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A Estrela da Manhã

de Karl Ove Knausgård
Editor: Relógio D'Água, Janeiro de 2023 ‧
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Numa longa noite de agosto, Arne e Tove estão com os filhos na sua casa de verão no sul da Noruega. O seu amigo Egil mora perto. Kathrine, uma pastora, viaja de avião depois de um seminário sobre a Bíblia e interroga-se sobre o seu casamento.

Jostein, um jornalista, está fora de casa a beber enquanto a sua mulher, Turid, enfermeira numa unidade de cuidados psiquiátricos, faz o seu turno quando um dos doentes foge. Sobre todos eles, aparece subitamente uma estrela, brilhando no céu, e estranhas coisas começam a acontecer.
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Livros que os adolescentes ainda não descobriram que são bons

Quando descobrirem, vai ser um pé de vento para lhos arrancar das mãos. Para evitar conflitos, talvez o melhor seja mesmo deixá-los em paz a brincar com as folhas. Nós contra os outros Aqui entre nós, talvez não o tenham descoberto porque chegou há pouco a Portugal, mas Backman calha sempre bem para qualquer leitor, em especial o que quer descansar a cabeça. Em Björnstad, mora gente forte e trabalhadora. Como sabem o que é a vida, não esperam justiça. Vai daí e a vida real vai acontecendo também. Passa-se qualquer coisa que quase dá cabo da cidade e, a seguir, tragédia das tragédias, a equipa de hóquei está prestes a deixar de existir. Ainda por cima, os antigos jogadores tinham-se mudado para a equipa rival. Isto seria equivalente a perdermos o Futebol Clube de Vizela enquanto reforçávamos o Arouca. Facada em cima de facada. A rivalidade aumenta, um político manobra os bastidores, chega um forasteiro para treinar o renovado clube. Como isto mete bola, apesar de também meter bastões, a violência começa a subir em catadupa. É a vida no que de mais banal tem, e que o entusiasma mais do que a verdade que há em todos os dias. Em suma, é divertido. QUERO LER!








  A estrela da manhã Qualquer hora da vida é boa para ler Knausgård, desde que se prepare o palato. Depois da série autobiográfica A Minha Luta, que raio podia vir daquelas mãos? Veio este livro, que tantas características já conhecidas traz: a prosa palavrosa, o mergulho num pensamento que foge por ali fora, personagens que se sentam com os leitores à mesa. Abrir o livro passa, então, por, em pleno agosto, sentarmo-nos com Arne e Tove, que estão com os filhos na casa de verão. Bastam duas ou três páginas e já estamos ali com eles: o detalhe é tanto que não há como julgar que aquilo é inventado, que há distância entre quem lê e é descrito. E lê-lo passa também por ouvir a voz de Egil, que mora ali perto. Ou mesmo em entrar no avião com Kathrine, uma pastora religiosa preocupada com o próprio casamento. E por aí fora. O conjunto de personagens é formidável. Knausgård, já se sabe, também é. QUERO LER!

  Cartas a Sandra Provavelmente, os adolescentes já o souberam, mas entretanto esqueceram-se: Vergílio Ferreira é do caraças. Muitas horas, ali pelos 15 anos, passámos os dois no meu quarto: ele em formato papel, eu em formato alegria de quem o descobre como quem cai pela primeira vez. O livro, que ficou inacabado devido à morte do autor (e logo no momento em que Vergílio Ferreira queria esgotar a personagem), é das mais belas páginas do género epistolar que já me passaram pelas mãos – e eu até uma carta do Pai Natal já recebi. Ainda por cima, o romance dialoga com outros do autor, abrindo com uma apresentação de Alexandra, filha de Paulo e Sandra, de Para Sempre. Com um lirismo que sabe a x-acto, fica, por parte da voz ativa, o desejo de comunicação quando já não é possível ter resposta. Lê-lo implica querer ouvir, e querer assumir a lentidão como força bruta em vez da ação rápida do quotidiano. QUERO LER! História essencial do mundo Wells não é só invasões de extraterrestres à Terra, prontos para nos limparem o sebo a todos, embora isso seja, claro, a maravilha que se sabe. Mas o homem, que até máquinas do tempo inventou, é muito mais do que isso. Aqui, aliás, também inventa uma, mas em sentido menos metafórico. Em vez do voo pleno da hipótese testada num romance, levada até às últimas consequências, temos um olhar sobre a vida como existiu. Neste livro, Wells volta-se para trás, oferecendo ao leitor uma síntese do que se passou com o mundo em geral desde a Antiguidade até ao século XX. Foi publicado em 1922, por isso não se conte com os feitos de Ronaldo – aliás, esses nem cabem num livro. Mas conte-se, isso sim, com um olhar abrangente que, por ter tanta coisa dentro, parecerá pôr cola nas mãos dos leitores que lhe peguem. QUERO LER!

