Cartas de Mário de Sá-Carneiro a Fernando Pessoa

de Mário de Sá-Carneiro
Editor: Assírio & Alvim, novembro de 2001 ‧
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Ao dispor do público leitor, agora num só volume, uma das correspondências que maior fascínio causou na literatura portuguesa (a partir dela, o cineasta João Botelho fez o filme "Conversa Acabada"). São as 217 cartas e postais que se conhecem de Mário de Sá-Carneiro para Fernando Pessoa (as cartas de Pessoa a Sá-Carneiro perderam-se praticamente todas, com excepção de duas delas e de um rascunho), escritas de 16 de Outubro de 1912 a 18 de Abril de 1916, uma semana antes da morte por suicídio, em Paris, de Mário de Sá-Carneiro. Manuela Parreira da Silva (que lhe chama um "diálogo singular") organizou esta edição, fixando os textos a partir dos originais que estão conservados na Biblioteca Nacional, actualizando-lhes a ortografia. Segundo a organizadora, haverá uma última carta do autor de "Dispersão", supostamente a carta de "despedida", escrita depois da que se conhece de 18 de Abril, mas da qual se desconhece o paradeiro. A carta terá sido enviada a Pessoa por José Araújo a 27 de Abril, mas depois não se sabe o que lhe aconteceu. Acompanharia essa carta um postal de José Araújo, reproduzido nesta edição, e no qual ele diz estar assim a "satisfazer a última vontade de Sá-Carneiro. Esta edição dá-nos ainda a ler uma longa carta de Araújo a Pessoa escrita pouco depois da morte de Sá-Carneiro e duas outras de Carlos Ferreira (uma escrita no dia que se seguiu à morte do poeta, outra um dia após o funeral).

Cartas de Mário de Sá-Carneiro a Fernando Pessoa

de Mário de Sá-Carneiro

Propriedade Descrição
ISBN: 978-972-37-0659-8
Editor: Assírio & Alvim
Data de Lançamento: novembro de 2001
Idioma: Português
Dimensões: 156 x 235 x 26 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 352
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Epístolas e Cartas
EAN: 9789723706598
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

SOBRE O AUTOR

Mário de Sá-Carneiro

Poeta e ficcionista, com Fernando Pessoa e Almada Negreiros, Mário de Sá-Carneiro constitui um dos principais representantes do Modernismo português. Partindo para Paris, em 1912, para cursar Direito, estudos que abandonaria pouco depois, a figura de Mário de Sá-Carneiro assume uma importância basilar para a compreensão do modo como o Modernismo português se foi formando com caracteres próprios na recepção das correntes de vanguarda europeias, processo de que a correspondência que estabeleceu com Fernando Pessoa dá um testemunho documental precioso e que culminaria com a publicação de Orpheu, em 1915. Os poemas que edita no primeiro número de Orpheu, destinados a Indícios de Oiro, são, a este título, significativos da sua adesão às estéticas paúlica e sensacionista, que na correspondência entre os dois grandes poetas fora gerada, glosando, então, em moldes muito devedores do simbolismo-decandentismo, a abjecção de um eu em conflito com um outro, reverso da sua frustração e insatisfação ("Eu não sou eu nem o outro, / Sou qualquer coisa de intermédio: / Pilar da ponte de tédio / Que vai de mim para o Outro", "7"), ao mesmo tempo que a publicação de "Manucure", no segundo número de Orpheu , revela uma incursão por uma forma poética mais próxima da escrita da vanguarda futurista, no que contém de autonomização do significante. Já antes de Orpheu, a colaboração de Mário de Sá-Carneiro na revista Renascença (1914) - onde Fernando Pessoa publica Impressões de Crepúsculo -, com a publicação de Além (apresentado como uma tradução portuguesa de certo Petrus Ivanovitch Zagoriansky), instituíra a sua experiência poética na charneira entre a herança simbolista e as tentativas paúlicas e interseccionistas. Mário de Sá-Carneiro constitui ainda um paradigma da prosa modernista portuguesa pela publicação das narrativas Céu em Fogo e A Confissão de Lúcio, construídas frequentemente a partir do estranhamento de um narrador insolitamente introduzido em situações onde o erotismo, o onirismo, o fantástico, se associam aos temas obsessivos do desdobramento e autodestruição do eu. O seu suicídio, com 26 anos, parecendo vir selar aquele sentimento de inadaptação à vida, de permanente incompletude, de narcísico auto-aviltamento e, sobretudo, de consciência dolorosa da irremediável cisão do eu, consubstanciada na dramática tensão entre um eu, vil e prosaico, e um outro, seu duplo ideal, que alimentaram tematicamente a obra, nimbou-o para a posteridade de uma aura de poeta maldito, que deixaria um forte ascendente sobre a poesia contemporânea de gerações posteriores à sua. Com efeito, a mensagem poética do autor de Indícios de Oiro ecoa postumamente na literatura presencista da geração de 50 e até surrealista, passando por nomes absolutamente diversos como Sebastião da Gama, Mário de Cesariny ou Alexandre O'Neill, entre muitos outros.

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