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Teatro Naturalista

de Luiz Francisco Rebello
Editor: INCM – Imprensa Nacional Casa da Moeda, julho de 2013 ‧
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"Na verdade, o drama e a comédia de actualidade varreram do palco a evocação da antiguidade clássica e do passado histórico nacional, concentrando no presente e em personagens extraídas da vida real, sujeitas às respectivas contingências, a acção da fábula posta em cena. Os templos, os palácios, os castelos e os paços medievais foram substituídos pelos salões burgueses, pelas estalagens e pelas fábricas; os barões, os capitalistas do fontismo, os jornalistas e os operários tomaram o lugar dos deuses, dos monarcas e dos cavaleiros. O Teatro aproximou-se da vida concreta, mas propôs dela um retrato dulcificado, uma imagem fantasiosa, maniqueísta, que mostrava estereótipos em vez de caracteres, e que esvaziava os conflitos sociais do seu substracto ideológico, reduzindo-os a equações abstractas de interesses e sentimentos. Dificilmente poderia ser de outro modo, dada a interacção do drama com as condições sociais em que é gerado.

A sociedade portuguesa da Regeneração, caracterizada por uma aristocracia decadente, uma burguesia acéfala, ávida de poder e honrarias, um proletariado incipiente, um campesinato retrógrado, não tinha capacidade de «extrair dos actos da sua vida senão a pequena chicana de ambições medíocres ou o episódio de uma sentimentalidade sem fé e sem paixão», como observou Ramalho Ortigão n’As Farpas, ao abordar, ele também, «a questão do teatro». Mas a abertura do palco aos espaços da actualidade veio propiciar a renovação que se impunha. O passo seguinte, que à nova escola competia dar, consistia então em dotar aquelas marionetas estereotipadas da espessura ontológica e da dimensão fisiopsicológica que lhes faltavam, convertendo-as em criaturas de carne e osso, «cujo cérebro e cujos músculos funcion[ass]em como na natureza» (para citar Zola) e pô-las a viver, nesses espaços já criados, situações observadas na vida quotidiana e transpostas, segundo os cânones da arte, «em perfeita conformidade com a verdade natural» (a expressão é de Júlio Lourenço Pinto, no «Prólogo» do seu romance Margarida, 1880). Era essa a missão do realismo e do naturalismo. Veremos como entre nós foi — ou não — cumprida. "

Teatro Naturalista

de Luiz Francisco Rebello

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722719629
Editor: INCM – Imprensa Nacional Casa da Moeda
Data de Lançamento: julho de 2013
Idioma: Português
Dimensões: 154 x 241 x 18 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 324
Tipo de produto: Livro
Coleção: Biblioteca de Autores Portugueses
Classificação Temática: Livros em Português > Arte > Artes de Palco
Livros em Português > Literatura > Teatro (Obra)
EAN: 9789722719629

SOBRE O AUTOR

Luiz Francisco Rebello

Luiz Francisco Rebello (Lisboa, 1924–2011) foi dramaturgo, historiador, teórico, crítico e tradutor de teatro, jurista experiente e especialista reconhecido em direito autoral, cidadão comprometido na defesa dos valores democráticos.
Em meados dos anos 40 cofundou em Lisboa o Teatro-Estúdio do Salitre (1946-1950), pioneiro do experimentalismo em Portugal. Em 1971 foi nomeado Diretor do Teatro Municipal S. Luiz, cedo renunciando ao cargo em protesto contra a Censura. Presidiu à Sociedade Portuguesa de Autores (1973-2003) e participou na elaboração do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos (1985, 2003).
Nome marcante do teatro português de meados do século XX até a primeira década de XXI, publicou dezenas de livros, artigos e ensaios incontornáveis sobre esta arte. As suas peças originais encontram-se reunidas em dois volumes de Todo o teatro (1999, I; 2006, II), muitas delas traduzidas, editadas e levadas à cena noutras línguas e países.

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