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O País do Carnaval

de Jorge Amado

editor: Dom Quixote, fevereiro de 2016
Este é o primeiro romance de Jorge Amado, escrito quando ele tinha apenas dezoito anos. Publicado em 1931, faz um retrato crítico da imagem festiva e contraditória do Brasil, a partir do olhar do personagem Paulo Rigger, um brasileiro atormentado pela inquietação existencial que, após sete anos em Paris, regressa a um país com o qual não se identifica. Bem recebido pela crítica e pelo público, o livro aborda as questões de uma juventude plena de inquietude, numa ansiosa e mesmo angustiada busca de verdades e do sentido da vida. Trata-se, em suma, de um retrato geracional - tecido a partir das rondas de Paulo Rigger pelos círculos boémios e literários da cidade da Bahia, em inícios do século XX. No final, insatisfeito e desencantado, marcado por uma renúncia preconceituosa ao amor, que inesperadamente encontrara, e aturdido pelas contradições que o rodeiam, Rigger embarca, no porto do Rio de Janeiro, com destino à Europa. Leva consigo as suas dores, deixando para trás uma cidade alucinada pelos ritmos e brilhos do Carnaval.
Considerado subversivo, O País do Carnaval estava entre os livros de Jorge Amado que foram queimados em praça pública em Salvador, por determinação da polícia do Estado Novo, em 1937.
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Ler é um Carnaval

Seja pela festa de gente mascarada ou pela festa de ler gente que ainda está a encontrar a sua máscara, ler permite sempre ver que, atrás de uma coisa, está sempre outra coisa. Vamos a alguns exemplos. O país do Carnaval Começámos por aqui, só por ser a opção mais fácil. E porque é a opção que tem Jorge Amado. Lê-lo é sempre uma festa, mesmo que no texto esteja qualquer coisa que nos vá pôr peso no estômago.
Aqui, temos o primeiro romance do escritor brasileiro. Publicado em 1931, foi a porta de entrada para o vendaval que viria de seguida. A imagem do Brasil aparece como coisa panorâmica. Paulo Rigger, ao voltar para o país após sete anos em Paris, já não sabe bem o que vê na sua terra natal: de um lado, há uma imagem festiva; do outro, há a vida a existir a partir dos escombros. No fim, Paulo lá resolve regressar à Europa, ido do porto do Rio de Janeiro, deixando para trás uma cidade marcada pelo ritmo e pelas cores do Carnaval. QUERO LER!








  Os homens não choram Ler é este Carnaval de emoções – da confusão à pura angústia. Coitado do Gui, tanta pressão logo desde o berço. No início, era feliz, que é como as crianças devem ser, mas depois começou a ficar preocupado. A fita métrica marcava cada vez mais centímetros e ele bem sabia o que aquilo queria dizer: de menino, ia passar a homem. Não sabia bem o que era isso, ou o que era suposto fazer. Com o avô, tinha sido mais fácil – ouvira a história de que o serviço militar é que o ensinara a ser homem. Lá começou a prestar atenção aos homens que via na rua e na televisão: uns competitivos, outros fanfarrões, outros armados em espertos. Sem se ensaiar muito, fez o mesmo, e aquilo deu problemas na escola. Findo o dia, sentia-se mal – e começou a chorar, sentindo-se a seguir pior por isso. Até que alguém lhe disse que não havia crise, que os homens também choravam. QUERO LER!

