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Diários

de Al Berto
Livro eBook
Editor: Assírio & Alvim, outubro de 2012 ‧
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Embora não haja uma organização definida pelo autor, nem indicações quanto à edição dos diários, Al Berto alimentava o corpo dos cadernos com notas e esboços, acreditando, por vezes, que esse devir-obra da sua própria vida pudesse ganhar uma dimensão diferente, uma outra "força", "outra leitura" se ponderasse a sua publicação. Decidimos agora, de acordo com a vontade dos herdeiros legais e, ao mesmo tempo, fazendo eco do desejo de Al Berto, tornar públicos estes documentos privados.

Nestes Diários sobressai o registo diário de algo que servia para um uso pessoal e íntimo. Estamos perante um corpus que se expõe a si mesmo, que se dá no ritmo efervescente da criação mas também na sua fragilidade, na dúvida.

«É também aqui, na impossibilidade da reprodutibilidade do género, que não se ensina, que não se aprende, que se vê (de) onde nasce a escrita, como tão claramente expõe este “laboratório poético” que são os Diários de Al Berto agora publicados. […] 500 páginas de pulsão autobiográfica pujante. […] “Uma bala anda à solta” neste livro e isso é quanto baste para o devorar.»

Raquel Ribeiro, Público

Diários

de Al Berto

Propriedade Descrição
ISBN: 978-972-37-1650-4
Editor: Assírio & Alvim
Data de Lançamento: outubro de 2012
Idioma: Português
Dimensões: 147 x 205 x 34 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 592
Tipo de produto: Livro
Coleção: Obras de Al Berto
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Memórias e Testemunhos
EAN: 978972371650412
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Uma viagem

Miguel Ortigão de Oliveira

Ler este livro, é viajar, através de pequenas frases, poemas e textos pela mente de Al Berto, os seus sonhos, vivências e medos, deambulando de uma forma encantadora pelas ruas de Sines e, no fundo, por todos os mundos que fazer de Al Berto um poeta singular e magnífico na poesia portuguesa.

Revelação do «eu»

Emanuel Guerreiro

Para quem admira a poesia de Al Berto, a possibilidade de ler, também, os seus registos pessoais e íntimos permite a partilha do sujeito e do autor, numa revelação do olhar para si mesmo, do reconhecimento de si mesmo e da exposição do «eu» na memória, no quotidiano e na criação: «é capaz de ser o meu livro de melancolia...» (p. 66).

Uma janela para o universo criativo e íntimo de Al Berto

Leonardo de Barros

Os Diários não apenas possibilitam uma janela para a intimidade de Al Berto - suas relações afetivas, bastidores de seus projetos, convívio com outros artistas -, mas contribuem também para o entendimento de sua visão poética - aquilo que chamou de "projeto de escrita" - e para a observação mesma desse percurso por meio da comparação do material "bruto" constante dos Diários e do que foi posteriormente publicado nos três volumes (pseudo)diarísticos (de 1982, 1984 e 1985), incluídos em O Medo. A edição traz pequenas gralhas e imprecisões de leitura que futuras edições, certamente, se encarregarão de corrigir.

O Interior do Homem/Poeta

Calheiros

Este Livro é uma Obra Prima, uma passagem para o Interior do Homem, assim como do Poeta. É o acompanhar de ambos em direcção da Morte... "Assim prossigo caminho pelas fronteiras do eterno relógio, assim me vou esquecendo da vida ao tactear a urgência das veias. Hesito, recuo, pondero a situação, mas nenhum grito me detém.". Genial!

A Oficina do Poeta

Joaquim Moreira

Os Diários do Al Berto são a outra face da sua poesia. Vale a pena a sua leitura para compreendermos a força dos seus versos, que saem na verdade do seu dia a dia. Uma verdadeira Oficina da sua Poesia.

Perspetiva

Ruben E.

O processo e mundividência de Al Berto. Citando o próprio autor, "este diário não tem qualquer interesse como escrita. Não faz mal." A nível editorial, os movimentos da escrita estão devidamente representados e a escolha dos textos é eficaz para o tipo de obra de que se trata.

Fabuloso!

Luís Filipe Miranda

Sublime. Imprescindível para se conhecer o autor e a obra. Fiquei e continuo fascinado com esta viagem.

Para ler com tempo e dedicação

João Paulo Coelho

Esta é daquelas colectâneas que é necessário ler com tempo e muita dedicação. Relata a vida de um poeta (de um verdadeiro poeta que não era capaz de sobreviver sem a escrita, ainda que ela o matasse aos poucos) até à última entrada do seu diário, já desgastada, confusa, submersa no delírio e na doença, em 1997. Tal como os seus livros o demonstram, os Diários mostram muito sofrimento, muita solidão, um desassossego existencial constante e, segundo Al Berto, sem explicação. Uma leitura essencial para admiradores da escrita do autor.

SOBRE O AUTOR

Al Berto

Poeta e editor português, de nome completo Alberto Raposo Pidwell Tavares, nasceu a 11 de janeiro de 1948, em Coimbra, e faleceu a 13 de junho de 1997, em Lisboa. Tendo vivido até à adolescência em Sines, exilou-se, entre 1967 e 1975, em Bruxelas, dedicando-se, entre outras actividades, ao estudo de Belas-Artes. Publicou o primeiro livro dois anos depois de regressar a Portugal.
Em mais de vinte anos de atividade literária, a expressão poética assumida por Al Berto, o pseudónimo do autor, distingue-se de qualquer outra experiência contemporânea pela agressividade (lexical, metafórica, da construção do discurso) com que responde à disforia que cerca todos os passos do homem num universo que lhe é hostil. Trazendo à memória as experiências poéticas de Michaux ou de Rimbaud, é no próprio sofrimento, na sua violenta exaltação, na capacidade de o tornar insuportavelmente presente (nas imagens de uma cidade putrefacta, na obsidiante recorrência da morte e do mal, sob todas as suas formas) que a palavra encontra o seu poder exorcizante, combatendo o mal com o mal. É neste sentido que Ramos Rosa fala de uma "poesia da violência do mundo e da realidade insuportável": "a opacidade do mal ou a agressividade do mundo é tão intensa que provoca um choque e um desmoronamento geral", mas "à violência desta destruição responde o poeta com uma violenta negatividade que é uma pulsão de liberdade absoluta, que procura por todos os meios o seu espaço vital.", sublinhando ainda a forma como esta espécie de "grito de fragilidade extrema e irredutível do ser humano, do seu desamparado infinito, da sua revolta absoluta e sem esperança", se consubstancia, ao nível do estilo, num ritmo "ofegante, precipitado, como um assalto contínuo feito de palavras tão violentas como instrumentos de guerra" (cf. ROSA, António Ramos - A Parede Azul. Estudos Sobre Poesia e Artes Plásticas, Lisboa, Caminho, 1991, pp. 120-121). No domínio editorial, a sua atividade pautou-se pela isenção e certa ousadia relativamente às políticas comerciais livreiras dominantes.
Inicialmente seguindo uma estética surrealizante de temática erótica, em O Anjo Mudo (1993) funde prosa e poesia, exprime intertextualidades, numa viagem marginal e purificadora. A quase totalidade da sua obra poética encontra-se coligida em O Medo.
Foi galardoado com o Prémio Pen Club de Poesia em 1987.

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