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Fronteiras Perdidas

Contos para viajar

de José Eduardo Agualusa
Livro eBook
Editor: Quetzal Editores, setembro de 2017 ‧
15,50€
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Um morto da guerra descansa numa caneca de leite, a meio da noite, em Luanda. Está um passageiro transformado em serpente no lavabo de um avião. Um elevador, no Recife, foi desviado para Cuba por alturas do quarto andar. Um hotel em que alguém afirma que dormiu está abandonado há anos. E Plácido Domingo contempla o rio, em Corumbá. O sonho, o delírio, a vergonha, a fé, a pele, a memória, o feitiço, o nome, o ódio e a entrega são territórios de exílio e, nessa condição, lugares de morança.

Misturam-se com uma fluidez voraz: são fronteiras perdidas, linhas de vida de outra maneira, um catálogo de paisagens oníricas. Histórias que não são visíveis mas são visitáveis. Este livro é um caminho para elas e encerra pequenas sabedorias, sendo a maior: não existem sítios, apenas posições. E como diz um dos percursos: «Não há mais lugar de origem.»
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Fronteiras, Liberdade e Destino

Estas obras convergem num mesmo território simbólico: o da migração exterior e interior, do corpo, da mente e da identidade. Falam de deslocação, pertença e errância e de como a liberdade, mesmo quando conquistada, nos obriga sempre a escolher entre o que deixamos e o que levamos connosco. Cada uma, à sua maneira, interroga o impulso humano de atravessar fronteiras, sejam elas geográficas, linguísticas, sociais ou íntimas.
Em Depois de Morrer Aconteceram-me Muitas Coisas, de Ricardo Adolfo, o exílio é físico e existencial. O protagonista perde-se numa cidade estrangeira, mas sobretudo em si mesmo; o medo, o absurdo e a ternura coexistem.
Em Condenação, de Pedro Almeida Maia, a fronteira é histórica e moral: um português emigrado nos Estados Unidos dos anos 1920 confronta-se com a violência do sonho americano e com o preço da sobrevivência num mundo que o julga antes de o ouvir.
Como Funciona Realmente a Migração, de Hein de Haas, desmonta mitos e discursos que, de ambos os lados do espectro político, distorcem a realidade dos movimentos humanos. Através de dados e de décadas de investigação, o autor revela que migrar é um ato antigo e estrutural, não um problema a resolver, mas uma expressão da própria condição humana.
Em Fronteiras Perdidas José Eduardo Agualusa convoca o poder da imaginação para dissolver limites e questionar o que é real ou possível. As suas narrativas oníricas e poéticas mostram que a maior viagem é a que fazemos dentro de nós, entre a memória e o sonho, o desejo e a perda.
Vamos conhecê-las um pouco melhor. Depois de Morrer Aconteceram-me Muitas Coisas, de Ricardo Adolfo Imagine-se perdido numa cidade cujas ruas não conhece, em cujo silêncio a sua língua interior parece ter falhado. É aqui que entra Brito, imigrante ilegal, pai e companheiro, que num domingo à tarde vê o regresso à sua nova vida transformar-se numa odisseia. A cada passo que dá, a cada esquina que evita, a cada «bom dia» que não ousa pronunciar sente que o mundo o atravessa e que, em vez de caminhar para casa, caminha para fora de si.
Este romance convida-o a sentir o que significa estar em fuga sem movimento, a experienciar a vulnerabilidade de quem não pede ajuda por medo de quebrar o próprio sonho, a escutar a voz interior que insiste: «se calhar o certo é justamente aquilo que evitamos». Em pouco mais de vinte e quatro horas, verá que a maior viagem não é de cidade para cidade, mas de um corpo que exige visibilidade para uma alma que se esconde. Ao ler este livro vai confrontar-se com aquilo que sucede quando o exílio já não é apenas geográfico, quando se faz dentro da pele, dentro do idioma que deixámos para trás, dentro da vida que escolhemos por não parecer outra. Vai perceber que a margem não está «lá fora», mas dentro. E que, por vezes, o regresso mais difícil é o que nunca começa nem termina. COMPRO NA WOOK! » Condenação, de Pedro Almeida Maia Nos Estados Unidos da década de 1920, a Lei Seca transformava o crime em negócio e o sonho em sobrevivência. Entre gangues e alambiques, este livro convida-o a acompanhar a trajetória de um homem que emerge de uma comunidade açoriana no Massachusetts e se vê envolvido na violência, no tráfico e na justiça implacável.
