Nobel da Literatura 2020: as nossas apostas (parte I)

as nossas apostas
Todos os anos o mundo literário aguarda expectante o anúncio do vencedor do Prémio Nobel da Literatura. Ansiado por uns, desvalorizado por outros, a atribuição do prémio nem sempre é consensual, mas nunca deixa de pôr em evidência o carácter verdadeiramente universal da grande Literatura.

A lista de nomeados de cada ano mantém-se em segredo durante cinco décadas, mas as estatísticas dizem-nos que os autores que escrevem em língua inglesa, francesa ou alemã estão em vantagem (58 dos 116 premiados), que os escritores do sexo masculino estão em larga maioria (mas que este aspeto se tem vindo a equilibrar nas últimas décadas) e que a idade média do premiado ronda os 66 anos.
Quem irá suceder a Peter Handke e juntar-se à lista de 116 autores laureados ao longo de mais de um século?

Reunimos 12 nomes a descobrir.
Autores de obras verdadeiramente únicas e excecionais que, com ou sem prémio, vale a pena conhecer. Estas são as nossas primeiras seis apostas. E o leitor? Concorda connosco?

[Pode votar aqui no seu candidato favorito]
HARUKI MURAKAMI
Há escritores que, ano após ano, são apontados como favoritos ao Nobel e Haruki Murakami é um desses casos. Será 2020 o ano que marca o final da espera ou terá o autor de continuar a correr (leitores de Murakami entenderão) atrás do prémio? Aos 71 anos conquistou uma legião de leitores um pouco por todo mundo tornando-se num dos escritores japoneses contemporâneos mais reconhecidos. Ao longo da sua obra, Muraki foi criando um estilo imediatamente reconhecível: uma prosa elegante onde a realidade é abalada pelo fantástico; protagonistas solitários e dados à melancolia e uma miríade de referências musicais. Um universo literário com uma identidade própria aclamado em igual medida pelos leitores e pela crítica.

Por onde começar? Kafka À Beira-Mar
ANNE CARSON
Menos conhecida é Anne Carson. A autora canadiana, que também é professora de Estudos Clássicos e tradutora de autores como Eurípides ou Safo, tem vindo a desafiar com as suas obras os limites da linguagem poética e ensaística. Considerada frequentemente como uma das mais importantes poetas da atualidade, a sua poesia incorpora as influências dos autores clássicos e temas universais como o amor, o desejo e a morte, mas fá-lo de uma forma surpreendentemente nova. Um exemplo disso é a sua obra mais recente: Float, publicado em 2016, é um conjunto de mais de vinte pequenos cadernos dentro de uma caixa transparente, que podem ser lidos por qualquer ordem.

Por onde começar? The Beauty of The Husband
ADONIS
Outro poeta merecedor de reconhecimento é o sírio Adonis, pseudónimo de Ali Ahmad Saïd Esber. Herdeiro da tradição árabe, mas também fortemente influenciado pela poesia ocidental e clássica, Adonis, hoje com 90 anos, revolucionou por completo a poesia escrita em árabe. A par disso, o autor assume-se como um crítico do fundamentalismo, defendendo o secularismo e recusando a ideia da poesia como um veículo para uma ideologia. Uma poesia muitas vezes mística, repleta de imagens fortes, que marcou de forma definitiva as gerações seguintes.

Por onde começar? O Arco-Íris do Instante
MILAN KUNDERA
Igualmente na casa dos noventa está o autor checo mais traduzido a seguir a Kafka. Milan Kundera tem tantos argumentos a seu favor que talvez a Academia Sueca se tenha esquecido que ainda não lhe concedeu o Nobel. A ser-lhe atribuído o prémio, o autor, que tem dupla nacionalidade checa e francesa, tornar-se-ia o laureado mais velho – ultrapassando Doris Lessing que recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 2007 com 88 anos. Autor de uma vasta obra, os romances de Kundera, pontuados por irresistíveis toques de humor e erotismo, têm um forte pendor filosófico e tentam abarcar toda a complexidade da experiência humana com ênfase na tensão entre a memória e o esquecimento e entre o individual e o coletivo.

Por onde começar? A Insustentável Leveza do Ser
NGUGI WA THIONG'O
Também esquecidos do Prémio Nobel da Literatura costumam ficar os autores africanos – desde 1901 apenas quatro autores conquistaram o prémio – e por isso talvez 2020 seja o ano certo para finalmente premiar o queniano Ngugi wa Thiong'o. Citado como uma influência determinante por autores como Chimamanda Ngozi Adichie, Ngugi é um defensor da descolonização da literatura africana e da ideia de que os autores africanos devem escrever na sua língua materna. O próprio autor fez esse percurso. Depois de publicar os seus primeiros romances em inglês passou a escrever em gikuyu, a sua língua materna. Autor de romances ricos que combinam a sátira, a mitologia africana e que traçam um retrato do Quénia pós-colonial, os livros de Ngugi demonstram as inúmeras possibilidades de uma literatura que abraça a sua identidade cultural e linguística.

Por onde começar? Devil on the Cross
JOAN DIDION
Numa altura em que cada vez mais se discute a crise do jornalismo, Joan Didion emerge como um nome a considerar. Autora de culto nos Estados Unidos, a escrita de Didion ajudou a redefinir o jornalismo americano dos anos 60. Como repórter escreveu sobre os movimentos de protesto pelos direitos civis, os conflitos raciais e a contracultura, mas é na sua escrita ensaística, nos seus romances e nos seus livros de memórias que é mais evidente o seu olhar perspicaz sobre a realidade, mesmo a mais dolorosa. O foco de Didion é sempre a história que está a ser contada e isso é conseguido através de uma prosa precisa e desenvolta, inspirada por Ernest Hemingway. Afinal, como nota a própria autora, «a capacidade de pensar por si próprio depende da capacidade de dominar a linguagem.»

Por onde começar? O Ano do Pensamento Mágico
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EM ATUALIZAÇÃO:
Para a semana, serão revelados os restantes seis candidatos ao mais prestigiado prémio literário do mundo.

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A sua opinião conta.
Este ano, inauguramos uma votação online. Até dia 07/10/2020, basta ir aqui e deixar o seu palpite.
Se acertar, terá um prémio (mas, shhh, não diga a ninguém.)

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