Em 1919, Franz Kafka escreveu uma longa carta ao pai, na qual expurga o abuso sofrido sob a sua alçada intransigente e proibitiva, responsabilizando-o pelo seu sentido de impotência. Essa carta, que nunca chegou ao destinatário, inspirou a criação da coleção Les Affranchis, pela editora NiL, que lançou o desafio aos autores: «Écrivez la lettre que vous n’avez jamais écrite». A Outra Filha foi a carta inaugural, escrita à luz deste repto.
Annie tinha dez anos quando um segredo religiosamente guardado pelos pais lhe foi acidentalmente revelado. Enquanto ela brincava com uma amiga, a mãe, num momento vulnerável, confidenciou a uma cliente que tivera outra filha antes de Annie. A menina partira aos seis anos, de difteria, dois anos antes de Annie nascer. A revelação daquela irmã, de quem os pais nunca lhe falariam diretamente, foi recebida como um choque asfixiante que pôs fim à inocência da sua infância.
A autora viu-se assim condenada a viver sob o vulto da irmã falecida, da qual não fala e cuja existência procurou reprimir e ignorar. No entanto, a própria rejeição da irmã reforça a ligação, tingindo não só a sua vida familiar, mas a sua própria identidade.
Ernaux não se limita a relatar aquilo que foi uma revelação traumática. Reflete e mergulha no impacto emocional, psicológico e familiar dessa perda na sua vida, desde criança até à idade adulta. Sem nunca cair no sentimentalismo, o discurso comove, com uma simplicidade crua. Esta carta comprova, uma vez mais, a mestria da autora em traduzir experiências profundamente pessoais, em narrativas universais. Ernaux leva o leitor à mais profunda das comoções, partilhando o seu avassalador sentimento de perda e deslocamento, e faz-nos refletir sobre "a longa vida dos mortos" e o seu peso na dos que vivem."
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 978-989-711-270-6 |
| Editor: | Livros do Brasil |
| Data de Lançamento: | outubro de 2024 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 152 x 235 x 8 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 72 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | Dois Mundos |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Memórias e Testemunhos
|
| EAN: | 978989711270610 |
| Idade Mínima Recomendada: | Não aplicável |
OPINIÃO DOS LEITORES
Relato cru e honesto sobre uma ausência presente
MBA
Annie Ernaux tornou-se uma das minhas escritoras favoritas acidentalmente, quando li "O Acontecimento " no ano que lhe foi atribuido o Premio Nobel da Literatura. Porque quando lemos Ernaux nao seremos mais os mesmos: a sua escrita é repleta de honestidade crua, sem preconceitos, por vezes com laivos de choque que contrastam com uma ternura sensivelmente desarmante. Este livro é sobre uma perda familiar que apesar de ter estado sempre ausente da vida de Ernaux, influenciou sempre e marcou-a como filha e mulher. Recomendo vivamente que descubram esta autora
Annie, A Outra Filha
AllbyMyShelves
Annie Ernaux, como sempre, despe-se de pruridos e dirige este livro em forma de missiva à irmã que nunca o foi, de quem sente ter tomado um lugar no mundo, que nunca seria seu sem que esta tivesse de o "abandonar" precocemente. Uma escrita poderosa, crua, genuína, sem necessidade de ser "politicamente correta", o que por vezes poderá chocar o leitor (mas com a qual, ainda que secretamente, consegue identificar-se). Um relato curto mas poderoso, visceral e duro, que confirma o reconhecimento de Annie Ernaux como uma das maiores escritoras, muito merecedora do Nobel arrecadado em 2022. Sou fã confessa da autora, e este é para mim um dos seus melhores livros.
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