Caruncho
SINOPSE
Contada a duas vozes, pela jovem e pela avó, esta história de rancor e vingança é indissociável da memória do lar assombrado, de espectros que clamam justiça, entre quatro paredes sobre as quais pesam traumas herdados e décadas de violência e opressão.
Um aclamado romance de estreia, com ecos de Pedro Páramo, de Juan Rulfo, e de alguns contos de Silvina Ocampo, em que se entrelaçam terror, injustiça social e uma pesada herança familiar que, como o caruncho, corrói as protagonistas.
CRÍTICAS
«Um acontecimento literário.»
Belén Gopegui
«Uma casa de mulheres e sombras, feita de vingança e poesia.»
Mariana Enríquez
«O livro das miseráveis e das infelizes que dizem basta.»
Alana S. Portero
CRÍTICAS DE IMPRENSA
«Lírico e cru, este livro incómodo assombra-nos.»
José Mário Silva, Expresso
«Uma leitura perturbadora e fascinante.»
Visão
«Uma história de traumas herdados, de memórias assombradas pela violência e pela opressão.»
José Riço Direitinho, Público
BLOG WOOKACONTECE
O PNL tem livros recentes?
A conversa veio à praça pública recentemente. Afinal, o Plano Nacional de Leitura (PNL) não se atualiza? Ou haverá, antes, alguma confusão, na sociedade, entre as propostas deste programa público cultural de incentivo à leitura e os livros que constam do currículo da disciplina de português, que privilegiam sobretudo os clássicos? É capaz de ser por aí. Pusemos mãos à obra e vimos que o ano de publicação média dos livros sugeridos pelo PNL para setembro é 2016, e que, se excluirmos os 18 clássicos sugeridos, entre os outros 122 livros, 24% foram editados em 2023 e 2024, livros que estão ainda dentro da lei do preço fixo e são, portanto, considerados novidades. O facto de estas representarem um quarto do total de livros sugeridos para um mês levam-nos a supor que o PNL está bem vivo e de olho no que se publica. Vejam bem que nós, que fazemos incontáveis “atualizar” nas páginas das livrarias, até descobrimos alguns que não conhecíamos. Vamos a esses e a outros, que muito nos alegrou vermos por lá. Marzhan, Mon Amour Como é que este livro não vive cá em casa há mais tempo? Publicado em Portugal este ano, conta-nos a história de uma mulher a braços com a crise da meia-idade, altura em que se questiona se não se terá já vivido mais anos do que aqueles que temos pela frente. É uma época de grandes perguntas, sem dúvida. No caso da personagem principal, a mudança foi radical. De escritora a pedicure não é um caminho habitual. Mas foi isso mesmo que resolveu fazer. No bairro de Marzhan, a nossa protagonista arranja os pés dos clientes enquanto lhes vai ouvindo histórias e formando um mosaico de realidades. O que fez com elas? É lendo este livro que vai descobrir. COMPRO NA WOOK! » Estela sem Deus Bom, este já conhecíamos de ginjeira e já lemos a obra toda de Jeferson Tenório, tal é o grau de paixão que nos move pelas letras deste autor. Publicado por cá, já estava O Avesso da Pele, e foi com alegria que, em 2024, vimos chegar às livrarias este Estela sem Deus, que em nada lhe fica atrás. Nele, encontramos Estela, uma menina que quer ser filósofa mas a quem a vida, mercê do preconceito e da pobreza, vai acabar por cortar as asas, fazendo-a, tal como um ovo caído do ninho, estilhaçar a esperança e ceder à injustiça dos dias. É uma das personagens mais ternas de sempre e a sua perseverança, não obstante o cenário de miséria e violência em que se move, é muito, muito tocante. COMPRO NA WOOK! » Caruncho Saiu por cá em março deste ano, e quando vimos que Mariana Enríquez se referira a ele como «uma casa de mulheres e sombras, feita de vingança e poesia», não houve como não o ler imediatamente. Trata-se de uma narrativa em que a luta da mulher pela valorização do seu papel sobressai, fazendo deste um livro profundamente feminista, mas que toca outros temas também, que lhe estão relacionados, como o abandono da terra ou os resquícios da ditadura numa Espanha que poucos conhecem. Estes temas são aqui tratados recorrendo a uma narrativa onde o terror está presente, como melhor forma de emoldurar o clima denso, o