A Estrela da Manhã

de Karl Ove Knausgård

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897833090
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: Janeiro de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 154 x 238 x 41 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 680
Tipo de produto: Livro
Coleção: Ficções
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897833090

A vida nas sombras

Isabel Duarte Pires

Terminei A Estrela da Manhã com uma sensação de ausência de fim, como se algo tivesse sido revelado, mas não explicado. Neste livro acompanhamos a vida de várias personagens ao longo de dois dias, tendo como denominador comum o aparecimento de uma grande e luminosa estrela. Mas é nas sombras que o romance verdadeiramente se foca: nas relações difíceis, nos sentimentos de solidão, de melancolia e de desamparo. A selectividade da perceção e da memória, o sentido da vida e o conceito da morte atravessam toda a narrativa. Knausgård não constrói uma história tradicional com princípio, meio e fim. Em vez disso, oferece-nos retratos humanos e os detalhes do quotidiano, como se estivéssemos a assistir a um fragmento de um filme que começou antes de chegarmos e continuará depois da última página. Ficamos a conhecer melhor as personagens através das suas reflexões sobre o passado e sobre o caminho que as trouxe até ao momento presente. O livro toca também o inexplicável e o fantástico, por vezes com passagens violentas que me deixaram sem fôlego. É uma leitura que permanece e que adorei.

SOBRE O AUTOR

Karl Ove Knausgård

Karl Ove Knausgård nasceu em Oslo, na Noruega, a 6 de dezembro de 1968 e cresceu em Tromøya e em Kristiansand. Estudou Artes e Literatura na Universidade de Bergen.
Publicou o seu primeiro romance aos 30 anos, Ute av verden, que recebeu o Prémio da Crítica Literária Norueguesa, nunca antes atribuído a uma primeira obra.
No seu segundo romance, En tid for alt (2004), rescreveu fragmentos da Bíblia. O livro foi considerado pelo The New York Review of Books «estranho, irregular e maravilhoso».
No Outono de 2009, Knausgård iniciou um projeto literário singular, a obra autobiográfica A Minha Luta, composta por seis extensos volumes. Com ela obteve vários prémios no seu país, recebeu elogios de escritores e críticos e conquistou centenas de milhares de leitores nas muitas línguas para que foi traduzida.
A Morte do Pai, primeiro volume da série, foi escrito uma década depois de o pai de Karl Ove Knausgård morrer alcoolizado. O autor deambula entre as dúvidas do seu talento, as frustrações atuais e passadas, a descoberta do sexo e do álcool, «essa bebida mágica», e as inseguranças da adolescência e da paternidade.
É o início de uma exploração proustiana do passado e da procura das partículas elementares da sua vida. Knausgård publicou uma coleção de ensaios, Sjelens Amerika, e, em setembro de 2013, adaptou para cinema o seu romance Ute av verden. Criou, entretanto, uma pequena editora.
Vive atualmente em Österlen, na Suécia, em companhia da escritora Linda Boström Knausgård e dos seus quatro filhos.

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