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Vozes Uivando Para a Lua Cheia

de António Ferreira
Editor: Âncora Editora, dezembro de 2006 ‧
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Este livro é uma colectânea de onze contos que o júri do Prémio Literário OrIando Gonçalves da Câmara Municipal da Amadora comentava assim: "Aqui, Eros e Tanatos jamais conseguirão cortar o cordão umbilical, feito do pacto entre pulsão erótica e a inevitabilidade da morte".
Dir-se-ia que aquilo que mais conta para o autor são as possibilidades expressivas da sujidade do real, e a realidade entendida como matéria plástica. "Porém, o escritor messiânico é uma vetusta figura de museu, e os jornais de todos os dias fazem mais pela fotogenia das alfurjas sociais do que a maioria das obras de ficção", escreveu algures António Ferreira. Poderia evocar-se, a propósito deste livro, a célebre máxima programática de Tchekov: "dar voz ao horror que sobe à superfície do quotidiano", mas é bom lembrar que o autor o faz com pudor e distância.
Há em Vozes Uivando para a Lua Cheia uma contínua desfasagem entre a violência do narrado e, por exemplo: o tom coloquial do monólogo de Entre- -Ambos-os-Rios que naturaliza o absurdo; a deriva onírica (na esteira de Bruno Shulz e Stig Dagerman) de Yerebatan Sarayi, que desfoca o correr da narrativa e o tom hiperbólico que dá livre curso à crueldade das fantasias de A Bordo de um Jornal, escrito como se fosse um capítulo de O Piolho Viajante, esse clássico esquecido do século XIX.

Vozes Uivando Para a Lua Cheia

de António Ferreira

Propriedade Descrição
ISBN: 9789727801695
Editor: Âncora Editora
Data de Lançamento: dezembro de 2006
Idioma: Português
Dimensões: 139 x 231 x 9 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 144
Tipo de produto: Livro
Coleção: Holograma
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789727801695
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

SOBRE O AUTOR

António Ferreira

Nasceu em Lisboa, em 1528. Foram seus pais Martins Ferreira, escrivão de fazenda do Duque de Coimbra, (D. Jorge de Lencastre), e Mexia Froes Varela. Estudou em Coimbra, em cuja Universidade se formou em Leis. Aí encontrou mestres, como Diogo de Teive, que ensinava Humanidades e com quem versou as Literaturas greco-romanas, e Jorge Buchanan; paralelamente, Sá de Miranda fazia a propaganda do dolce stil nuovo praticado pela escola italiana.

António Ferreira correspondeu-se com os expoentes do Humanismo de então: Diogo de Teive, Buchanan, Sá de Miranda, Diogo Bernardes e Pero Vaz de Caminha, entre outros. Fez de Horácio o seu livro de cabeceira, chamando-lhe familiarmente o meu Horácio, a quem obedeço.

Aos 28 anos foi desembargador da Relação de Lisboa. Em 1556, casou com D. Maria Pimentel, que morreu prematuramente. À sua morte dedicou o poeta sentidos sonetos. Em 1564, casou com D. Maria Leite e viveu algum tempo nas propriedades do sogro, em Mirandela. Em 1569, sucumbiu ao contágio destruidor da peste. A viúva recolheu-se a Cabeceiras de Basto com dois filhos de tenra idade.

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