A magia dos livros-jogos
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@literacidades
29 de agosto de 2023
É um tipo de livro que foge à construção tradicional do enredo. Aqui, o leitor escolhe por onde avançar, desvenda mistérios, junta pistas ou decide o que fazer com determinada personagem. Os livros-jogo ganharam um novo fôlego com a edição do famoso A Mandíbula de Caim. Mas o género é vasto e serve miúdos e graúdos. Afinal, quem nunca teve vontade de ter mão no rumo de uma história?
Endgame – A Chamada
Jogar computador e ler não têm de ser atividades de costas voltadas. Se gosta de ambas, ou se existe lá por casa alguém que passa horas em frente ao ecrã e não liga aos livros, esta talvez seja uma boa forma de agradar a gregos e a troianos. Mas não, não se trata de regressar à Antiguidade Clássica, mas sim de imaginar um futuro onde um grande jogo final, literalmente Endgame, vai ditar o destino da Humanidade. Existem doze linhagens em competição, mas somente aquela que conseguir encontrar primeiro as três chaves escondidas algures vencerá. Além de ser um livro que capta a atenção de quem adora jogar, e garantimos que foi o que aconteceu aqui em casa, é ele próprio uma leitura voraz, daquelas que utiliza as mesmas fórmulas dos jogos de vídeo, e que traz uma experiência paralela no mundo real.
QUERO LER!
Jogo Mortal
Entre os escritores portugueses de thrillers e policiais, Bruno M. Franco é, na nossa opinião, aquele que mais arrisca novas formas e nos entrega histórias que não apenas nos captam pelo enredo e personagens, como acrescentam elementos inéditos ou raros na ficção do género em Portugal. Neste Jogo Mortal, o autor inseriu no livro uma série de QR codes para aceder a vídeos no Youtube que nos vão dando pistas sobre a história. Podemos ler apenas o que está escrito, mas a experiência de leitura fica mais parecida com um jogo quando vamos também vendo e ouvindo o que o próprio autor nos diz nesses vídeos. O enredo, um jogo para o qual são convocadas pessoas aparentemente aleatórias e que desemboca num labirinto mortal, é de cortar a respiração, e faz lembrar as tramas urdidas por Stephen King ou Joel Dicker.
QUERO LER!
O Jogo do Mundo – Rayuela
Rayuela, em espanhol, é o nosso tradicional “jogo da macaca”, que nos punha aos saltos quando éramos miúdos. E é mesmo disso que trata este puzzle de Cortázar. O leitor pode seguir uma ordem tradicional, ou seja, lendo as páginas com a numeração crescente, ou então ir na onda do que sugere o autor e saltitar de capítulo para capítulo, sem ordem específica. A experiência de leitura de uma ou de outra forma é diferente e já por isso vale a pena tentar ambas. O Jogo do Mundo pressupõe método por parte do leitor e uma dedicação extra para que não nos percamos entre páginas. Mas, num tempo em que tanto se fala de mindfulness e atenção ao presente, estar plenamente concentrado numa história não nos parece nada mal. De um lado, Oliveira e “Maga” em Paris; do outro Oliveira, Talita e Traveler em Buenos Aires. A decisão, essa, está do seu lado.
QUERO LER!
Os Sinais do Coração
Aqui não temos propriamente um enredo, mas uma série de desafios que os autores deste livro nos lançam, para que vejamos de forma diferente as letras que formam a palavra “coração”. O primeiro é de que pousemos o livro que estamos a ler e peguemos num bom velho dicionário de papel, consultando primeiro a letra “C”. Mas do hermetismo da convenção, os autores convidam-nos a uma dança com as letras, propondo que as juntemos livremente, dando-nos outra perspetiva sobre o que constitui, de facto, uma palavra. O “Til” e a “Cedilha” são personagens que se encontram e que despertam um no outro memórias escondidas: ondas do mar, férias passadas, e até as maiúsculas são pistas para que o leitor brinque com o jogo de intenções dos autores e se deixe levar por este baile das letras. Há ilustrações, desenhos e fotografias que nos ajudam a compor uma história de amor que, na nossa opinião, ultrapassa a questão da idade, para se tornar um jogo delicioso para toda a família brincar.
QUERO LER!