O leitor sente o peso de um mundo em que as fronteiras entre inocência e culpa se apagam, em que o preconceito e o poder se cruzam e a participação silenciosa pode pesar tanto como o ato explícito. Ao longo destas páginas, a leitura torna-se uma viagem à pergunta essencial: quem decide o destino, quem julga e quem é julgado, e quais são os custos invisíveis da migração, da identidade e da justiça quando se vai mais longe do que se imaginava. COMPRO NA WOOK! » Como Funciona Realmente a Migração, de Hein de Haas Ao folhear este livro perceberá que muitos «lugares-comuns» sobre a migração estão de cabeça para baixo. Vã ideia de «migração maciça causada pelo clima»? Não corresponde aos factos. A crença de que todos os imigrantes são trabalhadores empenhados? Requer revisão. Este livro propõe-lhe olhar para o fenómeno da migração de outra forma: não como catástrofe, não como solução fácil, mas como parte dos fluxos constantes que moldam o mundo.
Ser-lhe-á oferecido um conjunto de dados, comparações e tendências que fazem ruir discursos simplistas, revelando que migrar é tão antigo quanto mover-nos, tão estruturado quanto a economia ou a cultura. Prepare-se para confrontar aquilo que pensava saber e para descobrir que compreender a migração exige menos paixão partidária e mais atenção ao que os números, as histórias e o tempo realmente dizem. COMPRO NA WOOK! » Fronteiras Perdidas, de José Eduardo Agualusa Neste conjunto de contos, o leitor atravessará paisagens em que o absurdo e o familiar se cruzam: um morto da guerra repousa numa caneca de leite em Luanda, um passageiro transforma-se em serpente num avião, um elevador no Recife é desviado para Cuba, um hotel abandonado guarda o eco de alguém que afirma ter dormido ali.
O livro propõe uma viagem por territórios de exílio e reencontro, entre o sonho, a vergonha, a pele, a memória e o feitiço. A leitura revela a ideia de que não existem sítios, apenas posições. A morada muda-se, o lugar de origem desvanece e as fronteiras perdem-se, num espaço em que o real e o imaginário se misturam e se tornam indissociáveis. COMPRO NA WOOK! » Juntos, estes livros formam um mapa de deslocações: entre países e tempos, entre verdades e ilusões, entre o medo de partir e a coragem de continuar. As suas páginas convidam-nos a pensar o movimento não apenas como deslocação física, mas como transformação interior. Porque migrar, literal ou metaforicamente, é sempre uma reinvenção, uma tentativa de regressar a casa, mesmo quando já não sabemos onde ela fica.

Fronteiras Perdidas

Contos para viajar

de José Eduardo Agualusa

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897223976
Editor: Quetzal Editores
Data de Lançamento: setembro de 2017
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 235 x 9 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 128
Tipo de produto: Livro
Coleção: Obras de José Eduardo Agualusa
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 9789897223976
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

SOBRE O AUTOR

José Eduardo Agualusa

José Eduardo Agualusa nasceu no Huambo, Angola, em 1960. Estudou Agronomia e Silvicultura. Viveu em Lisboa, Luanda, Rio de Janeiro, Berlim — e, atualmente, divide o seu tempo entre Lisboa e a Ilha de Moçambique. Os seus romances têm sido distinguidos com os mais prestigiados prémios nacionais e estrangeiros: O Vendedor de Passados ganhou o Independent, em 2004, e Teoria Geral do Esquecimento foi finalista do Man Booker, em 2016, e vencedor do Dublin Literary Award. Toda a sua obra literária está publicada na Quetzal. Os seus mais recentes livros são o romance Mestre dos Batuques (2024) e a recolha de contos Quero Ser os Teus Domingos (2025).

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