O Rei Lear

de William Shakespeare
Editor: Campo das Letras, novembro de 2005 ‧
Considerada por vários críticos a obra-prima de William Shakespeare, “O Rei Lear” retrata a natureza humana nas suas mais diversas vertentes: as virtudes, o amor, a fidelidade, a lucidez, o dever, a generosidade, encarnados por algumas das suas personagens, caminham lado a lado com os piores vícios, o ódio, a traição, a loucura (natural e fingida), a mentira e a crueldade, encarnados por outras. As histórias paralelas, e com muito de comum entre si, a de Lear e as suas três filhas e a de Gloucester e os seus dois filhos, desenrolam-se de mão dada e entrecruzam-se, num adensar contínuo do ambiente de tragédia. Os poucos e breves momentos da peça em que o leitor/espectador pode acalentar a esperança de assistir à inversão desse ambiente constrangedor são logo contrariados por ocorrências trágicas que servem apenas para aumentar a sensação de desconforto de quem a elas assiste.
Os erros cometidos impensadamente, quer por Lear, quer por Gloucester, acabam por ser reconhecidos pelos próprios, o que leva o leitor/espectador a pensar na redenção. Mas a tragédia, no seu avanço inexorável, não pode ser travada, e tais erros são reconhecidos tarde de mais. De tal forma que só a morte se apresenta como solução para as situações criadas, sendo dela vítimas, tanto as personagens justas como as viciosas, a ela escapando apenas uns poucos cuja missão parece ser a de lembrar à posteridade aquilo que testemunharam.

"Depois da Bíblia, nos domínios da escrita, nenhuma obra nem nenhum autor foram objecto de tanto estudo como as obras de William Shakespeare.
Os escritos de Shakespeare têm sido traduzidos e retraduzidos ao longo dos tempos a um ritmo que, ao contrário do que seria de esperar, tem aumentado em vez de diminuído.

Em Portugal, fazia falta um projecto articulado com vista à tradução integral e actualizada de todas as peças shakespeareanas e à sua consequente edição em livro. Foi essa lacuna que o Instituto de Estudos Ingleses da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e a Editora Campo das Letras se propuseram preencher. Deste modo, o leitor português incapaz de ler Shakespeare no original poderá ter acesso à obra espantosa do maior dramaturgo de todos os tempos, numa belíssima edição, com capa rígida, coordenada por M. Gomes da Torre e com direcção gráfica de António Modesto."

O Rei Lear

de William Shakespeare

Propriedade Descrição
ISBN: 9789726109945
Editor: Campo das Letras
Data de Lançamento: novembro de 2005
Idioma: Português
Dimensões: 145 x 213 x 19 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 192
Tipo de produto: Livro
Coleção: Shakespeare para o século XXI
Classificação Temática: Livros em Português > Arte > Artes de Palco
Livros em Português > Literatura > Teatro (Obra)
EAN: 9789726109945
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