  A minha incrível escola A escola do Henrique é muito melhor do que a minha. Diria mesmo que aquilo sim, é um Carnaval, uma festa, uma alegria. A colega que mostra a escola ao Henrique diz-lhe que a escola não é nada de especial, mas que mais se pode querer do que uma lula gigante como mascote da turma? O professor de música é uma estrela de rock, ninguém quer saber das equações, há uma nave espacial na sala de ciências, sai-se do edifício por um escorrega gigante para atalhar caminho. O recreio é um espetáculo, com um parque de diversões em cima de uma árvore – embora a colega do Henrique continue a dizer-lhe que aquilo não é nada de especial. Na cantina, o puré de batatas explode; na biblioteca, os sortudos perdem-se entre tantos livros. No final, a colega, que acha tudo aquilo banal, em vez de apanhar o autocarro, leva boleia da mãe para casa – e vai de nave espacial. QUERO LER! O raposo e a estrela Aqui o Carnaval é outro – é o Carnaval da coetaneidade. A Floresta de Birnam é um coletivo de cultivo de guerrilha, fundado na Nova Zelândia cinco anos antes da ação. O grupo cultiva terrenos em que mais ninguém repara, e quer fazê-lo longe dos olhares curiosos. Ora, esses terrenos são os mais apetecíveis para quem quer fazer coisas ilegais, tal como Robert Lemoine, que enriqueceu com drones e a quem a fortuna não basta. Ao longo da leitura, o ponto alto são as contradições entre os ativistas, até porque, mais do que explorar os contrastes entre o preto e o branco, a autora quis explorar os que existem no cinzento. Ver isto é uma festa. Raras vezes estes temas terão sido tratados com tanta delicadeza e tanta sensatez – e, sobretudo, com tanta vontade de dizer e explorar. Volta e meia, o leitor até chega a ter vontade de se meter nas conversas. Não o faz por dois motivos: seria falta de educação e isto é um romance. QUERO LER!

O País do Carnaval

de Jorge Amado

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722059183
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: fevereiro de 2016
Idioma: Português
Dimensões: 158 x 239 x 11 mm
Páginas: 160
Tipo de produto: Livro
Classificação temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722059183
Jorge Amado

Jorge Amado nasceu em Pirangi, Baía, em 1912 e faleceu a 6 de agosto de 2001. Viveu uma adolescência agitada, primeiro, na Baía, no início dos seus estudos, depois no Rio de Janeiro, onde se formou em Direito e começou a dedicar-se ao jornalismo. Em 1935 já se tinha estreado como romancista com O País do Carnaval (1931), Cacau (1933), Suor (1934), seguindo-se Terras do Sem Fim (1943) e S. Jorge dos Ilhéus (1944). Politicamente de esquerda, foi obrigado a emigrar, passando por Buenos Aires, onde escreveu O Cavaleiro da Esperança (1942), biografia de Carlos Prestes, depois pela França, pela União Soviética... regressando entretanto ao Brasil depois de ter estado na Ásia e no Médio Oriente. Em 1951 recebeu o Prémio Estaline, com a designação de "Prémio Internacional da Paz". Os problemas sociais orientam a sua obra, mas o seu talento de escritor afirma-se numa linguagem rica de elementos populares e folclóricos e de grande conteúdo humano, o que vai superar a vertente política. A sua obra tem toques de picaresco, sem perder a essência crítica e a poética. Além das já citadas, referimos, na sua vasta produção: Jubiabá (1935), Mar Morto (1936), Capitães da Areia (1937), Seara Vermelha (1946), Os Subterrâneos da Liberdade (1952). Mas é com Gabriela, Cravo e Canela (1958), Os Velhos Marinheiros (1961), Os Pastores da Noite (1964) e Dona Flor e os Seus Dois Maridos (1966) em que o romancista põe de parte a faceta politizante inicial e se volta para temas como a infância, a música, o misticismo popular, a turbulência popular e a vagabundagem, numa linguagem de sabor poético, humorista, renovada com recursos da tradição clássica ligados aos processos da novela picaresca. O seu sentimento humano e o amor à terra natal inspiram textos onde é evidente a beleza da paisagem, a tradição cultural e popular, os problemas humanos e sociais - uma infância abandonada e culpada de delitos, o cais com as suas misérias, a vida difícil do negro da cidade, a seca, o cangaço, o trabalhador explorado da cidade e do campo, o "coronelismo" feudal latifundiário perpassam significativamente na obra deste romancista dos maiores do Brasil e dos mais conhecidos no mundo. Fecundo contador de histórias regionais, Jorge Amado definiu-se, um dia, "apenas um baiano romântico, contador de histórias". "Definição justa, pois resume o carácter do romancista voltado para exemplos de atitudes vitais: românticas e sensuais... a que, uma vez por outra, empresta matizes políticos...", como diz Alfredo Bosi em História Concisa da Literatura Brasileira. Foi-lhe atribuído o Prémio Camões em 1994.

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