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Terrinhas

de Catarina Gomes
Editor: Gradiva, agosto de 2022 ‧
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RECOMENDADO PELO PLANO NACIONAL DE LEITURA
Houve um tempo em que a terra era tudo. Ou quase. Hoje, diz-se, vale pouco, quase nada. Muitos são os portugueses com ligações à «terrinha», que de lá saíram mudando o rumo das vidas. E vão regressando, em passagens breves que alimentam memórias, mas pouco adubam raízes. As novas gerações, que não viveram na «terrinha» dos seus ascendentes, terão dela lembranças de superfície.

Este romance, centrado numa mulher tipicamente citadina dessas novas gerações, coloca em confronto o mundo rural e o mundo urbano. E a propósito de batatas, das «nossas», que os pais todos os anos trazem da aldeia de infância, desfia a distância entre o «seu» mundo e esse «outro». Julgando ter a aldeia de Arrô arrumada no passado, uma inesperada herança leva-a a mudar a forma como olha para o pai e a mãe, que lhe pareciam de lá em pequena parcela; a avó, uma quase estranha; o avô, que nunca viu, «morreu cedo». E tanto se altera, por causa de tão poucos metros quadrados!

«A alegria e a comovente ternura na avaliação da vida e da morte, associadas a uma escrita fluida e elegante, dão a este romance um indiscutível alcance literário, que importa valorizar e divulgar», realçou o júri do Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís.
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Portugal escrito nas famílias

Se há coisa de que gostamos são histórias de famílias ancoradas no contexto histórico, social e cultural da realidade de um país. Então quando é o nosso, parece que a leitura ganha um duplo sabor de emoção e conhecimento.

  Revolução Ficamos com a sensação de que estamos perante um grande romance. Hugo Gonçalves traz-nos o inesperado e esse foi um dos grandes prazeres que retirámos desta leitura. Quem espera encontrar aqui uma distorção da realidade, como em Deus, Pátria, Família, uma distopia como O Coração dos Homens ou um terno legado de O Filho da Mãe, é surpreendido pelo rendilhado minucioso da história da revolução de 25 de abril de 1974 e das suas consequências numa família. A irmã revolucionária, o irmão boémio, a outra irmã, conservadora, representam bem os arquétipos sociais da época. O clima de tensão, de expectativa, que se viveu naqueles anos, associa-se ao de uma família em tumulto. Muitas vezes íamos consultar a Internet para saber se aqueles acontecimentos se tinham mesmo dado daquela maneira, se todo aquele clima de pré-guerra civil era real. Descobrir o nosso tempo recente, enquanto país, é conhecermos melhor o universo dos nossos pais e avós. Um livro família, onde não falta Deus a pairar sobre os desígnios da pátria. COMPRO NA WOOK >







  As três mortes de Lucas Andrade Começámos o ano com este romance de Henrique Raposo, que ao longo das suas seiscentas e trinta e cinco páginas nos conta a história de vida de João Miguel, Rucinho e Lucas Andrade, que são, afinal, a mesma pessoa. O êxodo dá-se ainda em criança, quando a família abandona a sua aldeia na Serra da Estrela e se junta aos restantes parentes, que estão já num dado bairro da periferia de Lisboa, lutando por uma vida com mais condições, seduzidos pelo progresso, pelos carros, pelas modernidades. Num dado Bairro do Janeirinho, porém, o miúdo serrano vai chocar contra uma parede de violência que caracterizou a periferia da capital ao longo dos anos oitenta e noventa do século passado, num retrato duro mas realista de como a droga e o crime imperavam impunes perante a indiferença de todos. Há um leque de personagens tão bem construído que as temos por parentes nossos, pouco depois de as começarmos a ler. Mesmo quando o Rucinho cresce e se torna escritor, continuamos dentro da cabeça daquele rapaz, simultaneamente assustado e maravilhado com o mundo. COMPRO NA WOOK > Terrinhas Ser português é também termos, cada um de nós, a nossa “terrinha”. A miséria dos tempos da ditadura, as sucessivas crises, a procura de melhores condições de vida, a vontade… levou-nos a procurar maioritariamente o litoral para viver. Na “terrinha” quase sempre deixámos avôs e avós, numa casa com um pequeno terreno, onde quase de certeza se plantavam batatas. Este Terrinhas, da mesma autora de Coisas de Loucas, conta-nos a história de uma mulher que recebe a indicação de que lhe foram deixados alguns terrenos na terra natal da sua família, Arrô. Mas, muito mais do que um romance em que uma personagem é confrontada com uma herança inesperada, Terrinhas é um livro sobre migrações dentro de Portugal, sobre o facto de que, ao mudarmos do interior para o litoral, não é apenas uma deslocação de corpos e objetos que fazemos. À semelhança do livro de Henrique Raposo, também aqui não há a romantização do campo. Pelo contrário, Catarina Gomes conta-nos a história de convivências agrestes, desfazendo a ideia da calma bucólica da aldeia contraposta ao bulício da cidade. COMPRO NA WOOK >

Terrinhas

de Catarina Gomes

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897851674
Editor: Gradiva
Data de Lançamento: agosto de 2022
Idioma: Português
Dimensões: 147 x 219 x 17 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 256
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897851674

Adorei

Ana

Este livro oferece uma leitura deliciosa sobre o que creio serem as últimas gerações com raízes rurais em Portugal. Escrito como um retrato vívido, rico em detalhes e com uma ironia subtil. Foi-me recomendado, o que muito agradeci, e já o ofereci a várias pessoas que sem exceção gostaram.

Terrinhas

Cláudia Santos

Uma viagem ao nosso imaginário de infância. Terrinhas é um livro que nos leva às aldeias da nossa infância e aos detalhes que nos marcam para a vida.

Excelente romance

José Pereira

Excelente livro, uma revelação, é fantástica como descreve o amor pela terrinha. Uma escrita ternurenta e que descreve de uma forma fantástica o sentimento de amor por tudo que nos pertence.

SOBRE O AUTOR

Catarina Gomes

Catarina Gomes nasceu em Lisboa em 1975. É autora de quatro livros de não-ficção e de um romance. Com Furriel Não É Nome de Pai quebrou um tabu, contando pela primeira vez a história dos filhos que os militares portugueses tiveram com mulheres guineenses, angolanas e moçambicanas durante a Guerra Colonial portuguesa e que deixaram para trás. A obra deu origem a uma série documental da sua autoria, Filhos de Tuga (RTP1). Antes, em Pai, Tiveste Medo? abordara a forma como a experiência do conflito chegou à geração dos portugueses filhos de ex-combatentes. Em Coisas de Loucos mergulha nas vidas de oito doentes psiquiátricos a partir de objetos pessoais que estes deixaram para trás no primeiro manicómio português. O livro foi adaptado a teatro. O seu primeiro romance, Terrinhas, cujo fio condutor são as batatas que os pais da protagonista traziam todos os anos da aldeia de infância, venceu o Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís. As quatro obras foram incluídas no Plano Nacional de Leitura. No seu último livro, Um Dedo Borrado de Tinta, conta a história de pessoas que nunca puderam aprender a ler. Foi jornalista do Público durante quase 20 anos. Tem o Master em Media and Communications pela London School of Economics. Recebeu alguns dos prémios nacionais mais importantes da área. Foi duas vezes finalista do Prémio de Jornalismo Gabriel García Marquez e foi-lhe atribuído o Prémio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha. Foi uma das escritoras convidadas para o Iowa International Writing Program. O seu site é www.catarina-gomes.com

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