ambiente de constante espera, de medo, em que a personagem principal vive, quando regressa à casa de família. COMPRO NA WOOK! » Gato Comum Foi também pelo PNL, e as suas sugestões para o regresso às aulas, que percebemos que havia nova banda desenhada de Joana Estrela, o que é sempre um motivo de celebração. Ainda para mais quando nos fala de um tema que nos é tão caro, o amor pelos animais e o seu acompanhamento até aos dias finais das suas vidas. Nós somos pessoas de cães, mas pelas casas de família também já vários gatos passaram e a verdade é que deixaram marca. Ainda hoje se fala da gata Fernanda, que, depois de jantar, ia pedir comida a todos os vizinhos e também o Koala é parte da família, o nosso sobrinho felino, de temperamento dócil e dedicado. No novo livro de Joana Estrela, deparamo-nos com o momento da despedida, inevitável mas que aparece sempre com um assombro inesperado. COMPRO NA WOOK! » Terceiro andar sem elevador Abril de 2024 trouxe com ele um novo livro de Susana Moreira Marques. E isso é sempre bom sinal. Neste livro, escritora e personagem entrelaçam-se para narrar diferentes situações para as quais, aparentemente, assim o entendemos à medida que o lemos, não existe um encadeamento visível. A ideia de território no seu expoente máximo, não se cingindo à cidade, à geografia, mas indo até ao território enquanto tempo, momento, sensação, recordação. É um livro muito atual, que trata de temas de hoje, do dia a dia de uma mulher a braços com pensamentos constantes que a aportam na ideia da liberdade, de um palco em jeito de janela aberta. COMPRO NA WOOK! »
A Vida Secreta das Casas
As casas presentes nestes livros, cada uma à sua maneira, passam de simples cenários estáticos a espaços com voz e história próprias, capazes de moldar tanto o rumo da narrativa como a experiência emocional de quem as conhece através da leitura. Homer & Langley, de E. L. Doctorow E. L. Doctorow baseou-se na história verídica e insólita de Homer e Langley Collyer para escrever Homer & Langley. Apesar de viverem no centro de Nova Iorque, os dois irmãos excêntricos decidem isolar-se numa casa que vão enchendo de jornais, artefactos e detritos, até a transformarem num espaço saturado de memórias. Com o passar do tempo, o amontoado de artefactos enche as divisões, torna os corredores claustrofóbicos e bloqueia portas, convertendo o interior da casa num labirinto sem saída. Os objetos que os irmãos acumulam acabam por ser as únicas testemunhas do mundo exterior e do seu afastamento progressivo da realidade. Mais do que um refúgio, a casa funciona como espelho da clausura e de um tempo que não cessa de se acumular. É neste cenário sufocante que E. L. Doctorow constrói uma narrativa sobre o isolamento, a loucura e a estranha sobrevivência de quem escolhe viver apenas dentro da própria memória, arredado do mundo. COMPRO NA WOOK! » A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende, apresenta a figura de uma casa como centro gravitacional para onde convergem todas as vivências de uma família ao longo de várias gerações. As suas paredes não servem apenas para abrigar pessoas, acumulam nascimentos, mortes, amores e tragédias, funcionando também como espelho da História política e social do Chile. Os fantasmas que a percorrem não são figuras decorativas, mas presenças legítimas que recordam que a memória não desaparece, instala-se em cada tijolo e prolonga-se para além do tempo dos vivos. É sobretudo através das mulheres que a casa ganha densidade, pois são elas que a habitam plenamente e sustentam o fio da narrativa, mesmo quando a violência e o poder tentam rompê-lo. A casa reflete as gerações que a atravessam, com todas as suas contradições, e devolve-lhes a intensidade dos gestos e das dores. Resiste ao desgaste da vida, sobrevive aos que nela entram e saem e transforma-se num arquivo vivo da experiência humana, onde o íntimo e o coletivo se fundem. No fundo, a casa de Allende não é apenas um lugar, mas também o território das mulheres que nela inscrevem a memória, uma forma de interrogar o passado