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Em Busca do Tempo Perdido - Volume II

À Sombra das raparigas em Flor

de Marcel Proust
Editor: Relógio D'Água, abril de 2003 ‧
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A edição de Em Busca do Tempo Perdido, traduzido pelo poeta Pedro Tamen, é, sem dúvida, um dos acontecimentos editoriais do ano. Prossegue agora com o segundo volume, À Sombra das Raparigas em Flor (Prémio Goncourt).
Combray e a infância ficaram para trás. E Gilberte também. O narrador segue agora pelas reminiscências da adolescência, e visita a estância de Balbec, com a avó. Surgem Albertine, rodeada pelas amigas, e o pintor Elstir, com os seus quadros de marinhas.

«Através desta tradução, sente-se a presença de um poeta e de um profundo conhecedor da literatura portuguesa. No texto, ecoa a memória do mais parisiense dos nossos escritores - Eça de Queirós - que semeia os seus romances de expressões francesas. Pedro Tamen oscila entre a tradução de topónimos e a sua manutenção na língua de partida, seguindo de perto as hesitações de A Cidade e as Serras, criando uma atmosfera próxima e distante, como se estivéssemos ainda nos finais do século XIX ou, talvez, no início do século XX. Conserva, na língua original, os nomes das personagens, mesmo quando seria possível traduzi-los, fiel a um autor que acredita no poder de nomear. Faz nascer o desejo de leitura, como se agora Marcel Proust começasse a ser, de uma outra forma, a sua própria tradução.»
Teresa Almeida, Expresso, Actual 12/07/03

Em Busca do Tempo Perdido - Volume II

À Sombra das raparigas em Flor

de Marcel Proust

Propriedade Descrição
ISBN: 9789727087365
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: abril de 2003
Idioma: Português
Dimensões: 148 x 221 x 31 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 544
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789727087365
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Excelente!

Diogo

A continuação daquele que é, muito provavelmente, o maior romance do sec. XX. Para ler devagar, descobrindo cada frase e degustando o talento de um dos maiores escritores de sempre. Com uma tradução excelente e em edição de capa dura, é um livro indispensável.

O tempo dos nossos primeiros amores

Vanessa Dias

Com este “À Sombra das Raparigas em Flor” vêm sentimentos carregados de desejos carnais, o estio ondulante, a languidez do enamoramento – tudo isso o próprio subtítulo já anuncia e estimula, porém, no meio do percurso individual e de pendor introspectivo da personagem central, as diferenças de estatuto da sociedade francesa da época estalam diante dos nossos olhos. Sendo uma obra sobre o Tempo, onde a memória e as reminiscências operam um papel crucial, é aqui que encontramos uma reflexão sobre o nosso lugar no tempo e no espaço; em “À Sombra das Raparigas em Flor”, torna-se claro que estamos à mercê do Tempo, que é maior do que nós e irrecuperável, que nos constrói sem que tenhamos consciência da sua passagem. Este excerto exemplifica-o na perfeição: “Teoricamente sabe-se que a Terra gira, mas de facto não damos por isso, o chão que pisamos parece que não se mexe e vivemos tranquilos. É o que se passa com o Tempo na vida.”

SOBRE O AUTOR

Marcel Proust

Romancista e crítico francês, nasceu a 10 de julho de 1871 em Auteuil, perto de Paris, e morreu a 18 de novembro de 1922, na capital francesa. Era uma criança débil e asmática mas também com uma inteligência e uma sensibilidade precoces. Até aos 35 anos movimentou-se nos círculos da sociedade parisiense. Depois da morte dos pais isolou-se no seu apartamento de Paris, onde se entregou profundamente à composição da obra-prima, A la recherche du temps perdu (Em Busca do tempo Perdido, 1914-27). Este imenso romance autobiográfico consta de sete volumes em que expressa as suas memórias através dos caminhos do subconsciente, e é também uma preciosa reflexão da vida em França nos finais do século XIX. A obra é como a sua vida: o reencontro de duas épocas, a tradição clássica e a modernidade. Proust é considerado o precursor do romance contemporâneo.
Marcel Proust licenciou-se em Direito (1893) e Literatura (1895). Durante os anos de estudo foi influenciado pelos filósofos Henri Bergson, seu tio, e Paul Desjardins e pelo historiador Albert Sorel. Em 1896 publicou les Plaisirs et les jours uma coleção de versos e contos de grande valor e profundidade, muitos dos quais saíram nas revistas le Banquet e la Revue Blanche. A revista le Banquet (1892) foi fundada pelo próprio Marcel Proust em conjunto com amigos. É nesta altura que publica os seus primeiros trabalhos literários e biografias de pintores. Faz traduções de Ruskin, ensaia o relato romanesco da sua trajetória espiritual compondo Jean Santeuil, obra que fará silenciar por lhe parecer apressada e demasiado próxima do seu diário.
A morte do pai (1903), da mãe (1905) e de um grande amigo, empurraram-no para a solidão, mas permanece financeiramente independente e livre para escrever. É através da reflexão que desenvolve a obra Contre Sainte-Beuve, composta em 1907, aproxima-se já do grande livro A la recherche du temps perdu. Em 1909 priva-se de toda a vida social e quase de toda a espécie de comunicação. Em 1912 foram publicados no jornal "le Figaro" os primeiros extratos da obra. Proust cria um trabalho grandioso, escrito na primeira pessoa. Exceção na narrativa, Un Amour de Swann é a história de uma época. O mundo exterior e o mundo interior são originalmente identificados. Viajando no tempo, problematiza a modernidade e a existência maquinal a que ela nos condenou. É um trabalho realizado no reencontro de uma vida perdida e que se prolonga, por outro lado, numa metafísica sugerida, como é o caso do episódio da chávena de chá em que Proust nos quer transmitir que a realidade autêntica vive no nosso inconsciente e só uma viagem involuntária pela memória nos leva ao contacto com ela. A la recherche du temps perdu é uma história alegórica da sua vida, de onde são retirados os acontecimentos e os lugares. O autor projeta a sua própria homossexualidade nas personagens considerando-a, bem como a vaidade, o snobismo e a crueldade, o maior símbolo do pecado original.
Proust é considerado precursor da nova crítica e fundador da crítica temática. Publicou ainda em 1919 Pastiches et mélanges.

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