SOBRE O AUTOR

William Shakespeare

Poeta e dramaturgo inglês nascido em 1564, em Stratford-Upon-Avon, e falecido em 1616. O seu aniversário é comemorado a 23 de abril e sabe-se que foi batizado a 26 de abril de 1564. Stratford-Upon-Avon era então uma próspera cidade mercantil, uma das mais importantes do condado de Warwickshire. O seu pai, John Shakespeare, era um comerciante bem sucedido e membro do conselho municipal. A mãe, Mary Arden, pertencia a uma das mais notáveis famílias de Warwickshire. Shakespeare frequentou o liceu de Stratford, onde os filhos dos comerciantes da região aprendiam Grego e Latim e recebiam uma educação apropriada à classe média a que pertenciam. São conhecidos poucos factos da vida de Shakespeare entre a altura em que deixou o liceu e o seu aparecimento em Londres como ator e dramaturgo por volta de 1599. Em 1582 casou com Anne Hathaway, oito anos mais velha do que ele, e o casal teve três filhos: Suzanna (nascida em 1583), e os gémeos Hamnet e Judith (nascidos em 1585). A primeira referência a Shakespeare como ator e dramaturgo encontra-se em A Groatsworth of Wit (1592), um folheto autobiográfico da autoria do dramaturgo londrino Robert Greene, onde o escritor é acusado de plágio. Nesta altura Shakespeare era já conhecido em Londres, embora não se saiba com exatidão a data do seu aparecimento na capital. Em virtude do encerramento dos teatros londrinos entre 1592-94, Shakespeare compôs nessa época dois poemas narrativos: Venus and Adonis (publicado em 1593) e The Rape of Lucrece (publicado em 1594). No inverno de 1594 integrou a mais importante companhia de teatro isabelina, The Lord Chamberlain's Men, onde permaneceu até ao final da sua carreira. A companhia deveu à popularidade de Shakespeare o seu lugar privilegiado entre as restantes companhias de teatro até ao encerramento dos teatros pelo Parlamento inglês em 1642. Em 1598 foi inaugurado o Globe Theatre, o teatro da companhia a que Shakespeare se associara, construído pelo ator e empresário Richard Burbage no bairro de Southwark, na margem sul do Tamisa. Depois da ascensão ao trono de Jaime I (em 1603) a companhia The Lord Chamberlain's Men passou para a tutela real, e o seu nome foi alterado para The King's Men. A passagem de Shakespeare pelos palcos associa-se a breves desempenhos: Adam na peça As You Like It e o fantasma (Ghost) em Hamlet. Depois de ter comprado algumas propriedades em Strattford, Shakespeare retirou-se para a sua terra natal em 1610, mantendo todavia o contacto com Londres. O Globe Theatre foi destruído pelo fogo no dia 23 de junho de 1613, durante uma representação da peça Henry VIII. Além de uma coleção de sonetos e de alguns poemas épicos, Shakespeare escreveu exclusivamente para o teatro. As suas 37 peças dividem-se geralmente em três categorias: comédias, dramas históricos e tragédias. Entre os dramas históricos, género que primeiro cultivou, destacam-se Richard III (Ricardo III), Richard II (Ricardo II) e Henry IV (Henrique IV). Entre as suas comédias contam-se Love's Labour's Lost, The Comedy of Errors, The Taming of the Shrew, a comédia de intenção séria The Merchant of Venice (O Mercador de Veneza), As You Like It (Como Quiserem) e A Midsummer Night's Dream (Um Sonho de Uma Noite de Verão). A tragédia não é uma forma que pertença exclusivamente a um determinado período na evolução da obra de Shakespeare. Sob influência de Marlowe, a forma de tragédia já se encontrava nas peças que dramatizavam episódios da História inglesa. Em Romeo and Juliet (Romeu e Julieta) e Julius Caesar (Júlio César) Shakespeare combinou a perspetiva histórica com uma interpretação trágica dos conflitos humanos. O período em que Shakespeare escreveu as suas grandes tragédias iniciou-se com Hamlet, escrita entre 1600-1602, a que se seguiram Othelo, Macbeth, King Lear, Anthony and Cleopatra e Coriolanus, todas elas compostas entre 1601 e 1608. Na última fase da carreira de Shakespeare situam-se as peças de tom mais ligeiro: Cymbeline, The Winter's Tale e The Thempest. Parte das obras de Shakespeare foram publicadas durante a vida do autor, por vezes em edições pirateadas, mas só em 1623 apareceu a edição "Fólio", compilada por John Heminges e Henry Condell, dois atores que tinham trabalhado com Shakespeare. No século XVIII as peças foram publicadas por Alexander Pope (em 1725 e 1728) e Samuel Johnson (em 1765), mas só com o Romantismo se compreendeu a profundidade e extensão do génio de Shakespeare. No século XX reforçou-se a tendência para considerar a obra de Shakespeare integrada nos contextos dramáticos que a suscitaram.

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