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O Amante

de Marguerite Duras
Editor: Relógio D'Água, novembro de 2017 ‧
14,00€
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"A narrativa fala das incertezas de uma adolescente que tem a sua primeira experiência do amor físico, se lança na travessia dos sentidos, e procura a libertação do domínio da mãe e da asfixiante relação que esta tem com o filho mais velho.
Esta paixão adolescente decorre num cenário exótico, perverso, num fundo de lentidão e meandros asiáticos. "
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Quando o frio aperta

Há quem veja o inverno como uma estação de resistência, um desafio silencioso a que sobrevivemos à base de mantas, chá e resmungos sobre a meteorologia. Mas o inverno também pode ser um convite. Quando o frio aperta, há livros que parecem abrir um espaço interior próprio, não porque sejam reconfortantes, alguns nem se aproximam disso, mas porque nos colocam num estado mais calmo e recolhido em que a leitura se intensifica. Há obras que pedem dias curtos, tempo para olhar para dentro e um silêncio que nem sempre encontramos no resto do ano. Os cinco clássicos que apresento a seguir mostram de que modo a leitura consegue aprofundar este silêncio próprio da estação. A Abadia de Northanger, de Jane Austen Catherine Morland é uma jovem ingénua, fascinada por histórias de aventura, que troca a sua vida pacata por uma temporada em Bath, onde descobre novos amigos e a oportunidade perfeita para dar largas à imaginação moldada pelos romances góticos que devora. Quando visita a abadia de Northanger, começa a ver mistério onde só existe rotina, a interpretar portas perfeitamente normais como pistas de grandes segredos e a imaginar perigos que só existem na sua cabeça. A Abadia de Northanger, de Jane Austen, é uma das obras mais leves e irónicas da escritora, mas a jornada de Catherine continua a ter um encanto muito próprio e encaixa neste período mais sossegado que o inverno convida a viver. Austen diverte-se a desmontar o exagero da literatura gótica, um género muito popular na sua época, e lembra-nos como a imaginação pode transformar o quotidiano num enredo dramático. A abadia torna-se assim o palco ideal para um romance que continua fresco e luminoso. COMPRO NA WOOK! » O Fio da Navalha, de William Somerset Maugham Se Austen nos oferece humor subtil, Somerset Maugham dá-nos uma boa dose de introspeção em O Fio da Navalha. Larry Darrell regressa da Primeira Guerra Mundial profundamente transformado e incapaz de voltar à vida confortável e previsível que todos esperam dele. Recusa o percurso profissional que lhe é traçado, afasta-se dos círculos sociais e parte em busca de algo que não sabe ainda nomear. Enquanto procura sentido em viagens, leituras e mestres espirituais, as pessoas que o rodeiam continuam presas às expectativas sociais, às aparências e às ambições materiais. Isabel, a mulher que o ama, representa esse mundo ordenado que Larry recusa, e Maugham constrói entre ela e o protagonista um dos contrastes mais elegantes da literatura do século XX. O romance acompanha este desfasamento entre quem procura respostas e quem procura estabilidade, e fá-lo com uma serenidade inquieta. Ao lermos O Fio da Navalha entramos num território em que todas as perguntas têm peso e cada gesto carrega a possibilidade de mudança. COMPRO NA WOOK! » Um Cântico de Natal, de Charles Dickens Um Cântico de Natal é talvez o clássico mais associado a esta época. Ebenezer Scrooge é um velho avarento, frio e impermeável ao mundo, e Charles Dickens apresenta-o logo nas primeiras páginas como alguém que fechou todas as janelas da alma. A transformação deste homem endurecido começa quando o fantasma do seu antigo sócio, Jacob Marley, o visita. Seguem-se as visitas dos Três Espíritos que o conduzem através do seu passado, do seu presente e do seu futuro possível. Cada uma dessas viagens revela fissuras que Scrooge se habituou a ignorar: a inocência perdida, a solidez aparente que esconde uma solidão escolhida e o impacto que a sua indiferença tem nos outros. O livro é muito breve, mas cheio de pequenos gestos humanos que fazem das cenas mais simples momentos inesquecíveis. Dickens, que conheceu de perto a pobreza e fez da crítica social um dos temas centrais da sua obra, usou este conto para defender a compaixão numa época em que o Natal ainda não tinha o calor que hoje lhe associamos. Talvez por isso, Um Cântico de Natal tenha ajudado a moldar o imaginário moderno da data, lembrando-nos que a celebração é menos sobre tradição e mais sobre proximidade, cuidado e humanidade. COMPRO NA WOOK! » Jane Eyre, de Charlotte Brontë Jane Eyre, de Charlotte Brontë, leva-nos para outra espécie de recolhimento. O romance acompanha o percurso de Jane desde a infância difícil, marcada pela rejeição da família Reed e pela experiência dura na escola Lowood, até à idade adulta, quando é contratada como governanta em Thornfield Hall. A casa, austera e carregada de silêncio, torna-se o cenário de um dos romances mais marcantes do século XIX. É ali que Jane conhece Edward Rochester, uma figura enigmática, marcada por sombras que nunca esclarece por completo. Brontë constrói entre ambos uma relação feita de tensão, desejo e revelações dolorosas. Thornfield esconde segredos que mudam tudo, e Jane vê-se obrigada a escolher entre a paixão e a integridade. A força do romance não está só no mistério ou no amor proibido, mas na determinação contida de Jane, que insiste em ser fiel a si própria quando o mundo lhe oferece pouco ou nada. COMPRO NA WOOK! » Veja aqui o trailer da adaptação ao cinema de Jane Eyre, realizado por Cary Fukunaga, de 2011 O Amante, de Marguerite Duras À primeira vista, O Amante parece tudo menos um romance contemplativo, mas a sua força reside na maneira como Marguerite Duras trabalha a memória, a identidade e a vulnerabilidade. A narradora, já adulta, revisita a adolescência na Indochina colonial, onde viveu uma relação intensa e transgressora com um homem mais velho e muito mais rico. Duras descreve esse encontro com uma honestidade crua, feita de desejo mas também de desigualdade, vergonha, fascínio e poder. A jovem nunca tem pleno controlo da situação, mas também nunca abdica totalmente da sua autonomia. A relação é simultaneamente libertadora e destrutiva, e a narradora sabe, com a distância dos anos, que foi ali que se formou uma parte essencial do que viria a tornar-se. A escrita fragmentada, feita de frases que parecem respirar sozinhas, reforça a ideia de que a memória não linear, mas uma sucessão de imagens que sobrevivem ao tempo. O calor desta história não conforta, queima, e é nessa queimadura que reside a beleza da escrita de Duras. COMPRO NA WOOK! » Os clássicos de inverno não servem para aquecer as mãos, mas para iluminar o que fica mais nítido quando o mundo abranda. Austen diverte-nos enquanto desmonta fantasias. Maugham acompanha-nos na inquietação moral. Dickens lembra que o calor humano é um gesto pequeno mas transformador. Brontë oferece um mergulho no desejo e na solidão, e Duras traz o choque entre memória e identidade.

