Verão No Aquário

de Lygia Fagundes Telles
Editor: Editorial Presença, março de 2006 ‧
Galardoada com a mais recente edição do prémio Camões, Lygia Fagundes Telles deixa-nos antever na sua prosa a força arrebatadora do seu espírito. Brasileira de origem, encontra em Portugal o país irmão para dar a conhecer o seu trabalho literário, fruto de uma longa carreira cada vez mais consolidada. Autora de contos é porém no romance que o seu estilo mais se evidencia através do desenvolvimento psicológico das personagens, da descrição dos ambientes e de uma realidade povoada pelas relações humanas, profundas e contraditórias na sua essência. A solidão, o desejo, a rejeição, a dor, a saudade, são sentimentos revisitados por Lygia Fagundes Telles, através de um tom irónico e satírico que põe em confronto a existência e a ausência. Publicado em 1963, Verão No Aquário é uma história de desencontros, personificada na relação atribulada entre uma mãe e uma filha, Patrícia e Raíza. Ambas se confrontam pela atenção do exterior, dos outros, sobretudo daqueles que lhes podem dar amor, paixão e conforto. A segurança no próprio ser é encontrada na aprovação de conhecidos e amigos que com elas privam como um jovem que se prepara para seguir a vida eclesiástica. Cansada de lutar pela vida é no calor e no tédio de um Verão prolongado que Raíza se sente aprisionada como um peixe num aquário. Quando chegará a libertação? Mais um romance da grande senhora das letras brasileiras.

"Eu sou uma inconformada, só os idiotas é que não mudam."
Lygia Fagundes Telles

Verão No Aquário

de Lygia Fagundes Telles

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722335232
Editor: Editorial Presença
Data de Lançamento: março de 2006
Idioma: Português
Dimensões: 149 x 232 x 10 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 192
Tipo de produto: Livro
Coleção: Grandes Narrativas
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722335232
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Aquário

Eduarda Bandeira

O título do livro está muitíssimo bem conseguido, porque, de facto, a vida da Raíza decorre em círculos, como o peixe dentro do aquário, não lhe acontece nada de mal, mas também não lhe acontece nada de bom, tem vagos laços com o passado, mas não tem ilusões de futuro. O ambiente é saturado e húmido, como se o verão limitasse qualquer vontade, qualquer gesto. Uma aguarela manchada de uma camada social decadente nos anos de 1960s. Prosa excelente, quase poética, que obriga o/a leitor/a a pôr muito de si no texto, e esta é a maior dádiva que um autor pode ter.

SOBRE O AUTOR

Lygia Fagundes Telles

Lygia Fagundes Telles (1918-2022) é uma das mais importantes ficcionistas da literatura brasileira, tendo-se destacado como romancista, contista e argumentista, áreas em que foi reconhecida com vários prémios ao longo do seu percurso, desde a publicação do primeiro livro de contos — com apenas 20 anos — até à atribuição do Prémio Camões em 2005. Dos vários géneros a que se dedicou, o conto foi sempre enaltecido como aquele em que o seu talento narrativo evidencia o seu fulgor e originalidade. Natural de São Paulo, aí cresceu, estudou, desenvolveu atividade jurídica e dirigiu a Cinemateca Brasileira, sempre de acordo com um firme entendimento interventivo da vida artística e cultural que a terá levado mesmo a projetar um Museu de Literatura Brasileira, com a colaboração dos muitos amigos escritores que sempre a acompanharam. Em 1985, amadrinhada por Rachel de Queiroz, foi eleita para a Academia Brasileira de Letras. Partilha com Manuel Bandeira o dia de aniversário, 19 de abril. A propósito da feliz coincidência, escreveu o poeta: «Salve o dia 19/ Onde nascemos os dois/ Eu, no século passado/ A Lygia um século depois.»

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