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Não Saí da Minha Noite

de Annie Ernaux
Livro eBook
Editor: Livros do Brasil, agosto de 2023 ‧
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No verão de 1983, durante uma vaga de calor, a mãe de Annie Ernaux sentiu-se mal e foi hospitalizada. Aperceberam-se de que não comia nem bebia há vários dias, estava desorientada, revelava falhas de memória. Pouco depois, foi diagnosticada com a doença de Alzheimer. «Não saí da minha noite» foi a última frase que escreveu, numa carta a uma amiga, quando já se encontrava a viver com Annie, que nos três anos seguintes manteve um diário. Aí registou não apenas os sinais do agravamento da doença da mãe, mas também os seus próprios sentimentos ao ver-se impotente, assistindo ao definhar daquele ser que lhe deu vida. «Sonho muitas vezes com ela, tal qual era antes da doença. Está viva, mas esteve morta. Quando acordo, durante um minuto, tenho a certeza de que ela vive realmente sob essa dupla forma, morta e viva ao mesmo tempo, como as personagens da mitologia grega que atravessaram duas vezes o rio dos mortos.»

Não Saí da Minha Noite

de Annie Ernaux

Propriedade Descrição
ISBN: 978-989-711-221-8
Editor: Livros do Brasil
Data de Lançamento: agosto de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 152 x 235 x 9 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 88
Tipo de produto: Livro
Coleção: Dois Mundos
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Memórias e Testemunhos
EAN: 978989711221811
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

O fim da noite

M.

Livro muito duro e muito cru sobre o período em que a autora acompanhou a mãe nos últimos anos da doença de Alzheimer. Lê-se num ápice, mas fica como um murro no estômago.

Dureza da demência na primeira pessoa

Catarina Silva

É um livro extraordinário, na escrita crua e franca da Annie Ernaux, num registo diário depois das visitas que faz à mãe, que tem demência, num lar. Mais do que ser uma janela para a realidade das instituições, é um exemplo de pequenos momentos que podem dar significado quando se vive num luto antecipatório, causado pela perda da identidade da mãe. Dos livros que mais gostei, da Annie Ernaux. É uma ótima reflexão para qualquer pessoa que conheça alguém com demência.

Perda da Mãe

AllbyMyShelves

Em "Não Saí da Minha Noite", Ernaux dá-nos a conhecer notas de diário dos dois anos em que vive o degradar do estado da sua mãe, em resultado da sua demência. Como já nos habituou, Ernaux faz relatos absolutamente dolorosos e sem floreados (que só surgem nos padrões das roupas da mãe) do que é ser uma filha que assume, por assim dizer, o papel de mãe da sua mãe, de como se fundiu nela com os seus medos de envelhecimento, e como ao mesmo tempo se distanciam na forma como ambas vive(ra)m as suas vidas. O relato de Ernaux sobre o que testemunha ao ver alguém, que lhe é tanto, "não sair da sua noite", da sua demência, é de uma brutalidade que, ainda que não surpreenda, deixa mossa. Ainda assim, e como sempre, ler Ernaux é um privilégio e um deleite. Obviamente recomendo!

SOBRE O AUTOR

Annie Ernaux

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2022

Annie Ernaux nasceu em Lillebonne, na Normandia, em 1940, e estudou nas universidades de Rouen e de Bordéus, sendo formada em Letras Modernas. É atualmente uma das vozes mais importantes da literatura francesa, destacando-se por uma escrita onde se fundem a autobiografia e a sociologia, a memória e a história dos eventos recentes. Galardoada com o Prémio de Língua Francesa (2008), o Prémio Marguerite Yourcenar (2017), o Prémio Formentor de las Letras (2019) e o Prémio Prince Pierre do Mónaco (2021) pelo conjunto da sua obra, destacam-se os seus livros Um Lugar ao Sol (1984), vencedor do Prémio Renaudot, e Os Anos (2008), vencedor do Prémio Marguerite Duras e finalista do Prémio Man Booker Internacional. Em 2022, Annie Ernaux foi distinguida com o Prémio Nobel de Literatura.

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