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O Pescador e a Alma

e outros contos

de Oscar Wilde
Editor: Padrões Culturais, agosto de 2007 ‧
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Para além do reconhecimento efectivo sobretudo no que respeita à escrita de teatro e de alguma prosa, Oscar Wilde é pouco lembrado sobre a sua poesia e a melhor faceta de contador de histórias, foi pouco divulgada ou esquecida.
Esta breve selecção de contos, tem por objectivo permitir ao leitor redescobrir a dimensão menos conhecida de contos curtos. Histórias onde se cruzam figuras do universo imaginário e do fantástico, tendo por base alguns contextos da sociedade inglesa da época.

«– Sereiazinha, sereiazinha, eu amo-te. Aceita-me para teu marido. Ela, porém, abanou a cabeça.
– A tua alma é humana – respondeu. – Se te desfizesses dela, então eu poderia amar-te.
«De que me serve a alma?» pensou o pescador.
«Não a vejo, não a sinto, não a conheço. Posso à vontade desfazer-me dela, e a minha ventura será grande.»
Escapou-se-lhe dos lábios um grito de alegria e, pondo-se em pé no barco, estendeu os braços à sereia.
– Mandarei embora a minha alma – declarou-lhe. – Serás minha noiva e eu serei teu noivo. Juntos viveremos nas profundezas do mar. Mostrar-me-ás tudo o que tens cantado, eu farei tudo o que quiseres, e as nossas vidas jamais se apartarão.»

O Pescador e a Alma

e outros contos

de Oscar Wilde

Propriedade Descrição
ISBN: 9789728721879
Editor: Padrões Culturais
Data de Lançamento: agosto de 2007
Idioma: Português
Dimensões: 141 x 210 x 6 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 128
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 9789728721879

Wild, as usual

Fábio Lavos Martins

O pescador e alma, mais os contos que lhe seguem, trazem-nos aquilo que habitualmente Oscar Wilde nos oferece: histórias simples com arestas bem vivas, e desenlaces que nos querem confrontar pela surpresa. Uma busca contínua de irreverência, que dão por valioso o tempo entregue. Não é uma obra prima, mas vale o tempo.

SOBRE O AUTOR

Oscar Wilde

Oscar Wilde nasceu a 10 de outubro de 1854. Foi o segundo filho de um casal irlandês residente em Dublin.
Em 1871 recebeu uma bolsa para frequentar o Trinity College de Dublin, onde começou a construir a sua persona, com o culto dos pré-rafaelitas, as roupas de dandy e o desafio às convenções.
É neste período que Wilde conhece as obras de Keats, Flaubert e Pater, embora, como disse mais tarde, já houvesse percorrido mais de metade do caminho quando os encontrou. Três anos depois está a frequentar Estudos Clássicos em Oxford.
É influenciado por dois professores de Belas-Artes, John Ruskin e Walter Pater.
Em 1879 já está a residir em Londres, onde se tornará conhecido pelo brilho das conversas e a frequência dos teatros. Escreve Vera ou os Niilistas, que não chega a ser representada, e em 1881 publica Poems.
Em 1884, casa com Constance Lloyd, uma herdeira inteligente e culta, interessada em literatura infantil e de quem teve dois filhos. A partir de 1886, Wilde assume abertamente a sua homossexualidade.
Colabora com a Pall Mall Gazette, publica O Retrato do Sr. W. H., contos como O Príncipe Feliz, e ataca o realismo no ensaio O Declínio da Mentira.
Em 1891 surge O Retrato de Dorian Gray. O romance celebra o esteticismo, critica os seus riscos e aborda pela primeira vez a homossexualidade na literatura inglesa. No mesmo ano publica A Alma do Homem e o Socialismo.
Em 1892, edita O Leque de Lady Windermere, o seu primeiro êxito teatral. Regressa a Paris, onde conhece Mallarmé, Schwob, e tem longas conversas com André Gide.
Mas Uma Mulher sem Importância faz que até alguns dos mais renitentes lhe reconheçam o talento. E é então, no auge da sua glória, que conhece Lord Alfred Douglas, Bosie para os íntimos, vinte anos mais novo do que ele, de gostos vulgares, caprichoso e manipulador. Em apenas dois anos, Wilde é levado à falência com presentes caros, jantares requintados e viagens.
É o começo do fim. Embora escreva ainda Um Marido Ideal, Uma Tragédia Florentina e A Importância de Ser Earnest, a vida criativa de Wilde começa a estiolar-se.
O autor de O Declínio da Mentira vai deixar-se instrumentalizar pelo seu amante no conflito que o opõe ao pai, John Sholto Douglas, marquês de Queensberry.
Em 1895, por instigação de Alfred, Wilde toma a iniciativa de um processo judicial contra Sholto. Ganha o primeiro processo, de que sai, no entanto, relacionado com «atos de grave indecência». O desfecho de um terceiro julgamento é a sua condenação a dois anos de trabalhos forçados.
É na prisão que escreve De Profundis.
Libertado, abandona imediatamente Inglaterra, adota o nome de Sebastian Melmoth e instala-se num modesto hotel de Paris.
Wilde morreu em novembro de 1900, após dois meses de doença. Diz-se que, tal como Tchékhov, de quem quase tudo o separava, pediu champanhe pouco antes de expirar, comentando: «Estou a morrer acima das minhas possibilidades.»

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