Jogos Olímpicos com livros
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17 de janeiro de 2020
Procurámos, durante duas semanas, saber que livros levaram os atletas olímpicos portugueses na bagagem para os Jogos que esta semana arrancam em Tóquio. Mas só a marchadora Ana Cabecinha respondeu ao repto. Escolhemos, por isso, mais quatro histórias para ler enquanto se acompanham as olimpíadas a partir do aconchego do sofá — as quais podem também servir de inspiração (ou distração) a Patrícia Mamona, Nelson Évora, Fernando Pimenta, João Almeida, Marcos Freitas & companhia.
ASTÉRIX NOS JOGOS OLÍMPICOS
Depois de assistirem aos treinos do atleta romano Claudius Cornelius, em preparação para representar a guarnição de Aquarius nos jogos do Olimpo, Astérix e Obélix decidem-se a participar também no evento, integrando uma equipa romano-gaulesa e a vasta comitiva que andará por Atenas a fazer turismo. A bem do cumprimento das regras anti-doping, os gauleses não podem, todavia, valer-se das vantagens proporcionadas pela poção mágica. Mas Astérix demonstrará que a inteligência também vale triunfos nos Jogos Olímpicos.
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CEMITÉRIO DE PIANOS
Drama familiar e poético de uma família lisboeta, o quarto romance de José Luís Peixoto recupera também a história do maratonista Francisco Lázaro, que integrou a comitiva olímpica portuguesa nos Jogos de 1912, em Estocolmo, onde perdeu a vida durante a prova disputada a 15 de julho. Ao quilómetros 29, o atleta cai: “pedras: a minha face assente sobre a estrada, o mundo turvo a partir dos meus olhos, a minha boca a sorver pó, as minhas pernas queimadas, brasas”. Lázaro agoniza enquanto “o silêncio passa sobre o cemitério de pianos” e morre ao mesmo tempo que, em Lisboa, lhe nasce o filho que a ficção engendra.
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OS RAPAZES DE OURO
Menos conhecido do que a celebérrima história do triunfo do velocista Jesse Owens sobre a bazófia nazi, o exemplo de superação de uma equipa de nove caloiros pobres da equipa de remo da Universidade de Washington marcou também os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936. Daniel James Brown conta essa improvável vitória num livro que se lê como um romance e que evoca a devastada paisagem socioeconómica dos Estados Unidos da América durante a Grande Depressão, contrastando com o grande investimento nazi visando o domínio desportivo e político dos alemães.
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A PISTA DE GELO
É admissível pensar que o primeiro romance de Bolaño (publicado em 1993) se adequaria melhor às olimpíadas de Inverno. Mas na ficcional cidade de Z, perto de Barcelona, o tempo é sempre quente e as esplanadas estão cheias de veraneantes. Não vale a pena, pois, esperar pelo frio para acompanhar os arabescos que a bela Nuria Martí desenha na pista de gelo clandestina construída numa mansão abandonada, enquanto procura regressar à equipa olímpica de patinagem. Há, para além disso, um homicídio e um autarca ao qual o amor e o desejo lançarão nos braços do nepotismo e da corrupção — e há também, claro, a torrencial e viciante escrita do autor chileno.
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ENCONTREI O AMOR ONDE MENOS ESPERAVA
Ana Cabecinha, a sexta classificada dos 20 quilómetros marcha dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, vai também estar presente na olimpíada de Tóquio e escolheu dois livros para a viagem: Encontrei o Amor Onde Menos Esperava, de Fátima Lopes, e Durante a Queda Aprendi a Voar, de Raul Minh’alma.
O primeiro já está a ser lido e a marchadora diz que tem estado “a adorar”, presa a cada letra “para saber o que se segue a cada capítulo”. O segundo, diz, tem um significado especial, uma vez que a atleta perdeu o pai em abril e encontrou no livro uma frase inspiradora: “Mesmo que doa precisamos de seguir em frente”.
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O primeiro já está a ser lido e a marchadora diz que tem estado “a adorar”, presa a cada letra “para saber o que se segue a cada capítulo”. O segundo, diz, tem um significado especial, uma vez que a atleta perdeu o pai em abril e encontrou no livro uma frase inspiradora: “Mesmo que doa precisamos de seguir em frente”.