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Serotonina

de Michel Houellebecq
Livro eBook
Editor: Alfaguara Portugal, maio de 2019 ‧
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RECOMENDADO PELO PLANO NACIONAL DE LEITURA
Romance lírico, irónico, cruel, cirúrgico e profético, Serotonina é uma radiografia do futuro que nos espera, atravessada pelo olhar sempre provocador de Michel Houellebecq.

Florent-Claude Labrouste tem quarenta e seis anos, é funcionário do Ministério da Agricultura e detesta o seu nome. Divide o apartamento na periferia de Paris com Yuzu, a namorada japonesa, muitos anos mais jovem. Cínico, profundamente desesperançado e intimamente só, tudo lhe parece insuportável: a França está à beira do precipício, a Europa ameaça ruir, a sua vida é um beco sem saída.

A descoberta de uns vídeos comprometedores da namorada, que ele planeava há muito abandonar, leva-o a despedir-se de muito mais: deixa o emprego, a namorada e a casa, e aluga um quarto de hotel. Dedica os dias a divagar e deambular pelos bares, restaurantes e lojas da cidade. E descobre Captorix, um antidepressivo que liberta serotonina e lhe devolve a possibilidade de aguentar o dia-a-dia mas lhe rouba aquilo que poucos homens estariam dispostos a perder.

Aproveita a ruptura radical para rememorar o passado: as aspirações e ideais de jovem agrónomo; as relações amorosas, de fim desastroso; a nostalgia de um amor perdido; e o reencontro com um velho amigo aristocrata, que o ensina a manusear uma espingarda. Entre passado e futuro, é-lhe forçoso contemplar, com uma feroz acidez, um mundo sem bondade, desumanizado, atingido por mutações irreversíveis.

Com Serotonina, romance-profecia de um futuro pouco perfeito, Houellebecq reafirma-se uma vez mais como um cronista impiedoso da decadência da sociedade ocidental, um escritor indómito, incómodo e por isso imprescindível.

«O que impede de ler os livros de Houellebecq e ver os filmes de Lars Von Trier é uma espécie de inveja. Não porque inveje o seu sucesso, mas porque ler esses livros ou ver esses filmes obrigar-me-ia a contemplar o quão excelsa pode ser uma obra e o quão inferior é o meu trabalho.»
Kark Ove Knausgård

«Houellebecq tem a capacidade de transformar lugares-comuns em perfeitas comédias. Adorei esta leitura.»
Sunday Telegraph

«Serotonina tem lugar para fragmentos de uma grande piada, reflexões absolutamente pertinentes e, como tantas outras vezes, Houellebecq abre portas inesperadas. (…) O que escreve o autor sobre a arte de já não se ser amado, como sobre aquele que sobrevive às suas tragédias sentimentais, é tocante de simplicidade e justeza. Houellebecq toca, remói, atormenta as nossas certezas.»
Público

«Michel Houellebecq pode bem ser o romancista mais interessante dos nossos tempos.»
Evening Standard

«Houellebecq conseguiu mais uma vez. Tem um olfacto indiscutível para captar aquilo a que os alemães chamam o zeitgeist: o espírito dos tempos.»
El País

«Um romance demolidor, apesar de na sua escuridão cintilar uma esperança. Houellebecq é um autor de génio.»
El Mundo

«Um livro que mostra um novo Houellebecq, um homem que acredita pelo menos na possibilidade de felicidade.»
Der Standard

«O escritor Michel Houellebecq é incapaz de escrever um romance que não infrinja regras ou em que a provocação esteja ausente. Serotonina, o seu novo livro, não escapa à tradição.»
Diário de Notícias

«Um livro de sonho no panorama actual da literatura francesa.»
Paris Match

«Houellebecq assina um grande romance de um homem em risco de morrer de tristeza, numa civilização à beira do colapso.»
Elle

«Um livro sofisticado, urticante, dramático e ao mesmo tempo ligeiro, que põe a política no centro da vida de um homem.»
Marianne

«De um realismo absoluto, nunca ninguém foi tão longe na representação do real.»
France Inter

«Está entre os melhores romancistas contemporâneos e é um dos poucos que arrisca perscrutar com previsão cirúrgica o desaire global em que estamos imersos.»
Io Donna

«Entre, caro leitor, na escuridão da terra de amanhã e empreenda a viagem rumo ao fim da noite.»
Der Spiegel

Serotonina

de Michel Houellebecq

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896657734
Editor: Alfaguara Portugal
Data de Lançamento: maio de 2019
Idioma: Português
Dimensões: 149 x 232 x 19 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 280
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789896657734

Sinal dos tempos

Agostinho Pissarreira

Os livros deste autor são um retrato cru e acutilante da sociedade contemporânea, das relações sociais e amorosas, conturbadas e desconcertantes, dos nossos dias. São um murro no estômago das vivências e perplexidades da vida complexa e intrincada dos seres humanos. Neste "Serotonina" aflora-se a palafrenália dos problemas hodiernos: as relações perturbadoras e debilitadas entre os seres humanos; as relações amorosas, salvíficas e dolorosas; o ciúme patológico; a inveja; a líbido e o sexo; o cinismo; o vazio e o desconsolo; a depressão e os antidepressivos; o assédio laboral; o abandono; a solidão; o envelhecimento; a inexorabilidade da vida, etc. Todos os seus livros são dignos de leitura e de reflexão.