e compreender como os espaços guardam aquilo que o tempo tenta apagar. COMPRO NA WOOK! » Caruncho, de Layla Martínez Tal como em A Casa dos Espíritos, a casa de Caruncho, romance de Layla Martínez, é também o epicentro das memórias familiares e coletivas, ainda que os estilos de ambos os livros sejam bastante distintos. Em Allende, predomina o realismo mágico, enquanto em Martínez o tom se aproxima do terror psicológico e da metáfora sombria, em que o assombro ganha contornos de claustrofobia e violência herdada. Em Caruncho, a degradação da casa mimetiza a deterioração de quem nela habita. O bolor, as infiltrações, o ranger da madeira e os cantos escuros não são sinais inertes de abandono, mas vozes que denunciam, avisam e condenam. A casa funciona como catalisador de medos ancestrais e da violência que persiste entre gerações. A narrativa entrelaça esse espaço doente com as marcas da Guerra Civil espanhola, revelando como a memória do conflito continua a infiltrar-se na vida quotidiana e a assombrar os descendentes. Ao mesmo tempo, expõe a desigualdade entre homens e mulheres e mostra como a opressão patriarcal se inscreve nas paredes e determina destinos. Martínez transforma a casa num organismo autónomo, simultaneamente testemunha e agente de uma mudança voraz, capaz de refletir e intensificar os dramas humanos. A relação simbiótica entre espaço e personagem evidencia como a arquitetura condiciona de forma quase inevitável sentimentos, atitudes e decisões. COMPRO NA WOOK! » Rebecca, de Daphne Du Maurier A mansão de Manderley é o centro da narrativa de Rebecca e impõe-se como uma personagem silenciosa mas decisiva no desenrolar da ação. Rodeado por jardins exuberantes e atravessado por corredores sombrios, o casarão guarda a memória da falecida Rebecca, a primeira esposa de Maxim de Winter. Pouco tempo depois de enviuvar, Maxim casa-se novamente, mas a sua nova mulher, ao chegar a Manderley, percebe que não se limita a habitar uma casa: enfrenta uma presença invisível que governa cada gesto e cada pensamento. Vive numa constante sensação de insegurança e vigilância. Manderley torna-se a encarnação de um passado impossível de enterrar, uma prisão dourada onde a lembrança suplanta o presente. Cada detalhe arquitetónico carrega segredos, tradições e tensões que interferem ativamente na vida de quem ali vive. A narrativa foca-se na ideia da casa como cárcere, um espaço que controla, observa e condiciona a vida de quem a habita. Neste ambiente opulento, carregado de pressões invisíveis, a nova senhora de Winter vê-se constantemente confrontada com comparações silenciosas e expectativas fantasmagóricas que minam a sua confiança e definem a forma como se percebe a si própria e ao mundo que a rodeia. COMPRO NA WOOK! »
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789726084556 |
| Editor: | Antígona |
| Data de Lançamento: | março de 2024 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 138 x 212 x 9 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 128 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 9789726084556 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Santos debaixo da cama e armários carnívoros
Lau
Um livro narrado com raiva por ambas as protagonistas, avó e neta, tocadas pelas injustiças sociais de uma Espanha rural e ajudadas pelos santos que habitam a sua casa, que dormem debaixo das suas camas e que adotam a forma de enormes insetos para acompanhar a sua história de vingança.
Excelente surpresa!
Beatriz
Ouvimos duas narradoras, a avó e a neta, e sentimos também as sombras que vivem na sua casa, assombrada pela Guerra Civil de Espanha vivida pelas mulheres.
Maravilhoso
Filipa
Uma leitura de rasgo, com bom ritmo que nos prende.
Uma história assustadora
Monique A.
Parece uma história assustadora e é. Porque narra as dificuldades de várias mulheres de diferentes gerações em sobreviver num mundo dominado sempre pelas mesmas pessoas , com os mesmos nomes e os mesmos poderes. Nesta história, Layla Martinez tenta que, no final, as vítimas não sejam sempre as mesmas.
