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Crash

de J. G. Ballard
Editor: Elsinore, junho de 2016 ‧
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Ao destruir o seu carro num acidente, assistindo à morte do condutor do outro veículo diante dos seus olhos, James Ballard, o narrador deste livro, descobre o fascínio pela confusão e caos do metal e de superfícies amolgadas, resultantes do impacto entre carros.
É a visão do seu amigo e visionário Robert Vaughan, homem que conduz uma espécie de irmandade de adoradores obcecados com as possibilidades eróticas dos desastres de viação, que Ballard partilha connosco: o derradeiro acidente, uma colisão frontal, um vórtice de sangue, sémen e líquido refrigerante — retrato singular da dependência crescente da tecnologia como intermediária das relações humanas, em que o erótico, o mecânico e o macabro se confundem.
Publicado originalmente em 1973, Crash continua a ser um dos romances mais chocantes do século XX, tendo sido adaptado para cinema, sob o mesmo título e com igual controvérsia, por David Cronenberg.
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Primeiro estranha-se

Há livros que começam com uma ideia estranha, sem sentido, e ainda assim tudo se constrói a partir daí. Primeiro há resistência, depois habituação. O que era insólito deixa de ser visto como um erro e passa a fazer parte da estrutura. Não serve para fugir ao real, mas para expor o que a realidade tende a esconder. A Espuma dos Dias, O Tambor de Lata, A Lotaria e Outras Histórias, Ruído Branco e Crash partem desse desvio inicial e levam-no até às últimas consequências, sem tentar corrigir ou explicar o que está fora do lugar. Nestes livros, o absurdo deixa de ser um problema e passa a ser a forma mais fácil de interpretar o mundo. A Espuma dos Dias, de Boris Vian Colin, o protagonista de A Espuma dos Dias, é um jovem rico que vive sem pressas nem obrigações. Passa os dias a ouvir música, no meio de pequenos luxos e de invenções como o pianocktail, um instrumento que transforma notas musicais em bebidas. É nesse contexto que conhece Chloé. Apaixonam-se e casam-se rapidamente. Pouco depois, Chloé adoece. Um nenúfar começa a crescer no seu pulmão, sem qualquer explicação. A vida do casal passa a girar em torno da doença. O tratamento é caro e exige cuidados constantes, obrigando Colin a trabalhar pela primeira vez. O dinheiro começa a faltar e a própria realidade à sua volta altera-se. A casa onde vivem torna-se cada vez menor e mais escura, como se acompanhasse o estado de Chloé. No romance, o insólito é aceite desde o início e levado até ao fim. A própria linguagem e os objetos participam nessa lógica, deformando-se à medida que a história avança. É essa coerência que sustenta a narrativa e conduz a transformação de tudo o que parecia estável. A obra foi adaptada ao cinema em 2013 por Michel Gondry. COMPRO NA WOOK! » O Tambor de Lata, de Günter Grass Em O Tambor de Lata, Oskar Matzerath narra a sua história recuando ao momento em que, com apenas três anos, recebe um tambor de lata. Nesse mesmo dia, ao perceber o que o espera no futuro, em particular o destino de herdar o negócio do pai e integrar-se numa ordem que não escolheu, o menino decide que não quer ser adulto e deixa de crescer. O seu corpo mantém-se infantil, mas a consciência continua a desenvolver-se de forma lúcida, embora instável. Num período conturbado da História alemã, marcado pela ascensão do nazismo e pela Segunda Guerra Mundial, a decisão de não crescer define a posição de Oskar face aos acontecimentos que o rodeiam. Vive-os de perto, mas recusa pertencer-lhes. O tambor passa a ser o meio através do qual se impõe e intervém na realidade à sua volta, quase como uma extensão do seu corpo. No livro, Günter Grass usa premissas absurdas, próximas do realismo mágico, para deformar a realidade e torná-la mais legível. O insólito expõe comportamentos e revela mecanismos sociais que, num registo mais direto, poderiam passar despercebidos, mostrando como a adesão, a passividade e a violência se instalam sem resistência evidente. COMPRO NA WOOK! » A Lotaria e Outras Histórias, de Shirley Jackson No livro de contos A Lotaria e Outras Histórias, o absurdo instala-se