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Demasiada Felicidade

de Alice Munro
Editor: Relógio D'Água, dezembro de 2010 ‧
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Dez contos inéditos da vencedora do Man Booker International Prize de 2009.
Na primeira história, uma jovem mãe é libertada, por um volte-face surpreendente, do sofrimento de ter perdido os seus três filhos. Noutra história, uma rapariga reage a um caso humilhante de sedução com uma solução astuta ainda que pouco louvável. Outros contos revelam as zonas de sombra de um casamento, a crueldade insuspeita das crianças ou a maneira como a cara desfigurada de um rapaz é o motor de tudo o que há de bom e de mau na sua vida. E na longa história que dá título ao livro, acompanhamos Sophia Kovalevsky — emigrante russa e matemática de finais do século XIX — numa viagem que empreende no Inverno através da Europa, até chegar à Suécia onde encontra finalmente uma universidade disposta a contratar uma mulher para leccionar Matemática.
Alice Munro transforma uma vez mais acontecimentos e emoções complexos em histórias que iluminam a maneira imprevisível como os homens e as mulheres acomodam e muitas vezes transcendem o que acontece nas suas vidas.
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Alice Munro, uma vida a contar as nossas histórias

Alice Munro, laureada com o Prémio Nobel em 2013 e considerada uma das maiores escritoras de contos em língua inglesa, morreu esta semana aos 92 anos, deixando um legado literário ímpar.
Ao longo de mais de 40 anos, Munro retratou tanto o desejo como o lado obscuro da vida quotidiana no Canadá rural, em particular a das mulheres – temas que estavam há muito fora de foco para a corrente dominante, e que acabram por lhe granjear o reconhecimento unânime mais tarde na vida da autora – entre os muitos prémios que distinguem a sua obra, destaca-se o Man Booker International Prize em 2009, além do Nobel.
Nascida em Ontario, no Canadá, antes de se tornar escritora Munro tinha já trabalhado como bibliotecária e aberto, com o primeiro marido, uma livraria, em Victoria. Escrevia desde a adolescência, mas tinha receio de divulgar o que criava. Disse que começou a escrever contos porque «não tinha tempo para escrever mais nada – tinha três filhos». Munro escrevia entre as sestas e as tarefas domésticas, tendo publicado a sua primeira coleção de contos, Dance of the Happy Shades, em 1968, aos 37 anos.
Habituou-se a escrever histórias curtas e achava que nunca iria escrever um romance. Mas escreveu, um único, em 1971: Vidas de Raparigas e Mulheres, uma obra perspicaz e sincera, em parte autobiográfica, que retrata a vida de uma jovem na zona rural do Ontario nos anos 40, no que a autora considerou «uma coleção de histórias interligadas».

Ter nascido numa pequena cidade canadiana deu a Munro a inspiração para usar o ambiente que, lhe era tão familiar, como cenário para tantas das suas histórias. Nos seus contos, género a que se dedicou-se quase exclusivamente, acomodando, «em poucas páginas», e de forma magistral, a «complexidade épica do romance», como referiu o comité Nobel.
Os problemas de relacionamentos e os conflitos morais atravessam as suas narrativas, em que explora como mesmo acontecimentos triviais podem ter grandes impactos na vidade de alguém, e a maneira imprevisível como homens e mulheres os transcendem. Delicadamente intrincadas, as suas histórias movem-se para trás e para a frente no tempo, e também entre a realidade e a memória. As vidas que retrata são, como todas as vidas, cheias de começos, paragens e reviravoltas.
Com o seu subtil entendimento das vidas normais, Alice Munro tornou-se uma contadora de histórias extraordinárias sobre pessoas comuns, adentrando os recantos mais íntimos das suas vidas. Porque estas escrevem, por nós, os nossos próprios romances.

Alice Munro, em declarações ao New York Times (1986):


«A auto-ilusão parece quase como algo que é um grande erro, que deveríamos aprender a não fazer. Mas não tenho a certeza se podemos. Toda a gente está a fazer o seu próprio romance da sua vida. O romance muda – no início temos um romance muito satisfatório que tem uma técnica bastante simples, e depois saímos disso e acabamos com um tipo de romance muito descontínuo, discordante e muito contemporâneo. Penso que o que acontece a muitos de nós na meia-idade é que já não conseguimos agarrar-nos à nossa ficção.»

Demasiada Felicidade

de Alice Munro

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896412104
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: dezembro de 2010
Idioma: Português
Dimensões: 156 x 235 x 17 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 272
Tipo de produto: Livro
Coleção: Ficções
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 9789896412104

Todos os livros de Alice Munro

Maria J.

Mais uma coleção de contos imperdíveis - a ficção em Alice Munro é tão poderosa quanto a realidade, não obedece a matrizes, impõe-se tal como nas nossas vidas e nas que nos rodeiam. Alice Munro é para ler, toda, sem vontade de parar.

Demasiada felicidade nunca é demais, temos que ser otimistas

Inês Redondo

Este livro de contos remete a nossa leitura, para uma série de reflexões onde é possível encontrarmos similaridades com as nossas próprias vivências, demonstrando que, quem ama o conhecimento ultrapassa barreiras impensáveis e sujeita-se a imprevisibilidades próprias de quem persegue uma aventura por amor ao oficio.

SOBRE O AUTOR

Alice Munro

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2013

Alice Ann Munro, nascida Alice Ann Laidlaw (Wingham, 10 de julho de 1931 – Port Hope, 13 de maio de 2024). Foi distinguida com alguns dos mais importantes prémios literários, dos quais se destacam o Prémio Nobel da Literatura 2013 e o Man Booker International Prize em 2009. Venceu também por três vezes o Prémio Governador Geral do Canadá para Ficção.
A Academia Sueca designou-a como "mestre do conto contemporâneo".
A editora Relógio D’Água publicou desde 2007 cinco antologias de contos de Alice Munro (Fugas, O Amor de Uma Boa Mulher, Demasiada Felicidade, O Progresso do Amor e Amada Vida) e o romance com aspetos autobiográficos A Vista de Castle Rock.
Alice Munro possui o singular talento de nos expor de modo conciso a essência da vida através dos seus contos e romances.
As suas personagens habitam pequenas povoações dos arredores de Ontário ou do Lago Huron. São adolescentes, mulheres e famílias descritas nos seus trajetos habituais, mas que são transformadas por um encontro casual, uma ação não realizada, que causam um desvio no destino das suas vidas e modos de pensar.
As suas histórias mostram-nos, nas separações, partidas, novos começos, acidentes, regressos e perigos, imaginários ou reais, como o quotidiano das nossas vidas pode ser tão estranho e arriscado quanto belo.
Herdeira de Tchékhov e do realismo lírico do Joyce contista, Alice Munro conseguiu com o seu «sentimento instintivo de aritmética emocional da vida quotidiana» deixar uma marca indelével na escrita contemporânea.
Através do caráter inesperado e emocionante das vidas, Munro mostra-nos como os homens e as mulheres se acomodam e muitas vezes transcendem o que acontece nas suas vidas.

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