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Sobre a Ficção Policial

de Fernando Pessoa
Editor: Tinta da China, julho de 2026 ‧
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A relação de Fernando Pessoa com a ficção policial não se esgota na escrita, infelizmente inacabada, de numerosos contos e novelas, nem na criação de uma personagem literária tão fascinante como o Dr. Quaresma.

Os textos reunidos neste volume mostram como o jovem Pessoa planeou, e redigiu parcialmente, um ambicioso ensaio sobre a literatura policial numa altura em que nem no mundo anglo-saxónico existia algo assim. Além disso, vemos aqui como, na última fase da sua vida, o escritor se tornou um voraz leitor de romances policiais, hábito invulgar num intelectual português da primeira metade do século XX.

Este forte e prolongado interesse de Fernando Pessoa pela ficção policial, ao qual os seus biógrafos dedicam breves parágrafos apressados, lembra a pergunta de Álvaro de Campos à passageira com quem tantas vezes se cruzava no comboio suburbano: «Qual foi a vida que houve nisto? Que foi isto a vida?»

O certo é que foi justamente esta paixão a determinar o desfecho de alguns acontecimentos marcantes, como o primeiro e derradeiro encontro com José Régio, em Junho de 1930, no Café Montanha.

«A ficção policial concedeu a Pessoa uma certeza muito procurada. Pessoa sentia que, no cosmos material, nenhuma experiência é totalmente compreensível, nem tem um lugar preciso numa constelação que imaginamos coerente. O mundo é feito de fragmentos, como os que ele deixou rabiscados e desconjuntados.»
Alberto Manguel

Sobre a Ficção Policial

de Fernando Pessoa

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895950768
Editor: Tinta da China
Data de Lançamento: julho de 2026
Idioma: Português
Dimensões: 129 x 185 x 14 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 234
Tipo de produto: Livro
Coleção: Colecção Pessoa
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Policial e Thriller
EAN: 9789895950768

SOBRE O AUTOR

Fernando Pessoa

Um dos maiores génios poéticos de toda a nossa literatura, conhecido mundialmente. A sua poesia acabou por ser decisiva na evolução de toda a produção poética portuguesa do século xx. Se nele é ainda notória a herança simbolista, Pessoa foi mais longe, não só quanto à criação (e invenção) de novas tentativas artísticas e literárias, mas também no que respeita ao esforço de teorização e de crítica literária. É um poeta universal, na medida em que nos foi dando, mesmo com contradições, uma visão simultaneamente múltipla e unitária da vida. É precisamente nesta tentativa de olhar o mundo duma forma múltipla (com um forte substrato de filosofia racionalista e mesmo de influência oriental) que reside uma explicação plausível para ter criado os célebres heterónimos – Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, sem contarmos ainda com o semi-heterónimo Bernardo Soares.
Fernando Pessoa nasceu em Lisboa em 1888 (onde virá a falecer) e aos 7 anos partiu para a África do Sul com a sua mãe e o padrasto, que foi cônsul em Durban. Aqui fez os estudos secundários, obtendo resultados brilhantes. Em fins de 1903 faz o exame de admissão à Universidade do Cabo. Com esta idade (15 anos) é já surpreendente a variedade das suas leituras literárias e filosóficas. Em 1905 regressa definitivamente a Portugal; no ano seguinte matricula-se, em Lisboa, no Curso Superior de Letras, mas abandona-o em 1907. Decide depois trabalhar como «correspondente estrangeiro». Em 1912 estreia-se na revista A Águia com artigos de natureza ensaística. 1914 é o ano da criação dos três conhecidos heterónimos e em 1915 lança, com Mário de Sá-Carneiro, José de Almada Negreiros e outros, a revista Orpheu, que dá origem ao Modernismo. Entre a fundação de algumas revistas, a colaboração poética noutras, a publicação de alguns opúsculos e o discreto convívio com amigos, divide-se a vida pública e literária deste poeta.
Pessoa marcou profundamente o movimento modernista português, quer pela produção teórica em torno do sensacionismo, quer pelo arrojo vanguardista de algumas das suas poesias, quer ainda pela animação que imprimiu à revista Orpheu (1915). No entanto, quase toda a sua vida decorreu no anonimato. Quando morreu, em 1935, publicara apenas um livro em português, Mensagem (no qual exprime poeticamente a sua visão mítica e nacionalista de Portugal), e deixou a sua famosa arca recheada de milhares de textos inéditos.

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