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Florbela Espanca

Alma Sonhadora - Irmã Gémea de Fernando Pessoa

de Florbela Espanca
Editor: Manufactura, novembro de 2021 ‧
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Esta obra reúne os contos completos e inclui toda a poesia publicada em vida ou parcialmente revista pela poetisa.

Com os seus frugais 36 anos vividos, ao longo dos quais nada lhe bastou, nada a satisfez e nada a preencheu por completo, Florbela Espanca ofereceu-nos, com um espírito panteísta e feminista, o melhor que se pode conhecer da beleza das coisas raras e etéreas.

Viveu fora do seu tempo, é certo, mas deixou, através do seu estilo lacónico e dramático, tanto em poesia como em prosa, e em obstinado diálogo com uma tradição cultural e poética masculina, um legado que transcende os tempos e comprime os espaços.

Perante a excelência literária da obra florbeliana, resta-nos curvar a cabeça e desejar que esta iniciativa editorial seja como a sua alma: sonhadora e imortal.

Florbela Espanca

Alma Sonhadora - Irmã Gémea de Fernando Pessoa

de Florbela Espanca

Propriedade Descrição
ISBN: 9789725594360
Editor: Manufactura
Data de Lançamento: novembro de 2021
Idioma: Português
Dimensões: 151 x 223 x 28 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 366
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 9789725594360

Amar, amar perdidamente!

J. L. Pires

Florbela é luz crepuscular gotejada em palavras de encanto. Se a sua poesia se sabia, já, deslumbramento, os seus contos (que desconhecia e que este volume reúne) são absolutamente divinos, dos mais belos que já li. A edição revela-se bastante útil, na medida em que reúne algo bastante próximo do que seria a obra completa da poeta (embora possua uma ou outra imprecisões nos textos de contextualização introdutórios).

SOBRE O AUTOR

Florbela Espanca

Poetisa e contista. Depois de concluir os estudos liceais em Évora, frequentou a Faculdade de Direito de Lisboa. A abordagem crítica da sua obra poética, marcada pela exaltação passional, tem permanecido demasiado devedora de correlações, mais ou menos implícitas, estabelecidas entre o seu conturbado percurso biográfico - uma existência amorosa e socialmente malograda que culminaria com um suicídio aos 36 anos de idade -, e uma voz poética feminina, egotista e sentimental, singularmente isolada no contexto literário das primeiras décadas do século. Na verdade, a leitura mais imparcial das suas composições, entre as quais se contam alguns dos mais belos sonetos da língua portuguesa, permite posicioná-la quer na matriz de uma poesia finissecular que, formalmente, cruza caracteres decadentistas, simbolistas (são várias as referências na sua poesia a autores simbolistas) e neorromânticos (acusando a admiração por certos autores da terceira geração romântica, como Antero de Quental), "à maneira de um epígono de António Nobre" (cf. PEREIRA, José Augusto Seabra - prefácio a Obras Completas de Florbela Espanca, vol. I, Poesia, Lisboa, D. Quixote, 1985, p. IV), quer, ainda, pela forma como a vivência do amor promove, a cada passo, uma mitificação do eu, na senda de certos autores do primeiro modernismo como Sá-Carneiro, Alfredo Guisado ou António Botto. Por outra via, a da literatura mística, Florbela Espanca reata conscientemente ("Soror Saudade") com a tradição da literatura claustral feminina que recebera, no período de maior florescimento, uma marca conceptista, mantida na poética de Florbela por certa propensão para a exploração das antíteses morte/vida, amor/dor, verdade/engano. A imagem da mulher que sofre de ilusão em ilusão amorosa, que reitera até ao desespero a sua fatalidade, que dá expressão a uma existência irremediavelmente minada pela ansiedade e pela incompreensão, acabou por, na receção alargada da sua poesia, sobrepor-se a outros nexos temáticos com igual pertinência, como a dor de pensar e a aspiração à simplicidade ("Quem me dera voltar à inocência / Das coisas brutas, sãs, inanimadas, / Despir o vão orgulho, a incoerência: / - Mantos rotos de estátuas mutiladas!" ("Não Ser"); ou a forma como a busca do amor se volve essencialmente em busca de si mesma através dos estilhaços de um ser que não sabe ser sozinho: "Ó pavoroso mal de ser sozinha! / Ó pavoroso e atroz mal de trazer / Tantas almas a rir dentro da minha!" ("Loucura", in Sonetos). Florbela Espanca.

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