de forma discreta, sem sinais evidentes de rutura. O conto que dá o nome ao livro centra-se na tradição de uma pequena aldeia norte-americana, com os habitantes reunidos na praça em torno de uma caixa de madeira que guarda os papéis de um sorteio anual. Tudo decorre com normalidade, segundo regras e uma ordem conhecida, repetida todos os anos. Cada família participa sem resistência, como se cumprisse um gesto rotineiro e necessário à comunidade. À medida que o processo avança, torna-se claro que aquele encontro não se trata de uma celebração. O nome escolhido não recebe um prémio, recebe uma condenação. Ainda assim, não há revolta nem questionamento e a cerimónia cumpre-se até ao fim. Nos restantes contos, Shirley Jackson trabalha essa mesma lógica, introduzindo pequenos desvios que alteram a conclusão das histórias. O que é estranho não se destaca do quotidiano, mistura-se com ele, o que o torna mais próximo e perturbador. COMPRO NA WOOK! » Ruído Branco, de Don DeLillo Em Ruído Branco, Jack Gladney, um professor universitário, vive com a mulher e os filhos numa realidade muito próxima da nossa, marcada pelo consumo, pela influência da televisão e por conversas fragmentadas, onde a linguagem parece muitas vezes repetida, como se não lhes pertencesse totalmente. A sensação de normalidade forma-se a partir desses hábitos e da acumulação constante de informação, mais absorvida do que compreendida. Esse equilíbrio aparente é interrompido por um acidente químico que liberta uma nuvem tóxica e obriga à evacuação da população. Mesmo perante este caso extremo e tão próximo, a experiência nunca é vivida de forma direta. Tudo chega através de relatórios, notícias e termos técnicos que procuram dar forma ao que está a acontecer. As personagens lidam com o medo por via dessas interpretações, sem contacto pleno com o acontecimento. Ao longo do livro, a realidade surge sempre filtrada, mediada pelos meios de comunicação e substituída por descrições e explicações que tornam difícil uma relação direta com o espaço em que vivem. COMPRO NA WOOK! » Crash, de J. G. Ballard Crash, de J. G. Ballard, atribui contornos sórdidos à ideia de absurdo. A história acompanha um homem que, após sobreviver a um acidente de viação e assistir à morte de outro condutor, entra em contacto com um grupo de pessoas que desenvolve uma atração sexual por colisões automóveis. Vaughan, figura central desse grupo, estuda acidentes e recria colisões. A determinada altura, os acidentes deixam de ser acontecimentos ocasionais e passam a ser procurados, analisados e encenados. O carro deixa de ser apenas um meio de transporte e passa a integrar o corpo e a experiência das personagens, influenciando a forma como se relacionam. J. G. Ballard não tenta explicar esta atração nem oferecer uma leitura moral, limita-se a seguir essa lógica até às últimas consequências, mantendo um registo frio e descritivo. Mais uma vez, o absurdo não distancia, intensifica. Ao levar esta ideia até ao limite, o livro expõe a fusão entre tecnologia, desejo e violência, revelando uma relação com o mundo em que o estímulo intenso substitui a experiência e o corpo se torna inseparável da máquina. COMPRO NA WOOK! »

Crash

de J. G. Ballard

Propriedade Descrição
ISBN: 9789898839381
Editor: Elsinore
Data de Lançamento: junho de 2016
Idioma: Português
Dimensões: 151 x 232 x 14 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 240
Tipo de produto: Livro
Coleção: Literatura traduzida
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789898839381

SOBRE O AUTOR

J. G. Ballard

James Graham Ballard (Xangai, 15 de novembro de 1930 - Londres, 19 de Abril de 2009) foi um escritor inglês. É autor de Empire of the Sun que, embora seja ficcional, relata as experiências de Ballard na Segunda Guerra Mundial. Conta a história de um menino britânico, Jim Graham (o mesmo nome do autor, James Graham), que vive com os seus pais em Xangai. O livro foi transformado em filme em 1987, dirigido por Steven Spielberg.
Ballard tirou o curso de Medicina em Cambridge e foi porteiro do Covent Garden, antes de partir para o Canadá. Publicou o seu primeiro romance em 1961, "The Drowned World".

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