Um livro fenómeno e fenomenal.
Guida Cândido
Na categoria dos livros inesquecíveis, está este livro fenómeno de que todos falam. Não se entranhe. Que livro tão belo saiu das mãos de Layla Martínez. Oremos para que seja o primeiro de muitos a publicar desta autora no nosso território à beira-mar plantado.
O Caruncho que todas as estantes deviam ter!!
TeresaC
Pequeno em tamanho mas grande em conteúdo, é a forma mais simples que encontro para definir este livro. E se ao início lhe estranhei o cenário excêntrico e intensamente sobrenatural, depressa me apaixonei pela narrativa, feita a duas vozes, sentindo-me parte de um ambiente intimista, como se cada uma dessas vozes, dessas personagens, fossem minhas confidentes. Quatro mulheres. Quatro gerações ligadas não só pelo sangue como por uma mesma casa que é figura central nesta história, que protege mas também condena, que tudo sabe, tudo sente e a tudo e todos abriga. Corações empedernidos moldados por vidas árduas, afinal tudo é válido à sobrevivência. E se aqui os homens são força bruta, as mulheres são sagacidade. O texto está muito bem escrito. É despretensioso, seco e carregado de mágoa. Mas atenção, fãs de vírgulas ou pontuação certinha-direitinha aprendida na primária, vão escarafunchar noutras páginas porque estas poderão impressionar e causar irritabilidade. A todos os outros, convido a entrar por esta casa adentro e ouvir o que estas paredes, armários e gavetas têm para contar...
DESILUSÃO
CD
Comprei este livro com muitas expectativas considerando a quantidade de leitores conquistados e boas críticas. Não me seduziu. Não achei a história nem particularmente bem contada, nem particularmente interessante, nem particularmente bem escrita. Lê-se rápido pois é mais novela que romance, sem deixar grande rastro... Para mim, foi uma desilusão.
Maravilhoso
FSSS
Um pouco diferente do género que mais gosto de ler, Caruncho foi uma agradável surpresa. Escrita fluída e uma vontade enorme de só parar de ler no final da história.
Soberbo
Telma Castro
Em Caruncho temos uma janela aberta para o sobrenatural, que tão bem combina com o universo feminino. Numa escrita com muitas arestas por limar vemos espelhadas quatro gerações de mulheres da mesma família. Num espectro temporal que oscila entre a época do Franquismo e os nossos dias, o cenário é uma Espanha rural. Os capítulos são narrados a duas vozes, intercalando o discurso da avó e da sua neta. Nos meandros da narrativa temos outras duas antepassadas que são evocadas. São quatros mulheres sem nome, unidas pelo sangue e pela herança que carregam. Senti a Casa como uma personagem, pela densidade, pelo peso que causa aos seus moradores, pelos segredos que as paredes escondem. Uma casa onde os homens se finam de dia para dia, onde se reza a santas, onde as sombras se apoderam de tudo. Caruncho tem um halo místico alimentado por raivas datadas, que nunca serão olvidadas; por mexericos; por mentes mesquinhas, que tal como o caruncho tudo corroem. Num tom sombrio, por vezes torrencial, assistimos a conflitos de classes e de género, violência, inveja e marginalidade social, numa maldição que se vai repetindo, como um fardo difícil de carregar. Caruncho é um arremesso contra a opressão e injustiça social. Foi uma leitura viciante, quer pelo enredo, quer pela escrita.
UAU!
Ler, um prazer adquirido
Mal comecei mas é de temer. Não as louva-a-deus mas o muito que se revela. Uma novela de emoções fortes e com laivos de terror soberbamente bem escrita é o que promete mal folheamos este livro. Não é a capa que assusta mas a violência infringida em tempo de miséria e fome. Um casa que se fecha num viciado desígnio geracional. E o caruncho que as duas mulheres, avó e neta, vozes desta história têm em si quando vingam. Dor e ódio. O caruncho é a podridão em todos os seus antros. O que corrompe, corrói, destrói.
QUEM COMPROU TAMBÉM COMPROU
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As Guerrilheiras10%Antígona14,40€
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Artigo 35310%Antígona13,50€
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