Nobel da Literatura 2020: as nossas apostas (parte II)

17 de janeiro de 2020
AS NOSSAS APOSTAS
Todos os anos o mundo literário aguarda expectante o anúncio do vencedor do Prémio Nobel da Literatura. Ansiado por uns, desvalorizado por outros, a atribuição do prémio nem sempre é consensual, mas nunca deixa de pôr em evidência o carácter verdadeiramente universal da grande Literatura.

A lista de nomeados de cada ano mantém-se em segredo durante cinco décadas, mas as estatísticas dizem-nos que os autores que escrevem em língua inglesa, francesa ou alemã estão em vantagem (58 dos 116 premiados), que os escritores do sexo masculino estão em larga maioria (mas que este aspeto se tem vindo a equilibrar nas últimas décadas) e que a idade média do premiado ronda os 66 anos.
Quem irá suceder a Peter Handke e juntar-se à lista de 116 autores laureados ao longo de mais de um século?

Reunimos 12 nomes a descobrir.
Autores de obras verdadeiramente únicas e excecionais que, com ou sem prémio, vale a pena conhecer. Estas são as nossas últimas seis apostas - as primeiras estão aqui. E o leitor? Concorda connosco?

[Pode votar aqui no seu candidato favorito]
MARGARET ATWOOD
Tal como Murakami, também a canadiana Margaret Atwood atingiu o delicado (e raro) equilíbrio entre o sucesso comercial e a aclamação crítica. Aos 80 anos são muitos os prémios que já recebeu. O mais recente é o Booker Prize de 2019 pela obra Os Testamentos em que revisita, mais de trinta anos depois, o mundo criado em A História de uma Serva. A par disso, algumas das suas obras têm sido transformadas em êxitos televisivos. As suas narrativas, que a autora classifica como «ficção especulativa», têm-se revelado cada vez mais proféticas o que torna fácil entender a sua imensa popularidade. A escrita de Atwood convoca um futuro distópico, um mundo em erosão e, simultaneamente, dá voz a personagens femininas complexas trazendo-as para o centro dos seus romances.

Por onde começar? A História de Uma Serva

CORMAC McCARTHY

Outro autor habituado a ver as suas obras transpostas para o grande ecrã é o americano Cormac McCarthy. O crítico Harold Bloom considerou-o um dos maiores romancistas americanos contemporâneos, comparando o seu livro Meridiano de Sangue ao Moby Dick de Herman Melville. Através de uma prosa singular – com uma pontuação minimalista e que oscila entre longos parágrafos poéticos e frases curtas e despidas – McCarthy traça um retrato particularmente violento da América. Frequentemente convocando o imaginário do western, constrói romances épicos onde não faltam anti-heróis, crueldade extrema e uma luta constante entre homem com a Natureza. O cenário dos romances de McCarthy pode ser tipicamente americano, mas a experiência humana é universal.
Por onde começar? A Estrada

ISMAIL KADARÉ

O escritor albanês Ismail Kadaré tem acumulado prémios desde o primeiro prémio Man Booker International em 2005, ao mais recente e prestigiado Neustadt International Prize for Literature, no qual sucedeu a Olga Tokarczuk. Apontado frequentemente como um favorito ao Nobel, o autor é considerado por muitos como o responsável pela descoberta da literatura albanesa que até à publicação do seu primeiro romance – O General do Exército Morto, em 1963 – era praticamente desconhecida. Recorrendo à história, à sátira e à alegoria, os seus livros denunciam o totalitarismo e o absurdo da guerra. Perseguido politicamente, Kadaré – que se exilou em França nos anos 90 – construiu uma obra de resistência que tem na liberdade e na imaginação os seus valores principais.
Por onde começar? O General do Exército Morto

DAVID GROSSMAN

Outro autor que tem de forma sistemática escrito sobre a memória da guerra é o israelita David Grossman. Considerado, a par de Amos Oz, que morreu em 2018, como um dos maiores escritores israelitas contemporâneos, Grossman, que escreve em hebraico, tem sido uma voz de destaque no apelo à paz no conflito israelo-palestiniano. Os seus livros são uma profunda meditação sobre a condição humana em situações extremas. O autor escreve como poucos sobre a dor, a perda, o luto. Depois de vencer o Booker Prize em 2018 com Um Cavalo Entra num Bar, acaba de publicar A Vida Brinca Comigo, um romance sobre uma mulher que regressa a Israel decidida a desvendar a dolorosa história da sua família.
Por onde começar? Até Ao Fim da Terra

JOYCE CAROL OATES

A família é também um dos temas centrais da obra da americana Joyce Carol Oates. Aos 82 anos, publicou mais de uma centena de obras entre poesia, romances, novelas, contos, memórias e ensaios, o que lhe vale o incontestado título de uma das autoras mais prolíficas da atualidade. A ficção de Joyce Carol Oates toca nas feridas da sociedade americana: a questão da raça, a misoginia, a diferença de classes, nada escapa ao olhar implacável de Oates. Numa escrita que doseia suspense e violência, a autora demonstra um domínio exímio das várias formas literárias.
Por onde começar? Terra Amarga

IAN McEWAN

A sensação de um mundo ao contrário será talvez o aspeto que melhor condensa a obra do britânico Ian McEwan. Do romance de guerra que é Expiação à sátira política do seu mais recente A Barata, os livros do autor giram em volta de momentos e escolhas que viram a vida das suas personagens do avesso. Mestre na forma como transporta para as suas narrativas a complexidade da mente humana, a prosa de McEwan coloca os leitores ao espelho em confronto com dilemas morais e problemas atuais e urgentes. A sua obra não só tem sido imensamente premiada, como tem alcançado sucesso com inúmeras adaptações cinematográficas como é o caso recente de Na Praia de Chesil ou A Balada de Adam Henry.
Por onde começar? Na Praia de Chesil

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Conheça os restantes 6 escritores aqui.
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A sua opinião conta.
Este ano, inauguramos uma votação online. Até dia 07/10/2020, basta ir aqui e deixar o seu palpite.
Se acertar, terá um prémio (mas, shhh, não diga a ninguém.)

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