"Serotonados"

Sérgio C.

Magnífico livro, extraordinário trabalho de um escritor que, na actualidade, será dos poucos a conseguir assinar, mais do que bons livros, obras de uma qualidade excepcional e que podem ser vistas como um reflexo incontornável da sua geração. Na minha opinião, este é sem dúvida um dos melhores livros do escritor. Mais uma vez, senti o soco no estômago que senti no seu "Partículas Elementares" (a sua maior obra de arte), embora aqui mais anunciado, mais previsível. Mas Michel Houellebecq dá-nos isto, ora estamos a gargalhar do seu sarcasmo e das suas "bojardas" geniais, ora duas linhas depois estamos a reflectir profundamente, tendo a necessidade de pausar a leitura e respirar fundo antes de a retomar. O tom do narrador parece-me, desta vez, mais melancólico e ao mesmo tempo mais suave, talvez mais pessoal. Refiro-me ao tom, não aos temas abordados. É por isso um tom que me comoveu mais do que noutros livros do autor, que me aproximou mais do personagem principal e da sua história. Mais uma vez, Houellebecq consegue colocar o dedo na ferida, através de um realismo incrível, abordando a decadência social, política, filosófica e cultural que atravessou todo o século XX até aos negros dias de hoje. Essa é uma das suas características mais fantásticas: a capacidade de nos apresentar rotinas tão banais, descritas de uma forma tão crua e tão real, mas ao mesmo tempo despertando um enorme interesse para aspectos que sempre estiveram debaixo do nosso nariz, mas nunca fomos capazes de desmontar como ele o faz. Às vezes fá-lo com simplicidade, outras vezes de forma mais elaborada, com mais ou menos choque, mas sempre com uma liberdade de pensamento e expressão capaz de abalar as consciências mais fechadas e até (principalmente será esse o ponto) as mais liberais.

Sempre bom

Joana Fael

Parece um livro para homens, mas é muito mais do que isso, é Houellebecq no seu melhor. Uma personagem que vive no torpor do envelhecimento, onde mostra o pior de si próprio, revelendo o lado negro de uma forma que é quase impossível parar de ler. Controverso, provocador e pouco convencional, uma obra a não perder.

Hoeullebecq e a sua lente negra do futuro

Fabio Lavos Martins

Florent-Claude Labrouste é um homem no meio da sua vida expectavel ( 46 anos), funcionário ministerial, que corresponde ao arqétipo crescentemente explorado por Houellebecq de sexista, cínico, pouco civilizado homofóbico e xenófobo que cresce num futuro desolador, onde a relação perturbada com a sua jovem namorada o faz enveredar por um caminho que o levará aos inibidores da recaptação da serotonina ( um subtipo de anti-depressivo) como forma de suportar a negritude dos dias. A diminuição da libido segue-se, e uma nova era, de confronto entre o ideal passado e a decepçao presente, toma lugar. Amargo mas assustadoramente plausivel. Mais um optimo livro do irreverente francês que não se canta de esbofetear a sociedade

Recomendo

JC

Romance salpicado com tons de humor e de critica da sociedade ocidental, assente na escrita perspicaz do conceituado Michel Houellebecq. A não perder.

Deliciosamente real

Rui Ferreira

Romance provocador e irónico. O autor não tem medo de expôr os seus próprios medos.

Excelente

Bruno gomea

Excelente livro escrita irônica e cativante. Adorei.

Um mundo de impossibilidades

nointeriordoslivros.blogspot.com

Florence-Claude Labouste - protagonista deste romance - é um homem depressivo, que afirma nunca ter sido nada senão um cobarde inconsistente: «Tinha já quarenta e seis anos e não fora capaz de gerir a minha própria vida, enfim, parecia deveras plausível que a segunda parte da minha existência acabasse por ser, à imagem da primeira, um frouxo e doloroso desabamento». Em ruptura com o presente, Labouste regressa ao tempo de juventude - repositório de todas as ilusões, todas as esperanças e ideais, todas as histórias por acontecer ou completar. Histórias que congelaram no tempo, conferindo aos seus protagonistas um brilho ilusório, imerecido, e arrastando Labouste por incursão de angústia, frustração e raiva.

SOBRE O AUTOR

Michel Houellebecq

Michel Houellebecq é um autor francês nascido na ilha de Reunião em 1956.
Escreveu e publicou vários romances e obras de poesia, e está publicado em mais de quarenta países. Entre os seus romances estão publicados em Portugal, na Alfaguara: Extensão do domínio da luta (2016), Lanzarote (2017), Partículas elementares (2021), Plataforma (2021), A possibilidade de uma ilha (2018), O mapa e o território (2011), Submissão (2015) e Serotonina (2019). Venceu, entre outros, o Prémio Novembre, em 1998, e o Prémio Impac Dublin, em 2002.
Com A possibilidade de uma ilha venceu o Prémio Interallié e foi finalista do Prémio Goncourt.
O prestigiado Prémio Goncourt foi-lhe atribuído em 2010 pelo romance O mapa e o território.
Em 2019 foi-lhe atribuída a Legião de Honra.

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