O Protocolo Caos, o thriller que desenreda as teias do poder russo

Por Vera Dantas
5 de novembro de 2024
«Um homem encapuzado sai do carro e abre fogo contra a multidão. Morrem dezenas de pessoas, incluindo bebés. Depois do massacre, tira a máscara e revela a sua identidade: Tomás Noronha.»
Assim nos é apresentado o novo e muito aguardado romance de José Rodrigues dos Santos, o escritor bestseller cuja escrita ecoa em cada vez mais leitores fiéis.
Inspirado em factos reais, O Protocolo Caos, destaque da semana WOOK/RFM, transporta-nos ao coração da atualidade e mostra-nos como a Rússia e os seus cavalos de Troia no Ocidente usam as redes sociais para destruir o nosso mundo. Um thriller que junta a cuidada investigação do seu autor, que faz a ponte do jornalismo para a ficção com um estilo único e muito elogiado.
As duas facetas de José Rodrigues dos Santos complementam-se: na ficção literária, encontra um espaço mais pessoal e livre para exprimir a verdade de uma maneira mais poderosa, desconstruindo mitos, dogmas e tabus. Defende que é esse o verdadeiro papel de um escritor. Nos seus romances bestsellers, a atualidade entretece-se no enredo, quase sempre protagonizado pelo temerário professor de História, Tomás de Noronha. Conheça melhor o autor nesta entrevista que nos concedeu, na altura do lançamento de A Mulher do Dragão Vermelho.

Se não resiste a espreitar esta nova aventura protagonizada por Tomás Noronha, pode ler já, abaixo, um excerto de O Protocolo Caos.
O livro, encontra-o sempre na WOOK.

    «A imagem formou-se no ecrã, mostrando um homem de capuz, óculos escuros a taparem-lhe os olhos e um lenço a cobrir-lhe as feições do rosto. A referência do link no topo da imagem indicava o sinal da aplicação Facebook Live, confirmando que se tratava de um livestream. O encapuzado abriu a porta de um automóvel estacionado no passeio e instalou-se no lugar do condutor; transmitia-se a si próprio em direto a partir do que parecia ser um smartphone.
    O desconhecido encarou a câmara e respirou fundo, fitando os espectadores que assistiam a tudo através do Facebook Live. Nos bancos traseiros amontoavam-se armas semiautomáticas e caixas de munições.
    “A festa vai começar.”
    A imagem tornou-se turbulenta, sacudindo-se de um lado para o outro; ora mostrava o assento, ora o teto, ora o tabliê. Por fim estabili zou ao alto, deixando ver o volante, o painel de bordo e a paisagem revelada pelo vidro dianteiro, incluindo a rua, as casas e as árvores nos passeios. Claramente o smartphone acabara de ser fixado no topo do capuz do homem.
    O carro arrancou, começando a movimentar-se pela rua. Uma canção numa língua eslava irrompeu no interior, sem dúvida proveniente do sistema de som da viatura.

    Od Bihaca do Petrovca sela, do Petrovca sela
    Srpska zemlja napadnuta cela, napadnuta cela

    Karadžicu vodi Srbe svoje, vodi Srbe svoje
    Nek se vidi, nikog se ne boje, nikog se ne boje

    O percurso durou apenas alguns minutos, sempre ao ritmo da mesma canção.

    Joj da vide hrvatske Ustaše, hrvatske Ustaše
    Ne dirajte vi ognjište naše, vi ognjište naše

    A certa altura apareceu no passeio um longo muro branco, escure cido pela humidade e rasgado a meio por um portão que dava acesso a um enorme edifício. A cúpula dourada e o minarete, juntamente com os grupos de pessoas de aspeto paquistanês, afegão, malaio ou de outras regiões da Ásia que para o edifício convergiam, tornavam claro que se tratava de uma mesquita.
    O automóvel estacionou na berma, a canção calou-se e o motor também. O relógio digital no tabliê assinalava as 13h40. A imagem rodou, viu-se a rua e a seguir os bancos traseiros com as armas e as munições, os braços estendidos do homem a remexerem o material bélico; o condutor tinha-se apeado e pelos vistos selecionava as armas. Escolheu uma caçadeira de canos serrados, a expressão kebab remover esculpida na coronha, e carregou-a com balas. A seguir pegou numa espingarda semiautomática AR-15 e pendurou-a a tiracolo. Depois armou a caçadeira. Tudo com muita calma.
    Já devidamente equipado, fechou a porta do carro e começou a cami nhar. Junto ao portão estavam quatro jovens asiáticos à conversa, três de jeans e um de kaftan branco. Os jovens olharam-no com uma certa surpresa; não era evidentemente normal um desconhecido de capuz e smartphone fixado sobre a cabeça entrar no recinto da mesquita com uma caçadeira de canos serrados nas mãos e uma AR-15 pendurada ao ombro.
    Um dos jovens, o de kaftan, ergueu a mão hesitante.
    “Olá, irmão.”
O recém-chegado apontou-lhe a caçadeira e disparou. Ato contínuo, e quase como se estivesse num jogo de vídeo, virou a arma para os restantes, todos paralisados de surpresa, e disparou sucessivamente até ficarem os quatro estendidos no chão, a terra molhada de sangue. Eclodiram gritos e a imagem mostrou alguns homens, mulheres e crianças a correrem desvairados em várias direções, em busca de abrigo. Apontou ao acaso para eles, sem discriminar mulheres e crianças, e voltou a abrir fogo. Derrubou assim várias pessoas até as balas se esgotarem.
    Atuando sempre de forma calma e metódica, o intruso encaminhou- -se então para a mesquita, ao mesmo tempo que ia recarregando a caça deira com munições. Múltiplos sapatos amontoavam-se à porta. Entrou no edifício e deparou-se com dezenas e dezenas de fiéis, provavelmente até centenas de pessoas, a maior parte sentada no grande tapete azul- -turquesa a meio das suas orações, os mais próximos da porta com uma expressão inquisitiva nos olhares; pelos vistos não tinham ainda percebido o que se estava realmente a passar.
    Não perdeu tempo. Apontou para o homem mais próximo e dispa rou. Voltou a caçadeira para um segundo homem e disparou. Depois para um terceiro e disparou. Desencadeou-se um verdadeiro pande mónio no interior da mesquita. A multidão abriu alas, tentando esca pulir-se por qualquer passagem ou abrigo por onde se pudesse esgueirar como água a deslizar pelas escapatórias, mas o intruso não parava de disparar e os crentes que não conseguiam fugir tombavam em sucessão. Dir-se-ia mesmo um videojogo.»

Excerto do Prólogo de O Procolo Caos, de José Rodrigues dos Santos, pp. 13-15.

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