O Amante

de Marguerite Duras

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896417932
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: novembro de 2017
Idioma: Português
Dimensões: 153 x 234 x 7 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 96
Tipo de produto: Livro
Coleção: Ficções
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789896417932

Maravilhoso

Telma Castro

Ressoante em emoções, abre gavetas fechadas... daqueles livros que ficam e ficarão sempre. Ser autobiográfico, ainda lhe lá mais encanto. Gabo-lhe o arrojo, a transparência de sensações. Duras passou a ser uma das minhas escritoras preferidas. Agradeço-lhe estas 86 páginas que me tocaram muito.

O Amante

AllbyMyShelves

Um romance autobiográfico no qual Marguerite Duras nos relata partes da sua conturbada infância com a mãe e os irmãos na Indochina francesa,que aos 15 anos fica marcada pelo encontro com um herdeiro abastado chinês,mais velho e mais experiente. Neste romance,a autora mescla primordiosamemte a negligência familiar com uma relação luxuriosa,mas a vários títulos questionável,com aquele que se tornara seu Amante.Apesar de ser perturbador ler sobre relação entre uma menor,proveniente de um meio com inúmeras carências,com alguém mais velho e com outro estatuto,é igualmente impossível ficar indiferente ao desenvolvimento emocional dos protagonistas que nos vai sendo revelado. Lembro-me que devorei o livro numa manhã de sábado.Hoje penso que deveria ter disfrutado deste livro de uma forma mais pausada,menos desenfreada! Talvez a própria relação aqui retrada, se vivida com outra serenidade,pudesse ter tido um outro desfecho.

Livro com um áurea nostálgica

Rita dias

É daqueles livros que embora muito simples está carregado de emoções. É um turbilhão de sentimentos das personagens, dos pensamentos e do que é dito. É um livro muito intenso.

SOBRE O AUTOR

Marguerite Duras

Escritora, cineasta e dramaturga, Marguerite Duras (Marguerite Donnadieu) nasceu no Vietname em 1914 e morreu em 1996, em França. Foi uma das mais relevantes escritoras francesas da segunda metade do século XX. A sua obra, habitada por personagens em busca de amor até aos limites da loucura ou do crime, foi visceralmente marcada pela juventude passada na Indochina. Entre os seus muitos livros, como A Dor, Uma Barragem contra o Pacífico, Moderato Cantabile, para mencionar apenas alguns, o seu romance autobiográfico O Amante foi adaptado ao cinema. Marguerite Duras também assinou o argumento do filme Hiroshima, Meu Amor, levado à tela por Alain Resnais.

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