Thrillers de morrer e chorar por mais

Por Ana Bárbara Pedrosa
2 de junho de 2022
Parece que o formato do livro se adapta às mãos – e que por isso é tão difícil largá-lo às vezes. Mas, por vezes, vemos ainda a intenção quase malévola dos autores. Mesmo que queiramos pousar o papel, é impossível. Seguem alguns exemplos de thrillers que nos agarram como mãos.

 
Instinto
Li-o e fiquei com a cabeça a andar à roda. Por vezes, a pressa de chegar à página seguinte era tanta que o que lia me voava ante os olhos. Ao longo da leitura, deixei que a incerteza se instalasse, fui tendo uma certeza aqui e ali, fui querendo estar – sem efeito – à frente da autora, com a omnisciência que um leitor acha poder ter. Finda a leitura, continuei sem saber em quem acreditar. Pensei, falei com amigos e, se nuns dias acho que a conclusão é uma, noutros acho que só pode ser outra. Partindo da premissa da obrigatoriedade de amar os filhos, temos uma situação em que a mãe despreza a dela. A aversão é evidente e o leitor fica indefeso, sem perceber se é a mãe que vê na criança o que os outros negam, se é ela que inventa o que não está lá. Enquanto quem lê tenta perceber de quem é a culpa, vê instalar-se o ressentimento na família.
VER MAIS »








 
Um Crime no Expresso do Oriente
Talvez seja um centímetro de batota sugerir este livro, mas na WOOK não temos vídeo-árbitro. Será o mais conhecido dos romances de Agatha Christie, que tantas gerações acompanhou, assim como tardes na praia ou nos relvados. Poucos divertem tanto como ela e poucos têm a mesma capacidade de manipular o benévolo leitor. Aqui, temos a mais amada das figuras. Hercule Poirot aceita mais um caso e lá o seguimos a seguir pistas como só ele sabe. O Expresso do Oriente para devido a um nevão, pouco depois da meia-noite. Os passageiros ficam lá presos e de manhã descobre-se que um deles foi assassinado enquanto dormia. A tensão acumula-se enquanto o detetive junta as pistas. Ao colá-las, mete-se acima de um crime quase perfeito. Ao leitor, resta a surpresa, assim como perceber antes de Poirot e não poder.
VER MAIS »
Misery
Não se percebe se é o sonho de um escritor ou o pesadelo. Quem escreve fá-lo com a expectativa de tocar e transformar. Aqui, Paul Sheldon tocou demais. Nos seus romances cor-de-rosa, matou Misery, a personagem que lhe deu tantos leitores. E quem se apaixonou por ele e por ela não aceita, não a quer ver morta, quer mais dela. Pouco mais há a fazer do que ir à fonte. E a fonte teve um acidente na neve, foi resgatada por uma ex-enfermeira e ficou acamada na cama dela. Anna Wilkes parece uma hipótese de sobrevivência e vai transformar os seus cuidados numa história de terror. O resgate transforma-se em rapto, a leitora não aceita a morte de Misery e obriga Sheldon a escrever outro livro enquanto o impede de recuperar os movimentos na perna. Acamado, o homem mete-se a escrever a ver se se safa daquela. A aparente simpatia de Wilkes revela a mente de uma psicopata que acusa o autor de psicopatia por ter assassinado a personagem. É que Misery parecia tão real...
VER MAIS »
A Minha Irmã é uma Serial Killer
Problemas na família toda a gente tem, seja um tio-avô que nega a eficácia das vacinas ou uma irmã que mata pessoal a torto e a direito. No caso de Korede, é a segunda, já que vai vendo a irmã Ayoola a ceifar vidas aqui e ali. A aparente simplicidade da mente de uma sociopata é um dos pontos altos do romance, que vai sendo marcado por drama e humor. A Korede, cabe sempre aplacar os golpes. Pragmática e bem-intencionada, acaba por cair nos problemas da irmã, pelos quais se julga sempre culpada. E depois é lindo de se ver: os três últimos namorados de Ayoola apareceram mortos, mas a miúda tem sempre uma justificação e ainda se diz vítima. Korede vê-lhe as contradições e lá se vai questionando: se ele estava a atacar, como é que ela o esfaqueou por trás? A irmã não só não dá muitos detalhes como parece esquecer tudo logo a seguir. Assim, é Korede que tem de lhe controlar a persona online para que a sua indiferença perante a morte ou o desaparecimento de um namorado não fiquem escancarados na Internet.
VER MAIS »

Livros relacionados

Wook está a dar

Subscreva!