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Maio e a Crise da Civilização Burguesa

de António José Saraiva
Editor: Gradiva, maio de 2005 ‧
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"Há muito tempo que se fazia sentir a necessidade de reeditar desta obra, esgotada há 35 anos (foi objecto de 2 edições consecutivas em 69/70), pela sua grande importância para o estudo da história das ideias e dos movimentos politico-ideológicos que marcaram a Europa em grande parte do século XX. A insurreição de Maio de 68, cujos incidentes são descritos numa parte da obra (Diário de João Cândido) em grande pormenor e com grande argúcia e entusiasmo por parte de alguém que a eles assistiu e viveu intensamente, serve de ponto de partida para o estudo das razões que os motivaram e também que provocaram o seu fim. A análise dos acontecimentos de Maio converte-se assim numa indagação mais abrangente sobre a experiência da Humanidade ao longo da História e sobre a desejada inflexão dos caminhos que conduziram a uma anunciada crise da Civilização, a do "homem finito produzido. Esta é uma das obras mais ilustrativas do pensamento do autor, sobretudo quando a sua leitura for coadjuvada pela da correspondência com Óscar Lopes, em que a questão de Maio assume uma centralidade evidente."
Leonor Curado Neves

Só por outra via se pode esperar uma transformação da civilização e da vida. Só de uma semente nova que os sindicatos, os partidos, as instituições, as ideologias estabelecidas, não conhecem. Ela germina na arte, nas formas profundas, intersubjectivas, não racionalizadas das relações entre as pessoas. [...] A semente de que falo é a subjectividade, que ficou à margem do Progresso, mas que aflora na História de maneira incompreensível para os historiadores burgueses. É dela que nascem experiências místicas de várias religiões; aventuras absurdas do ponto de vista burguês, como a de Francisco de Assis ou a de Gandhi; revoltas como a de Tolstoi. É ela que se manifesta na criação artística, que transcende sempre a consciência dm vão o cientismo burguês quis explicar pela teoria da Raça-Meio-Momento, ou pela das superestruturas, ou por outras igualmente ridículas. É por ela que se explica, por exemplo, no seio do Império Romano, a expansão irresistível do cristianismo primitivo [...]. A transformação do mundo - se é que ele é transformável - será obra de uma mudança espiritual."

"Tudo isto nos leva a atribuir ao factor Cultura uma importância que o marxismo lhe recusa pelo simples facto de o considerar como uma 'supraestrutura' ou um 'epifenómeno'!. Só há verdadeira crise revolucionária lá onde há duas culturas que se combatem. Se não fosse a minha relutância pelas fórmulas publicitárias (especialmente as da moda) e o meu receio de ser arrumado numa classificação ideológica, diria que toda a verdadeira revolução é cultural."

Maio e a Crise da Civilização Burguesa

de António José Saraiva

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896160326
Editor: Gradiva
Data de Lançamento: maio de 2005
Idioma: Português
Dimensões: 133 x 208 x 9 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 164
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Ensaios
Livros em Português > Literatura > Estória
EAN: 9789896160326
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

SOBRE O AUTOR

António José Saraiva

António José Saraiva ensaísta, investigador e crítico literário, irmão do historiador José Hermano Saraiva, nasceu em a 31 de dezembro de 1917, em Leiria, e morreu a 17 de março de 1993, em Lisboa, depois de vários anos de exílio. Licenciou-se com um Ensaio Sobre a Poesia de Bernardim Ribeiro , apresentado na Faculdade de Letras de Lisboa, em 1938, tendo-se doutorado na mesma faculdade, em 1942, com uma tese sobre Gil Vicente e o Fim do Teatro Medieval. Afastado da docência universitária por incompatibilidade com o sistema pedagógico e ideológico em vigor, foi professor do ensino secundário. Mercê do seu envolvimento na ação cívica e política - António José Saraiva assumiu, entre 1944 e 1962, a militância no Partido Comunista Português - foi, depois de ter apoiado a candidatura do general Norton de Matos, em 1949, preso e impedido de ensinar. Durante os anos seguintes, viveu exclusivamente das suas publicações e da colaboração em jornais e revistas. No exílio desde 1960, foi, em França, bolseiro do Collège de France e investigador do Centre National de Recherche Scientifique. Professor catedrático na Universidade de Amsterdão, regressou a Portugal apenas em 1974, após a Revolução de 25 de Abril, passando a desenvolver atividade docente na Universidade Nova e na Universidade Clássica de Lisboa. Ao longo deste percurso profissional, António José Saraiva publicou uma vastíssima e importante bibliografia, considerada de referência nos domínios da História da Literatura e da História da Cultura portuguesas, amadurecida quer na edição de obras e no estudo de autores individualizados (Camões, Correia Garção, Cristóvão Falcão, Almeida Garrett, Herculano, Fernão Lopes, Fernão Mendes Pinto, Gil Vicente, Eça de Queirós, Oliveira Martins, entre outros), ressaltando-se nesse âmbito os vários estudos que dedicou a Os Lusíadas ou ao Padre António Vieira, quer através da publicação de obras de grande fôlego como a História da Cultura em Portugal ou, de parceria com Óscar Lopes, a História da Literatura Portuguesa. Por outro lado, a capacidade de rever com lucidez e audácia os seus próprios princípios hermenêuticos conferem à sua obra ensaística um caráter paradigmático no que diz respeito à necessidade de questionamento que deve subjazer ao labor do estudioso. António José Saraiva legou, desse modo e também por uma postura contestatária, manifestada na expressão de um olhar crítico sobre a sociedade sua contemporânea, à posteridade, uma imagem de inconformismo face a todo o poder que tenda para uma institucionalização - mau grado o reconhecimento unânime de que gozava, como modelo cívico, junto da opinião pública recusou, por exemplo, receber em vida qualquer galardão oficial -, ou a todo o saber que não contenha em si a premissa fecunda da dúvida e da novidade.

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