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O Papel de Parede Amarelo

de Charlotte Perkins Gilman
Editor: Edições Húmus, dezembro de 2020 ‧
6,00€
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«Deito-me aqui, nesta cama enorme e fixa — acho que está pregada ao chão — e vagueio por aquele padrão o tempo todo. É tão bom como qualquer exercício físico, garanto-vos. Começo, suponhamos, por baixo, naquele canto onde o papel está intacto, e decido pela milionésima vez que vou seguir aquele padrão absurdo até chegar a uma conclusão. Conheço os princípios básicos do desenho, e sei que esta coisa não foi feita de acordo segundo qualquer regra de irradiação, repetição, simetria, ou qualquer outro princípio de que tenha ouvido falar. […] Cansa-me muito seguir estes movimentos. Acho que vou dormir um bocadinho.»

Livros cosidos, com folhas não aparadas, à semelhança do que se fazia no passado. A editora liga assim a coleção à História do Livro e associa-lhe uma vantagem ecológica, evitando o desperdício de papel.

O Papel de Parede Amarelo

de Charlotte Perkins Gilman

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897555596
Editor: Edições Húmus
Data de Lançamento: dezembro de 2020
Idioma: Português
Dimensões: 122 x 165 x 6 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 68
Tipo de produto: Livro
Coleção: A Ilha
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 9789897555596

Inquietante

JM

O Papel de Parede Amarelo, de Charlotte Perkins Gilman, é um conto curto que vai ganhando inquietação de forma quase impercetível. A narrativa começa contida, mas à medida que a protagonista se isola, a perceção da realidade começa a distorcer-se. O papel de parede deixa de ser apenas cenário e transforma-se num foco obsessivo. A escrita é simples e direta, mas construída com precisão para acompanhar essa descida. Nada é excessivo, mas tudo contribui para a sensação de claustrofobia. Não precisa de grandes explicações para funcionar. O impacto vem da forma como a experiência é transmitida por dentro, sem distância.

Muito interessante

João Mascarenhas

Um livro curto mas muito interessante sobre como os problemas mentais, principalmente nas mulheres, eram vistos há mais de 100 anos. Enquanto que, o que a protagonista sentia era a necessidade de se sentir produtiva e apanhar ar, tudo isso lhe era tirado porque o cliché da altura era ´´repouso´´ e isolamento social. Depois assistimos a um crescendo na degradação mental. Um caso de estudo, que a própria autora usou como forma de alertar para o problema na época. Esta edição tem ainda comentários de uma psiquiatra que explica simbolismos do livro, causas e consequências daquilo a que Charlotte foi sujeita. Ao contrário do livro ´´10 days in a Mad House´´ da Nellie Bly, aqui o ambiente é ´´confortável´´ e não um asilo onde as mulheres são sujeitas a violência fisica e psicológica agressiva. No entanto, acaba a tornar-se também um ambiente hostil ao acabar por ser também uma prisão. O marido, médico, pensa estar a fazer o melhor mas retrata a ignorância da época.

Um texto, muitas leituras

Sandra Patrício

Este é um conto polissémico, escrito por uma mulher que, nos finais do século XIX, vê a sua imaginação e criatividade condenadas à doença e à loucura. Esta mulher, impedida de escrever para não adoecer, adoece por não escrever. O ensaio de Rita Santana dos Santos incluído como posfácio é esclarecedor e em relação à polissemia do texto e às dificuldades de tradução.

Incrível!

Andreia Almeida

Um conto cuja narrativa nos envolve e que consiste num belíssimo testemunho do que é viver com doença mental, e na ausência da escuta do doente.

SOBRE O AUTOR

Charlotte Perkins Gilman

Charlotte Perkins Gilman nasceu a 3 de julho de 1860 e foi uma escritora, humanista, palestrante, defensora da reforma social e eugenista americana. Foi também uma feminista, e serviu de modelo a futuras gerações de feministas devido aos seus conceitos e estilo de vida não ortodoxos. As suas obras focavam-se no assunto do género, especificamente na divisão do trabalho entre sexos na sociedade e no problema da dominação masculina. Hoje, a sua obra mais lembrada é o conto semiautobiográfico O Papel de Parede Amarelo, que escreveu após um grave episódio de psicose pós-parto. Morreu a 17 de agosto de 1935.

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