Carbonária - o Exército Secreto da República

Livro 1

de José Brandão

editor: Publicações Alfa, abril de 1990
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Carbonária - o Exército Secreto da República

de José Brandão

Propriedade Descrição
ISBN: 9789726260608
Editor: Publicações Alfa
Data de Lançamento: abril de 1990
Idioma: Português
Dimensões: 140 x 190 mm
Páginas: 148
Tipo de produto: Livro
Coleção: Testemunhos Contemporâneos
Classificação temática: Livros em Português > História > História de Portugal
EAN: 5603503263238
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável
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A Carbonária e a repressão policial

José Brandão

Para conseguir penetrar nos meandros da Carbonária, a Polícia deitava mão a todos os expedientes possíveis e imaginários. Disfarçados de padres, de mendigos, de moços de esquina, ou de qualquer outra figura que se prestasse à encenação, os polícias escutavam às portas espreitavam às janelas, farejavam nas esquinas e faziam tudo para deitar a luva aos carbonários. O célebre juiz de Instrução Criminal Emílio de Almeida Azevedo, — ele próprio ex-maçon alcunhado de irmão Hoche por ter sido este o nome escolhido aquando da sua iniciação numa loja maçónica de Coimbra —, bem se esfalfava todo na luta contra as associações revolucionárias, mas nem ele nem os seus esbirros, que pululavam por essa Lisboa fora, conseguiam fazer grande mossa nas chefias das sociedades secretas. Também que outra coisa era de esperar de um juiz que tinha como braço direito um agente de nome Branco, que frequentava a tavolagem na Rua das Madres, propriedade de alguns colegas seus da Judiciária? A maior parte dos carbonários detidos pertencia a um único agrupamento — a barraca do Alto de Pina, núcleo aguerrido e numeroso, mas que não era lá muito ortodoxo nas suas regras de sigilo e de segurança. Dado o segredo que envolvia a actividade da Carbonária, era difícil conhecer os seus membros e muito menos os seus chefes, que só depois da implantação da República veio a saber-se ao certo quem eram. Nos livros que publicou depois da queda da Monarquia, de que foi o último presidente do Conselho, Teixeira de Sousa afirma o seguinte: «Da Carbonária não tive informação correcta. Quando entrei no Governo, o Juízo de Instrução Criminal tinha organizado um processo acerca de alguns implicados no delito das associações secretas. Conheceu-se alguma vez a sua organização? Nunca. E a prova está em que não eram conhecidos da Polícia os seus dirigentes e propagandistas, nenhum dos que se viram com essa qualidade depois da revolução. Era tão incompleto o conhecimento que havia do assunto que, adoptando a designação de associações secretas, se fez crer que havia pelo menos mais do que uma. Nada disso. Só depois de 5 de Outubro se soube que a associação revolucionária era a Carbonária, tendo como seu comité dirigente a Alta Venda, de que a Polícia nunca teve conhecimento.» O relato prossegue: «Entre milhares de cidadãos que faziam parte da Carbonária, a Polícia somente apurou a responsabilidade de muito poucos. Mais ainda: nunca ela chegou a fazer a demonstração de que havia associações secretas. Esse facto serviu de fundamento a um acórdão da Relação de Lisboa que anulou o processo de um, julgado e condenado, o qual da condenação havia levado recurso. Nunca a Polícia teve conhecimento da existência de grupos de carbonários nos Telégrafos, dos seus trabalhos na Armada e no Exército e nem sequer teve a mais pequena suspeita acerca do fabrico e distribuição de material de guerra […] A Polícia tinha informação de que havia numerosos grupos revolucionários e depósitos de armas, mas ignorava onde existiam e as suas informações eram silenciosas quanto aos indivíduos [...]. Não se fizeram mais prisões porque isso somente serviria para acirrar as paixões, sendo inútil como defesa do regime. A Polícia supunha que eram oito ou dez mil os associados. Prender cinco ou dez apenas serviria para que os restantes apressassem a conspiração.» (6) Mais tarde, Luz de Almeida virá confirmar que a Polícia ainda tinha muito que «aprender» para chegar ao ponto de fazer grande abalo à organização carbonária: «Prenderam-se, é certo, algumas dezenas de bons primos», indica o grão-mestre carbonário, «mas que importância tinha isso numa associação de muitos milhares de indivíduos? À data da minha expatriação estavam inscritos nos vários livros de registos da ordem cerca de 34 mil agremiados, número que, até à proclamação da República, se tinha elevado a mais de quarenta mil. Admitindo que se prendiam mil, ainda restavam trinta e três mil.» Agindo em completo segredo e com todas as cautelas, a Carbonária tornava-se um osso duro para a Polícia roer. Ainda por cima, não tinha lá muita sorte com as deserções e denúncias, que nas fileiras da C. P. eram nulas ou de reduzido alcance, quando de longe em longe se produzia alguma. Uma ou outra provocação de baixo nível era o muito que a Polícia conseguia produzir contra os suspeitos de dirigirem as associações secretas.

José Brandão

José Brandão nasceu em Algés, Oeiras, em 14 de Março de 1948.
Em 1969 foi para a tropa com mobilização para a guerra em Moçambique de onde regressou em finais de 1971.
Virá a ser preso pela PIDE em princípios de 1973 acusado de pertencer a uma organização ligada ao PCP, a ARA.
Ligado ao mundo sindical e político, adere em 1979 às teses da UGT e do PS atingindo lugares de relevo nestas organizações.
Actualmente encontra-se sem qualquer filiação política ou sindical.
Tem uma vasta série de artigos publicados entre 1983 e 1995 em jornais como o Expresso, Diário de Notícias e o Diário de Lisboa.

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